A corrida da vida

A corrida da vida

A corrida da vida

Ele se prepara para a grande corrida de sua vida. Alonga seus músculos e aquece sua imaginação. Enquanto amarra o cadarço de seu tênis, pensamentos provenientes de sua mente correm soltos por suas veias.

Fotografias que se movimentam, trazendo de volta o filme inteiro de sua vida. Lembranças que transbordam em seu corpo, acelerando suas batidas  cardíacas.

A lembrança do olhar singelo do filho que lhe deu o último abraço  emocionado e lhe desejou o melhor nesta grande competição em  que ele agora iria participar.

Da filha um beijo carinhoso de eterna gratidão, acompanhado por lágrimas que não ressecam com o tempo. Da esposa um sorriso maroto e um piscar de olhos.

Era como se retornasse no tempo em que a viu pela primeira vez e o coração disparou. Ele agora estava pronto para correr por todos, e por si mesmo. Mesmo tendo que competir com outros homens de pernas bem maiores e braços enormes, ele ainda assim sabia do poder de suas passadas, mesmo que tivesse que multiplicá-las para compensar suas pequeninas cochas.     

Sabia que podia compensar sua fragilidade física com a agilidade e rapidez de pensamento. Ilusões provisórias. A fantasia de correr contra o tempo e ser ultrapassado persiste até o  exato instante em que o Corredor relaxa e começa a curtir a viagem.

Já não tem pressa, pois se dá conta que corre sozinho. A ameaça de ficar para trás só aparece quando ele perde momentaneamente sua passada, ou esquece qual é a rota que deve percorrer.

Ao longo desta incessante caminhada, muitas vezes seus pés começam a doer, seus músculos endurecem e o sofrimento se faz presente. Nestes momentos ele é assombrado pela sensação de que seus maiores pesadelos o estão alcançando e que ele deve rapidamente se levantar e acelerar seus movimentos.

Sua mente o arrasta como se estivesse acorrentada e arrastando pedras enormes. Entretanto alguns mensageiros celestiais lhe aparecem pelo caminho e lhe devolvem as lembranças boas e uma garrafa de líquido vital de confiança.

Fotografias do passado são resgatadas e as do futuro se revelam. Assim ele recupera seu foco e novamente dispara em direção à felicidade.

*Por Ronald Guttmann

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