Bullying e as crianças com necessidades especiais

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Em pauta há pouco tempo na sociedade, o bullying sempre foi motivo de preocupação nas escolas. Com a prática da inclusão alunos com necessidades especiais podem se tornar alvos de colegas com más intenções. Isso pode acontecer de maneiras distintas, tanto através de uma curiosidade natural e às vezes exagerada, na forma de leves provocações ou intimidação propriamente dita.

Ainda estamos aprendendo a conviver com as diferenças, para as crianças que têm como espelho o comportamento da família, se entrosar com pessoas que sejam distintas do que elas assumem como certo pode ser muito difícil. No caso de uma família que seja intolerante ou que trate com desdém assuntos sociais, isso poderá refletir no comportamento de seus filhos na escola. Deste entendimento surge o primeiro passo para ajudar seu filho com o bullying: ele precisa estar ciente de que o problema não é com ele, mas com a outra criança, que está agindo de maneira inadequada.

Antes disso é preciso que se identifique o problema, se ele existir. É muito difícil que uma vítima se exponha voluntariamente, ela se sente humilhada e por diversas vezes interioriza o papel de “diferente” aceitando dolorosamente sua condição de violentada. É preciso levar a sério qualquer sinal de que o bullying esteja acontecendo, seja através da fala, do comportamento, da estima ou de sinais físicos. A vítima deixa pistas que precisam ser interpretadas e analisadas, o que pode parecer mero desentendimento entre colegas pode ser algo mais grave que vai afetar o desenvolvimento social e escolar de seu filho.

Em todo caso, seja franco consigo mesmo, saiba que a sua instabilidade com o diagnóstico de seu filho pode afetar a autoestima dele. Se você próprio externaliza que ele é diferente dos demais de uma forma negativa a criança tem grandes chances de considerar-se inferior. É importante que estima seja cultivada, se a criança ter uma autoimagem positiva será mais fácil de ela passar por cima das implicâncias.

Também instrua seu filho sobre o significado da amizade. Todos nós queremos fazer parte de um grupo. Queremos e precisamos. Para a criança, mesmo estando sofrendo violência de pessoas específicas, ela pode querer se aproximar ainda mais delas. Esteja conectado com os colegas de seus filhos, convide-os para irem a sua casa, faça atividades em que possa ver como eles se comportam. Os detalhes como o tom de voz, os trejeitos, e as formas de brincadeira podem revelar que algumas companhias não são tão desejáveis.

É o fortalecimento da estima de seu filho que vai definir muito de seu convívio social. Para que isso ocorra de maneira mais natural e sadia é preciso reconhecer que ele tem o direito de saber o máximo sobre as suas diferenças em todos os contextos em que está envolvido. Isso o tornará mais consciente de duas necessidades, ficando mais claro quais os meios a serem utilizados no convívio. É bom lembrá-lo que ele não é um único diferente, mas todos são distintos uns dos outros.

As necessidades ou diferenças físicas ou cognitivas de seu filho são uma parte menor do que ele é, e ele precisa estar ciente disto e ser apoiado para pensar assim. Nenhum ser humano pode ser perfeito e talvez o que mais possa nos aproximar da perfeição é o reconhecimento e desenvolvimento consciente de estratégias para utilizarmos a nossa singularidade em relação ao outro, assim, nos aprimorarmos cada vez mais.