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8 histórias de mulheres que se tornaram donas de franquias por causa da pandemia

Desemprego, mais tempo com os filhos em casa ou oportunidade de investir: motivações diferentes transformaram estas mulheres em empreendedoras durante a mais grave crise sanitária da história recente

8 histórias de mulheres que se tornaram donas de franquias por causa da pandemia
Foto : Reprodução

Desemprego, mais tempo com os filhos em casa ou oportunidade de investir: motivações diferentes transformaram estas mulheres em empreendedoras durante a mais grave crise sanitária da história recente

Um estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgado na semana passada alertou que a presença feminina em cargos de liderança caiu em 2019, antes mesmo dos efeitos da pandemia. Apenas 37,4% dos postos de alto escalão eram ocupados por elas no ano analisado pelo levantamento – três anos antes, em 2016, eram 39,1%.

A pandemia e as regras de quarentena impostas também refletiram no cenário de empreendedorismo feminino. De acordo com um levantamento do Sebrae, a curva, que vinha crescente desde 2016, foi interrompida no ano passado, e até chegou a recuar quase um ponto percentual. No terceiro trimestre de 2020, dos 25,6 milhões donos de negócios no Brasil, apenas 33,6% eram mulheres. Um ano antes, eram 34,5%. O Sebrae atribui essa queda a um conjunto de fatores, entre eles, a necessidade das mulheres em cuidar dos filhos, que estavam sem aulas presenciais

Um dos poucos dados de crescimento do empreendedorismo feminino em 2020 foi no setor de franquias. Entre as 50 maiores redes em operação no Brasil, de acordo com ranking divulgado pela Associação Brasileira de Franchising (ABF), 11% são lideradas por mulheres – no levantamento anterior, eram 8%. A entidade não tem uma apuração recente sobre a participação de empreendedoras como gestoras de unidades franqueadas, mas a última pesquisa, de 2015, apontava uma participação de 49%.

Ao longo de 2020, muitas mulheres que perderam o emprego precisaram complementar a renda do lar ou se reinventar para trabalhar em casa e dar conta dos afazeres, ou simplesmente viram uma oportunidade e resolveram investir no setor de franquias. PEGN conta algumas dessas histórias. Confira:

A empreendedora Vanessa de Grossi, 37, investiu na franquia de coworking médico Buratto Consultórios em julho de 2020. Ela já conhecia a marca, pois a sua mãe fazia tratamento com a fundadora, a acupunturista Cássia Buratto.

No meio da pandemia, o marido de Grossi perdeu o emprego e, pouco tempo depois, a rede de consultórios anunciou a expansão por franquias. Ela resolveu apostar no modelo, tornando-se a primeira franqueada da rede, em São Bernardo do Campo (SP).

A Juliana Cristina de Oliveira, 36, já era microempreendedora individual (MEI) desde 2016 e prestava serviços financeiros para empresas de cobrança. Com a pandemia, ela conta que esses negócios passaram a diminuir o quadro de prestadores e buscar automação.

Oliveira estudou, então, uma forma de complementar o serviço oferecido para turbinar a própria renda. Assim, decidiu abrir uma franquia da rede Dot Bank. Hoje, ela concilia os dois trabalhos e ainda tem mais acesso a conhecimento sobre sistema bancário, administração de empresas e área financeira.

Andréia de Macedo, 36, era vendedora de um quiosque de joias no Shopping Guararapes, em Pernambuco. Ela já vinha namorando a rede Love Gifts, até que viu a oportunidade de abrir uma unidade em julho do ano passado. Macedo pegou as economias e contou com a ajuda da franqueadora para negociar melhores condições de ocupação.

“Eles negociaram com o shopping e conseguiram uma redução de 40% do custo de ocupação da tabela que estava sendo aplicada.” A loja foi inaugurada durante a reabertura do centro comercial, após a primeira fase da quarentena. Desde então, o ponto tem operado sob os protocolos de segurança, mas a empreendedora se diz satisfeita com os resultados.

Mayara da Cunha Netto, 37, trabalhava no mercado financeiro há 18 anos e sempre poupou para, um dia, abrir sua própria cafeteria. Durante a pandemia, ela resolveu se arriscar e ir na contramão do que o senso comum mandava: pediu demissão do trabalho e investiu em uma unidade da franquia Cheirin Bão, no Plaza Shopping Niterói, no Rio de Janeiro.

A empreendedora conta que a decisão foi motivada por ter conseguido boas condições para negociar custos de ocupação. Em menos de um ano, passou a atingir um faturamento mensal de R$ 45 mil. “Atualmente, consigo cuidar do meu próprio negócio, ter mais tempo para mim e fazer o que eu gosto”, afirma.

A empresária e modelo Michele Sensolo, 36, era proprietária da casa noturna Chai.Ecolounge, em Florianópolis, que funcionou por dois anos e precisou encerrar as atividades durante a pandemia.

Ela já tinha duas franquias da rede Oakberry no aeroporto internacional de Guarulhos, em São Paulo, mas resolveu abrir uma terceira, em Olímpia, no interior do estado, para repor a renda com o negócio que precisou ser encerrado. A empreendedora ainda tem planos de abrir mais um quiosque da marca na pandemia, também em Guarulhos.

Valkiria Rodrigues da Rocha, 45, trabalhava com hotelaria e perdeu o emprego durante a pandemia. Ela pensou em procurar outro trabalho, mas acabou usando o tempo na quarentena para consumir conteúdo e lives relacionadas a empreendedorismo. Foi assim que ela conheceu a rede de franquias de alimentação saudável Boali, se identificou com a proposta e decidiu ir atrás.

Rocha abriu a loja em dezembro de 2020. Ela diz que ainda precisa ficar bastante à frente da loja, por ser um negócio novo, mas já vislumbra uma maior flexibilidade para passar mais tempo com a filha, em breve.

As amigas Kalinka Padovani, 46, Mariana Torsone, 33, e Lilian Cechini, 45, trabalhavam juntas em uma empresa produtora de sementes. Elas já vinham pensando em formas de empreender em conjunto. Torsone para ter mais flexibilidade de horários e Padovani e Cechini para ter mais tempo com os filhos.

Diante do home office compulsório, causado pela pandemia, e a digitalização em massa dos negócios, resolveram unir forças para abrir uma franquia da rede de marketing digital Guia-se, em Ribeirão Preto (SP), em junho de 2020. “Diante das incertezas do momento, não queríamos investir mais a nossa energia em CLT”, diz Cechini.

Roberta Torres Domingos, 42, trabalhava com transporte escolar há 22 anos, mas precisou buscar outra fonte de renda quando as escolas foram fechadas, em março de 2020. Ela já conhecia a marca Oggi Sorvetes e resolveu se informar sobre o setor de franquias. Convencida, pegou as economias e investiu em uma loja da empresa na zona leste de São Paulo.

A unidade começou a operar sob as restrições de funcionamento impostas pelo governo do estado. Assim, Domingos iniciou a operação via delivery e drive thru. Para o futuro, ela pretende investir em outra loja da marca, mas sem abrir mão do antigo ofício. “O transporte eu terei que delegar a alguém para que possa fazer um trabalho de qualidade e estar sempre presente na loja.”

Informações: pequenas empresas e grandes negócios.

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