Os primeiros anos são fundamentais para o desenvolvimento intelectual da criança

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Já falamos aqui recentemente sobre a influência da internet na vida das famílias e, é fato que este tema gera cada vez mais assunto e questionamentos. O papel da revista Nova Família está além de apenas informar, portanto, temos como missão contribuir para a melhoria da qualidade de vida das famílias brasileiras.

Por conta destes fatores conversamos com a professora Laura Marisa Carniero Calejon, que é doutora em psicologia escolar de desenvolvimento humano pela USP (Universidade de São Paulo) e pesquisadora pela Universidade Cruzeiro de Sul.

Ela nos orientou sobre a importância do desenvolvimento das crianças nos dois primeiros anos de vida, sobre a importância do acompanhamento dos adultos e como amenizar os efeitos de ações dos filhos já adolescentes.

“A primeira coisa que temos que pensar é no desenvolvimento da criança, como se dá este desenvolvimento, quais as condições necessárias para um desenvolvimento saudável e como os pais devem atuar. Não é jogar fora os recursos tecnológicos, porque elas estão aí e são uteis, mas a gente não pode supervalorizar e achar que eles vão resolver tudo.”, afirma.

Importância do acompanhamento adulto
Professora Laura
Professora Laura Marisa Carniero Calejon

Segundo a professora, os dois primeiros anos de vida são fundamentais para que a criança possa ter acesso aos recursos para o seu desenvolvimento. “No primeiro e segundo anos da vida, a criança precisa adquirir a linguagem, compreender e ir se apropriando dos objetos do mundo no qual ela vive. Assim ela vai denominando estes objetos e entende este universo. E essa compreensão é fundamental para o desenvolvimento da linguagem e, assim, chegar falando até os dois anos de idade, ou seja, ter uma linguagem oral e, de alguma maneira, o desenvolvimento do controle do próprio comportamento e tempo de atenção que ela precisa para as coisas.”, diz.

E neste processo, a participação dos pais é a ferramenta mais importante. “A criança não consegue desenvolver isso se não tiver um adulto que converse com ela. Muitas vezes, os pais acreditam que o filho não entenderá por ser pequeno, mas é justamente neste momento que ele vai mais precisar. Por isso a importância em manter um diálogo saudável.”, orienta.

Fora que, criar uma rotina de conversa é que vai agilizar o processo de comunicação da criança. “O que temos percebido é que quanto maior for o ambiente verbal na família, mais rápido ela adquire a linguagem oral e mais rápido ela aprende a dar nome aos objetos.”, alerta a professora.

E Laura ainda exalta a manipulação de objetos para auxiliar nesta educação. “E para a criança dar nome aos objetos ela precisa mexer com eles. Para saber o que é uma maçã ou uma cadeira, por exemplo, ela precisa ver e tocar no objeto. E na vida cotidiana isso vai acontecendo naturalmente quando os pais sinalizam as ações. Ou seja, de uma forma natural vai haver uma manipulação dos objetos e uma denominação que o próprio adulto vai fazendo para ela. Mas para que isso aconteça efetivamente é preciso criar uma relação de afeto, estar presente e falar com a criança.”

Tecnologia e filhos

Questionada sobre a tecnologia na vida dos filhos, a especialista é clara ao mostrar que ela, hoje, é a alternativa mais fácil para os pais. “A tecnologia tende a apressar as coisas, tende a distanciar os adultos e a substituí-los. É muito mais fácil deixar a criança vendo televisão na sala, enquanto a mãe está na cozinha fazendo a comida.”

É natural os pais deixarem seus filhos mexendo desde cedo com celulares e tablets, o que pode não ser bom e, até mesmo ilusório. “É um erro e uma ilusão deixar que as crianças mexam em tecnologias achando que elas de fato sabem mexer. Elas não sabem. Podem até com o dedinho fazer correr a tela do celular e deixar os adultos encantados mas, na verdade, elas não sabem. Isso é um gesto mecânico, feito por acaso. Isso não é um indicador de desenvolvimento da criança.”, alerta Laura.

A culpa é de quem?

Durante a conversa, a professora disse que os pais não fazem isso propositadamente, mas deixa a dica para que prestem mais atenção aos detalhes. “Sabemos que os pais não fazem por maldade. Estamos em uma época na qual a vida é corrida para todos. Às vezes eles estão correndo, lutando muito para dar condições materiais e de vida para este filho e para a família. Só que, como ele demora para conseguir estas coisas, o tempo já passou. Neste período, até os dois anos, a vida passa muito depressa. Este progresso da tecnologia tem um lado bom, que encanta; mas também tem o lado perverso.”

Reversão na adolescência

Uma preocupação dos pais, nos dias de hoje, é sobre a conduta dos filhos adolescentes que não desgrudam dos celulares, videogames, computadores e televisão.

E sobre esta questão, a professora esclarece que é muito mais complicado tentar mudar a realidade. “Primeiro, quanto mais tarde, mais difícil será a reversão. E depois que você não reverte nada com discurso. Não adianta dizer para um adolescente ou pré-adolescente que está num momento de rebeldia, por exemplo, que é algo natural nesta fase, que beber faz mal, se o pai bebe; que fumar faz mal, se o pai fuma. Não adianta você dizer que está errado se o exemplo não é dado.”, afirma.

“Os comportamentos que esperamos que as crianças e adolescentes assumam, não são aqueles do discurso e sim dos exemplos, que são exemplos da vida inteira.”, complementa Laura.

Presença afetiva

Muito além de conversar e oferecer contato com os objetos, a professora insere mais um elemento em nossa conversa: a presença afetiva na vida dos filhos, como uma ferramenta para evitar, inclusive, ter que reverter uma situação difícil no futuro. “Melhor que os pais se emprenhem e assumam uma presença afetiva enquanto as crianças são menores, do que tentar reverter algo na adolescência.”

E neste processo entram os limites e as regras que, segundo Laura, são muito importantes nesta fase infantil. “Os pais precisam estar presentes para direcionar, dizer o que pode ou não pode. Isso, o tablet não faz. Isso, o vídeo não faz. Ajudará sim se for acompanhado pelo adulto e não como instrumento para acalmar, porque não acalma, anestesia.”, diz.

E na adolescência

Possivelmente, a fase mais complicada na educação. Jovens querem conquistar seus objetivos, sonhos e anseios, mas isso não deve afastar os pais de seus filhos. “Claro que os pais devem estar presentes na adolescência. Eles estão numa fase de contestação, de enfrentamento dos valores estabelecidos e em luta por seus próprios valores.”, conta a especialista.

E nesta hora o que fazer? Simples, segundo Laura: paciência. “É preciso ter paciência porque ele precisa ser contra pra ser reafirmar. No fim, eles até assumem os valores da família, mas assumem como deles, porque já tiveram a oportunidade de se contrariar, de se opor, de lutar e, os pais, precisam de paciência com este jogo.”, indica.

E é aí onde tudo começa

Isso mesmo! É aí que tudo começa, na adolescência. Mais precisamente, segundo Laura, a partir dos 18 anos. “Se espera, na adolescência, que o sujeito desenvolva primeiro a capacidade de pensar de maneira lógica, de entender os conceitos científicos, porque ele já passou pelo ensino fundamental e está no ensino médio, está optando por uma profissão e por cursos. Daí, então, ele terá aquilo que chamamos de autonomia, que é a capacidade de compreender as normas da sociedade na qual ele vive e saber que também é responsável por elas e, se ele não gosta destas regras, tem que atuar para fazer isso mudar, o que chamamos de controle da própria conduta, que depende muito da educação que ele teve até ali.”, finaliza.

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Diretor Editorial e de Redação da Revista Nova Família.

Jornalista e assessor de imprensa, desde 2001, conta com grande experiência como repórter, em jornais impressos e emissora de TV, como editor de revista, e webwriter. Além disso, é especialista em assessoria de imprensa e comunicação corporativa, incluindo mídias sociais, marketing digital e otimização de sites (SEO)

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