Como a internet pode influenciar na vida da família?

Como a sua família mantém o relacionamento diário e preserva seus laços efetivos, se com a chegada de smartphones e tablets, as pessoas estão se encontrando pessoalmente cada vez menos?

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Como a internet pode influenciar a vida da família

Ano após ano, desde o surgimento da internet, a forma como nos relacionamos com as coisas mudou. Temos mais pressa, queremos tudo muito mais rápido e, todos nossos objetos de desejo, estão na ponta de nossos dedos. Porém, além disso, a nossa relação com as pessoas foi completamente transformada. Nos aproximamos das pessoas, mas ao mesmo tempo, nos afastamos. Ou será que isso não é tão verdade assim?

Hoje em dia, é mais comum dar um “oi”  e saber se está tudo bem por uma mensagem de textos em aplicativos e, na contrapartida, deixar de encontrar com as pessoas frente a frente e poder promover um diálogo sincero sem que uma tela de smartphone ou tablet estejam no meio do caminho.

Há muita coisa na internet que favorece diversos pontos, como por exemplo reflexo, mas, na contrapartida, desfavorece o convívio social. “A tecnologia vem favorecendo a qualidade, buscando facilitar a vida das pessoas, mas nem tudo é satisfatório, como o caso dos jogos eletrônicos. Eles aumentam os reflexos das pessoas, rápida captação das coisas, com várias estratégias e que, normalmente, viciam. As principais vítimas são as crianças que se alienam aos jogos e perdem o interesse ao convívio social, passando a ter problemas de relacionamento dentro de sua casa com falta de limitações e controle de sua conduta”, explica a advogada Dra. Eliane Maria Cavalcanti, em seu artigo “A Influência da Internet nos Valores Familiares”.

E aí está, talvez, o maior problema deste advento de novas tecnologias na palma da mão, a falta de interação entre membros da família. Os filhos que se sentam à mesa para jantar ou almoçar e não largam o telefone, os pais que tendem a trabalhar excessivamente e, dentro de casa, sentado ao sofá vendo TV com a família, resolvendo problemas de trabalho e, as mães, que se isolam no quarto e ficam trocando figurinha com as amigas e em grupos criados sobre compras, moda, ou simplesmente para fofocas.

E a sua família, como se relaciona?

E você já parou para pensar como sua família está se relacionando diariamente e se ela está preservando seus laços afetivos diante deste mundo altamente tecnológico?

Para a psicóloga especialista em gestão do conhecimento, Scheila Teston Ayres, recuperar antigos hábitos são importantíssimos para que os membros da família se observem mais. “O primeiro passo é o desejo em mudar. A outra parte é a mudança de hábito retomando rituais antigos, como exemplo, almoçar, jantar ou tomar café da manhã todos juntos à mesa. Além disso reservar esse tempo para trocas simples, como conversas sobre o dia de cada um. Há também os momentos de lazer, passeio no parque, andar de bicicleta, caminhadas, qualquer coisa boa que todos possam fazer sem o celular.”, afirma a especialista.

Scheila observa, ainda, que a questão em si, não é largar de vez os celulares ou tablets, mas criar uma cultura de interação familiar. “Deixe reservado momentos livres, para que cada um possa fazer uso do equipamento eletrônico que desejar. Mas tenha momentos de convivência sem essa maquininha fascinante. Estimule seus filhos a falarem como se sentem e ensine-os a conversar. Vejo muitos adolescentes com dificuldades para iniciar uma conversa, não por timidez, mas por que não sabem o que dizer. Quanto mais conversamos em casa, mais fácil serão nossas relações.”, diz.

A psicóloga especializada em psicanálise lacaniana, Raquel Jandozza, segue na mesma linha de raciocínio sobre não excluir as novas tecnologias e, sim, de propor conversas abertas. “Limitar demasiadamente o uso não é uma alternativa tão benéfica. É importante dialogar e mostrar o porquê de desligar o equipamento. Mostrar o valor de uma conversar, o valor que se tem em fazer ações tão legais quanto o uso da tecnologia. As famílias precisam entender o contexto e o momento de tudo e estabelecer entre si uma conversa saudável, até por que não são somente as crianças que estão imersas nas redes sociais, os pais também.“, orienta.

“Cada pai entende a dinâmica da sua família. Se esta regra é boa para todos, ótimo. O ideal é trabalhar a consciência para que ninguém seja dependente deste equipamento. E consciência só se tem conversando. Com muito diálogo. Mas lembrem-se: ninguém dá o que não tem. Seja o exemplo, isso é muito melhor do que palavras.”, reforça Scheila Ayres.

Exemplo real

O empresário Carlos Wizard, em entrevista concedida à Revista Nova Família (clique aqui e confira a entrevista completa!), contou sobre as ações que promove em sua casa para manter sua família sempre unida. “Nós temos uma série de atividades obrigatórias e metódicas em nossa família. São coisas simples que todos podem fazer. Por exemplo: as noites de segunda-feira são sempre dedicadas a uma reunião familiar, um momento no qual pais e filhos estão juntos para tratar dos assuntos da família e orar. Todos os dias, antes de deitar também lemos uma escritura, para irmos dormir com aquela direção em mente. Isso tudo é simples, mas muito importante para criar um ambiente de respeito mútuo, de tolerância.”, relata.

Ele ainda falou um pouco sobre como faz para desligar seus filhos da tecnologia. “A tecnologia aproxima quem está longe e afasta quem está próximo. Da mesma maneira, com a tecnologia nós nos comunicamos muito mais, mas falamos muito menos. É por isso que, em casa, adotamos um hábito que acho bastante saudável. Lá pelas 23 horas, quando vamos dormir, peço aos meus filhos que deixem os celulares comigo. Na manhã seguinte, os devolvo. Caso contrário, podem passar a noite nas mensagens, joguinhos etc. Confesso que não foi fácil adotar esse hábito, houve muita reclamação, muita choradeira mas, hoje, é um comportamento natural em nossa família”, revela.

Para a Scheila, infelizmente não há receita mágica, o que devemos ter é atitude diante das situações. “Os pais devem começar cedo, quando os filhos são pequenos, é mais fácil. Contenha sua vontade de dar o celular para a criança pequena por estar cansado e não querer brincar, ou porque ele está fazendo “birra”. Resista! Estabeleça horários para uso. Eles vão reclamar no começo, mas depois adaptam-se e você não vai mais se preocupar com a ausência constante de seu filho.”, afirma.

O lado positivo

Jandozza alerta que não devemos somente buscar o que é ruim nas tecnologias, mas também observar e usar o que é positivo a nosso favor. “Não há por que só colocar coisas ruins na tecnologia. Ela pode ser muito benéfica também. Temos tios, avós, parentes e familiares distantes que estão se comunicando com mais facilidade. Nesse caso, ela mais aproxima do que afasta. Há outro ponto importante sobre as tecnologias. Eu atendo muitos adolescentes e tenho visto cada vez mais, de modo recorrente, que eles estão utilizando as mídias sociais para conversar com os pais sobre coisas que, talvez, frente a frente não conseguiriam. Nesta hora encoraje-o, e chame-o para uma conversa pessoal.”, aconselha.

Como a internet pode influenciar a vida da famíliaPara manter um padrão de relacionamento com seus filhos é preciso que você crie esta relação e não espere que eles entendam o que você quer espontaneamente e com base em regras rígidas. “Se a família tem o hábito de sentar em volta da mesa para comer, que o motivo disso seja apresentado, explicando o porquê isso é importante. Não é somente tirar o celular da mão da criança ou do adolescente, como uma regra, vindo de cima para baixo. Construa este momento junto com seus filhos, com base no diálogo. Não é somente impor regras, é fazer com que eles entendam o sentido do momento, caso contrário, eles vão entender como um castigo. O que na verdade deve ser um momento prazeroso”, complementa Raquel.

E a psicóloga Scheila ainda oferece uma valiosa dica sobre o assunto. “Sejam pai e mãe! Cada um sabe os débitos que tem com seus filhos e com seus pais: não deixem essa lista aumentar. Deem o seu melhor sempre. Não deixem seus filhos em segundo plano. Nada é mais importante do que eles. Não comprem seus filhos com presentes ou belas festas. Façam coisas simples, mas que tocam os corações. Responda a essa pergunta: se você faltar hoje, qual a melhor lembrança que seu filho tem de você? Crie momentos especiais, fale com seu coração, ele dirá o que deve fazer”, finaliza.

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