Educar um filho é uma das coisas mais difíceis que alguém pode fazer

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Não é só dar carinho, não é só dar limite, não é só dar oportunidades. Educar é estar disponível emocionalmente para o outro aprender com você. Por isso a questão da terceirização da infância é um assunto muito mais complexo do que parece. Terceirizar significa se ausentar dessa relação que acarreta na formação de outro ser humano.

Se você não está disponível para esse processo não adianta ter tempo nem dinheiro, você vai achar uma forma de se esquivar rapidamente dessa relação. Hoje temos muito exemplos nas escolas, nos pediatras, no dia a dia, onde as crianças são cuidadas por terceiros. Escolas que mal conhecem os pais, pediatras que raramente falam com a mãe, crianças que passam de 6 a 8 horas nas creches e nas escolas. Os pais de hoje tem razões suficientes para bancar essas escolhas. Não há certo ou errado nessa história.

Você vai dar para o seu filho o que pode, de acordo com os seus modelos, a sua visão de ser humano, de relacionamento e da sua realidade. O relacionamento com a criança não é diferente de nenhum outro relacionamento na sua vida. Ele vai te dar alegrias, frustrações, impasses, desafios, vai ter fazer rir e chorar, mas vai exigir de você uma dedicação talvez nunca antes imaginada. Mas ainda tem muita mãe que idealiza a infância e acha que tinha que ser mais tranquila, mais fácil, menos desgastante e acha que tem algo errado quando se depara com a demanda insana de uma criança.

O pediatra inglês Donald Winnicott já falava que a capacidade de um ser humano ser feliz, ter um pouco de estrutura tem muito a ver com um tempo e uma pessoa. Dar beijinho e falar eu te amo não é suficiente para garantir um vinculo com uma criança. Para se educar uma criança é preciso de vinculo e para isso é preciso de tempo e disponibilidade física e emocional. O dia a dia é feito de pequenos detalhes, conversas, interações e convívio. Não tem medidor universal de quanto seu filho precisa de você. Esse trabalho você tem que fazer. Olhe os sinais: ansiedade, medos, insônia, performance escolar, olhe nos olhos dele, só você poderá dizer se ele está feliz.

 

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Psicóloga formada pela PUC-SP em 1992, com mestrado em Psicologia Clínica pela Universidade Antioch de Los Angeles, CA, em 1996, e formação em Psicologia Perinatal pelo Instituto Gerar (SP). Sócia fundadora do Instituto Mãe Pessoa, trabalhou como psicóloga no Hospital Israelita Albert Einstein de São Paulo de 2011 a 2013 e atende em consultório particular no Brooklin, em São Paulo.

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