Cais de entrada de escravos no Brasil pode virar Patrimônio da Humanidade e Museu do Amanhã terá semana com temática africana

0
43
Museu do Amanhã cais patrimônio da humanidade

Candidatura do Cais do Valongo, por onde um milhão de escravos desembarcaram no Rio de Janeiro, à Patrimônio da Humanidade pela Unesco é inspiração para programação africana do museu   

O Brasil recebeu cerca de quatro milhões de escravos nos mais de três séculos de duração do regime escravagista. Destes, aproximadamente 60% entraram pelo Rio de Janeiro, sendo que aproximadamente um milhão desembarcou pelo Cais do Valongo, sítio arqueológico que no início de julho poderá se tornar Patrimônio da Humanidade pela Unesco.

O local foi desativado como porto de desembarque de escravos em 1831. Em 1911, com as reformas urbanísticas da cidade, o cais foi aterrado pela segunda vez. No entanto, durante as obras do Porto Maravilha, com as escavações realizadas no local em 2011, foram encontrados milhares de objetos como parte de calçados, botões feitos com ossos, colares, amuletos, anéis e pulseiras em piaçava de extrema delicadeza, jogos de búzios e outras peças usadas em rituais religiosos.

Com isso, em 2012 o Cais do Valongo passou a integrar o Circuito Histórico e Arqueológico da Celebração da Herança Africana, que estabelece marcos da cultura afro-brasileira na Região Portuária, ao lado do Jardim Suspenso do Valongo, Largo do Depósito, Pedra do Sal, Centro Cultural José Bonifácio e Cemitério dos Pretos Novos.

Em 20 de novembro de 2013, Dia da Consciência Negra, o Cais do Valongo foi alçado a patrimônio cultural da cidade do Rio de Janeiro, por meio do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH) que também lançou a candidatura do Cais do Valongo à Patrimônio da Humanidade.

Programação

O sítio Arqueológico do Cais do Valongo não só representa o principal cais de desembarque de africanos escravizados em todas as Américas, como é o único que se preservou materialmente. Sua candidatura à Patrimônio Mundial pela Unesco inspirou o Museu do Amanhã a realizar uma série de atividades sobre o tema. Por isso, de 24 de junho a 1º de julho, a programação do museu será ligada à região portuária e à diáspora africana com a realização de seminários, rodas de conversas, aulas, feira, performances artísticas e exibição de filmes.

“O Museu do Amanhã é muito recente nesta área, mas estamos localizados em uma região de história densa, que contou com extraordinária contribuição dos africanos. Infelizmente essa é uma história pouco conhecida e compreendida pela nossa sociedade. Esse passado e também o nosso presente precisam ser contados, ouvidos e recontados. Temos orgulho de estar nessa região e de poder contribuir com esse encontro, e que seja apenas o prelúdio para o devido reconhecimento da importância dessa candidatura, das reflexões e possibilidades de transformações que pode trazer”, afirma Laura Taves, gerente de Relações Comunitárias do Museu do Amanhã.

Todas as atividades do evento Vivências do Tempo – Matriz Africana são gratuitas.

Confira a programação completa no site.

Fontes: IPHAN e Museu do Amanhã

 

Deixe seu comentário