Do Alto Douro à alta literatura: viagem em um Portugal maravilhoso

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Alto douro

Não há mesmo palavras para descrever a beleza das curvas do rio Douro entre as serras, no norte de Portugal. “Douro porque dizem que o barro, no leito do rio, é amarelo, dourado”, como explica a designer de interiores Ana Baptista da Costa. Soma-se ao dourado a fertilidade do solo que margeia o rio, lugar que dá origem a um dos vinhos mais apreciados do mundo: o Porto.

Pois bem (como dizem por aqui), para chegar ao meu destino, curso internacional de verão a casa / a quinta nas obras de Eça, Camilo e Agustina, e nos filmes de Manoel de Oliveira, em Baião, foi preciso ir ao Porto…e, como se não bastasse a beleza dos tradicionais azulejos da estação de São Bento, pegar o trem (que aqui chamam de Comboio) e me debruçar novamente sobre paisagens de tirar o fôlego, que alternam entre vilarejos, vindimas e, obviamente, o rio luxuriante.

Vinho e culinária

A viagem é mais espetacular ainda, quando aliamos a ela bons vinhos, culinária excelente e alta literatura portuguesa. Este ano foi a segunda vez que ganhei a oportunidade de frequentar a escola de verão da Fundação Eça de Queiroz, em Baião, em terras lusitanas. Tormes é aquele lugar mítico, descrito por Eça, n’A Cidade e As serras, onde Jacinto, vindo de sua casa parisiense no Campos Eliseus, n. 202, se delicia com as qualidades do campo. O curso, que acontece anualmente no fim de julho, nesta XX edição, estendeu seus estudos a escritores como Camilo Castelo Branco, Agustina Bessa-Luís e ao cineasta Manoel de Oliveira.

Assim, foi um deleite especial visitar tantas quintas e casas literárias que me confirmaram a sensação que tenho desde sempre de que Portugal é feito de palavras que se movem no ar e adentram superfícies. Fizemos quatro visitas guiadas: o percurso do Caminho de Jacinto, em Tormes; a visita às Quintas de Vale Abraão e de Covela, em Peso da Régua e, por fim, a visita à Casa de Camilo Castelo Branco, em Seide.

Programação academica

A programação academica deste ano foi habilmente articulada pelo professor Orlando Grossegesse, da Universidade do Minho, e ministrada pelos professores Paulo Motta, da Universidade de São Paulo; Maria do Carmo Mendes, da Universidade do Minho, e Carolin Overhoff Ferreira, da Universidade Federal de São Paulo.

O Instituto Camões e a Fundação Eça de Queiroz estão de parabéns. Agredeço, sobretudo, à Diretora da Fundação Eça de Queiroz, Dr.ª Anabela Cardoso, e a Dr.ª Sandra Melo, técnica cultural, pelo excelente trabalho. Ao Chef António Pinto pela solicitude e maravilhosa comida e ainda ao motorista, Sr. Batista, todos sempre muito amáveis.

Se estiverem em Portugal, vale mesmo tirar um dia para fazer uma visita à Fundação Eça!

 

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Escritora e professora de literatura. Também é doutora pela Universidade de Bolonha, na Itália. Fez Mestrado em Literatura brasileira, na Universidade Federal do Ceará e em Direitos Humanos, pela Scuola Superiore Sant’Anna di Pisa. E fez pós-doutorado na Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-brasileira (Unilab).

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