Anorexia nervosa: Fome de Amor e Autonomia

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Anorexia nervosa: Fome de Amor e Autonomia

As causas da anorexia são muitas tanto na área familiar como sociocultural. Situações cotidianas como uma mudança de escola, de cidade ou país, a separação dos pais ou perda de um parente podem provocar anorexia. Assim como acontece com outros transtornos alimentares, abuso ou agressão sexual também podem desencadear o problema.

Na maioria dos casos, a anorexia ocorre pela primeira vez na adolescência. Mas, recentemente, isso vem mudando e até crianças entre nove e 10 anos têm apresentado sintomas de distúrbio alimentar. O problema afeta principalmente as mulheres mais jovens, mas meninos e homens também estão desenvolvendo anorexia.

Esta é uma das poucas doenças psicológicas que podem ser fatais, já que cerca de 10% dos casos resultam em morte. As principais causas são suicídio, em decorrência da depressão, desnutrição e outros fatores associados como a infecção pulmonar e a parada cardíaca. Estresse, problemas de autoestima e conflitos familiares também podem levar à anorexia. Estudos mostram ainda que fatores como predisposição hereditária e genética também podem estar por trás do problema.

1O dicas para os pais ajudarem seus filhos com bulimia e anorexia:

1- Ter alguém na família com anorexia é sempre uma surpresa. Uma notícia que choca e preocupa ao mesmo tempo. Em geral, a primeira reação é procurar uma explicação: por que uma garota ou garoto tão inteligente e esperto desenvolveu esse problema? Depois, a tendência é buscar um culpado. Mas, o ideal é evitar essa atitude. O melhor caminho, sempre, é o diálogo. Converse com a criança sobre a doença e os riscos. Mesmo que no início, ela se recuse a ouvi-lo, seja firme e persista. Quem sofre com a anorexia, frequentemente,  argumenta de forma semelhante às pessoas com problemas de alcoolismo e abuso de drogas. Os pais só poderão ajudar seus filhos se agirem de forma consistente e clara em relação ao distúrbio alimentar.

2- Pense que o problema não é só da criança ou do jovem, mas de toda a família e que todos devem buscar ajuda juntos. E lembre-se de que quando seu filho começar a se abrir e falar sobre a doença, este é um sinal de que ele já está no caminho para aceitar ajuda.

3- Lembre-se de que essa é uma oportunidade de aprendizagem e crescimento pessoal. Uma chance de repensar sua vida familiar e seu papel, e deixar de lado a ideia de que seu filho precisa ganhar peso primeiro para ficar bem.

4- Descubra quais são os sintomas e converse com seu filho sobre isso. Seja equilibrado e não se deixe levar pelas tentativas dele de negar o problema. Não banalize a doença, mas não dramatize a situação. Geralmente, demora algum tempo para atingir um baixo peso com risco de vida. Mas fique atento, pois abaixo de 40 quilos, o risco já é muito grande. Solicite visitas regulares ao médico mas, não tente interferir no tratamento e atrapalhar a relação de confiança entre o médico e o paciente.

5- Coma separadamente, se você achar que a situação é insuportável e que não consegue mais comer relaxado. Evite que seu filho esteja constantemente na cozinha e cozinhando para os outros. Explique, claramente, o porquê de sua atitude e, em seguida, aja de forma coerente.

6- Não se deixe envolver em discussões sobre comida e peso corporal. Deixe claro que a responsabilidade é dele. Qualquer coisa que você dissesse estaria errada de qualquer maneira. Ponha limitações até que ponto você quer falar sobre o comportamento dele e sobre a doença.

7- Certifique-se de que você está realmente pronto para uma conversa, tanto fisicamente quanto mentalmente. Determine as condições da conversa. Seja autêntico consigo e com seu filho. Não tome atitudes que não sejam compatíveis com os seus sentimentos. Diga o que sente e pensa, fale sobre seus medos e preocupações. Também deixe claro que você buscará ajuda de médicos especialistas.

8- Tanto o pai quanto a mãe devem falar diretamente com o filho sobre o problema. Nenhum dos dois deve ficar sozinho como responsável pela situação. Dividir as responsabilidades e colocar limitações faz parte da cura.

9- Não tome o problema de seu filho como se fosse seu. Você pode se sentir bem mesmo se seu filho não estiver. Cuide da sua saúde e bem-estar, pois será muto pior se você adoecer ou ficar psicologicamente afetado.

10- Faça algo para si mesmo, encontre-se com amigos, crie espaço livre para recarregar suas baterias. Parece paradoxal você se divertir em uma situação em que seu filho parece tão indefeso e necessitado. Mas esta é a única maneira que você pode realmente conseguir alguma coisa e recarregar suas energias.

A anorexia é muito forte e poderosa. Controlar a fome envolve muita disciplina e maestria. A fraqueza de quem sofre com essa doença é a incapacidade de fazer algo de bom para si e de negar suas próprias necessidades. Também é importante que os pais não falem constantemente de forma crítica ou pejorativa sobre o comportamento alimentar e sobre o jovem ou a criança que está sofrendo. Ajudá-lo a fortalecer a autoestima e a autoconfiança e encorajá-lo a rever seu ideal de beleza e os padrões estéticos impostos pela mídia também  ajuda muito.