Empoderamento feminino

Por uma sociedade 50:50: equidade como possibilidade, oportunidade e responsabilidade de cada um de nós, homens e mulheres

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Nos últimos meses, a grande reflexão que pula na minha cabeça: porque é tão difícil ser mulher ainda que estejamos no século XXI? Somos 51% da população brasileira. Hoje, no Brasil, mais de 40% das mulheres são chefes de famílias e são 32 milhões que pagam as contas de casa.

Somos a maioria, também, nas universidades. São 56% de mulheres estudantes universitárias. Nos novos negócios representamos 52% de novos empreendedores. Até nas redes sociais, somos 53% conectadas no mundo virtual.

Ainda assim é difícil ser mulher em pleno século XXI. Não estou falando de produtos ou serviços criados especificamente para atender os desejos femininos, estou falando de representatividade em seu significado propriamente dito, de igualdade e de ao menos batalharmos para alcançarmos a meta e visão de sucesso da ONU Mulheres, chegarmos a 50:50. Meio a meio.

Fragilidade criada

Não estamos falando de mulheres que gritam palavras de ordem em nome de um direito que é garantido constitucionalmente.

Está na Constituição Brasileira de 1988 em seu artigo quinto que todos somos iguais perante a lei e que devemos garantir aos brasileiros e estrangeiros que vivem no Brasil direito a vida, a liberdade, a igualdade, a segurança e a propriedade, isso sendo homens ou mulheres. Então porque não funciona na prática?

A cultura machista brasileira expõe nossa fragilidade. Podemos ser a maioria da população atuarmos como chefes de famílias, assumirmos cargos de lideranças nas empresas, mas não nos sentimos representadas. A mídia é um bom exemplo.

A agência Heads Propaganda monitora mensalmente a mídia brasileira e criou um glossário das situações em que a mulher mais é exposta na publicidade nacional. Segundo Isabel Aquino, diretora de planejamento da agência, a maior parte da mídia estereotipa a mulher.

Na publicidade brasileira, a mulher sempre aparece com padrão de beleza inatingível. São magérrimas, enquanto sabemos que a miscigenação brasileira nos fez uma nação pluri e, no caso das mulheres, cheias de curvas.

Novos horizontes

Outro apontamento da agência, é que na maioria das propagandas a mulheres aparecem como donas de casa ou num contexto de total submissão aos homens.

Pensar no empoderamento feminino dentro da meta 50:50 é enxergar horizontes que não nos aprisionam, pois se é difícil ser mulher no século XXI, também não é nada fácil ser homem numa sociedade machista.

A mesma mídia que estereotipa a mulher é aquela que também que estereotipa os homens, os colocando na situação sempre de provedores, não aparecem assumindo papéis pouco ou quase nada representados, por exemplo, cozinhando, brincando de boneca com sua filha, lavando louça, por que não?

A culpa é de quem?

A publicidade, segundo a diretora, não é a culpada desse padrão, mas passa pela publicidade também a responsabilidade de quebrar paradigmas e mudar conceito. Em julho, segundo a agência, apenas 5,13% das publicidades veiculadas na mídia traziam o perfil que empodera.

Isabel Aquino contou durante um encontro de comunicação para profissionais da área de uma operadora de saúde na capital, o exemplo de um cliente da agência que solicitou a arte para postagem no facebook. Propositalmente, a agência criou a arte e usou a foto de uma mulher negra e encaminhou para a aprovação do cliente.

“O cliente disse que gostou, mas que gostaria que a foto fosse substituída. A agência substituiu a imagem, mas ainda assim, por uma mulher negra. O cliente aceitou mas percebemos que a contragosto. Na verdade, ele não queria a foto de uma mulher, muito menos negra”, relatou contundente.

Para ela, ainda, a sociedade não vai mudar se as pessoas – homens e mulheres – não mudarem. “Equidade tem que ser assumida dia a dia e todos temos possibilidade, oportunidade e responsabilidade para promover essa mudança ”, conclui.

Solução

Então vamos provocar nossa capacidade de mudança, que deve começar de dentro para fora. Que tal uma reflexão dos nossos medos, das nossas angústias e dos nossos comportamentos também. Será que o que temos pensado condiz como nossas atitudes?

As respostas para essas e outras perguntas passam pelo que consumimos e não falo em poder de compra, o que consumimos da mídia nossa de cada dia.

Se o que estamos consumindo vai contra os valores que apregoamos, se estereotipa mais que empodera, está na hora de mudar de canal, a realidade é muito diferente do que está sendo apresentada.

Empoderamento feminino não pode ser clichê e precisamos protagonizar a mudança para não vivermos limitados aos papéis que devem ser de homens ou mulheres, ou mesmo padrões de comportamento e beleza que não nos permitem pensar fora da caixa.

 

 

 

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Radialista e jornalista. Profissional da área de comunicação há 18 anos, atuando em rádio, TV, jornal e assessoria de comunicação. Foi correspondente da Rádio Jovem Pan por cinco anos. Hoje, atua com assessoria de comunicação da área de saúde e saúde suplementar.

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