CEO da Vittude: “Ganhei uma demissão de presente de aniversário”

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CEO da Vittude: “Ganhei uma demissão de presente de aniversário”

CEO da Vittude: “Ganhei uma demissão de presente de aniversário”. 04/08/2015, data em que seria demitida da maneira mais lamentável da minha carreira. Dias antes, estava no carro voltando de uma visita a um cliente importante. Meu chefe me ligou e comunicou sobre uma reunião emergencial.

Questionei se precisava preparar algum material. “Não, Tatiana“. A essa altura eu já sabia que deveria me preocupar. Confiei no meu sexto sentido. Um dos vendedores do meu time estava comigo e perguntou o que havia acontecido. Respondi em câmera lenta: “Acho que serei demitida”. Ele morreu de rir e falou enfático, quase como uma ordem: “Deixa de ser paranóica! Você é a melhor gerente desta empresa!“.

Cheguei em casa e rapidamente troquei de roupa, calcei o tênis e fui correr no Parque Ibirapuera, em São Paulo. Lá eu conseguia colocar qualquer pensamento desenfreado em ordem. Depois de 3 anos de psicoterapia, já compreendia que alguns sentimentos favoreciam treinos de tiro. Era disso que eu precisava: chegar no limiar da dor física causada pelo excesso de esforço na corrida.

Próximos passos

Tomei um banho quente, abri a adega e escolhi um vinho. Decidi separar a sexta para me preparar e aceitar o anúncio de forma madura. A empresa estava passando por uma crise e depois de encerrar o contrato de vários membros, chegava minha hora.

Na segunda-feira cheguei à empresa às 7h30, bastante ansiosa. Meu chefe me encaminhou até sua sala. Ele mal olhou para mim, estendeu uma carta impressa com o aviso prévio e deu poucas explicações. A postura dele era tão bizarra que apenas agradeci e entreguei a folha de volta. Arrisco dizer que foi o pior comportamento que já vi de um líder. Para que pensar no colaborador?

O pior estava por vir

Horas depois do meu desligamento, descobri que meu pai estava com câncer. Os planos de recolocação caíram por terra. Ele sempre foi meu porto seguro e perdê-lo seria algo incapacitante. Faltavam apenas dois dias para o meu aniversário. Que baita presente! No dia seguinte corri com a demissão e voei para a casa dos meus pais no Mato Grosso do Sul. Pousei em Corumbá no Dia dos Pais e sai correndo da aeronave: precisava abraçar meu pai.

Os meses seguintes contribuíram muito para o meu amadurecimento. O tratamento dele foi um sucesso! Era o momento de retomar as rédeas da minha vida profissional.

O recomeço: viva a liberdade!

Minha demissão foi um presente de aniversário, já que tive o privilégio de focar somente no meu pai. Essa experiência dolorosa me fez notar gaps no sistema de saúde. Me dei conta que os serviços médicos prestados no Brasil podiam ser muito melhores. Comecei a buscar conhecimento e cheguei a ler mais de 100 livros em 20 meses. Era isso: iria empreender na área de saúde.

O próximo passo foi encontrar um sócio. Pensei em vários amigos, mas um em especial me conquistou: o Everton. Nos conhecemos em um bar e sempre fiquei admirada com sua rapidez de raciocínio. Ele era a pessoa certa!

O nascimento da Vittude

Ele aceitou meu convite em dezembro. Ainda me surpreendo com nossa capacidade mútua de aprender a aprender desde o nascimento da Vittude, em maio de 2016. Lifelong learning é um de nossos principais valores.

Ser demitida foi o que eu precisava para voar, desabrochar, arriscar fundar minha empresa, com a minha cultura e meus valores. Cinco anos depois percebo quantas coisas mudaram. Foram mais de 2 anos sem nenhuma remuneração financeira. Minha conta bancária diminuía e entrava no vermelho. Só quem empreende no Brasil sabe a sensação de perder o sono com medo do caixa acabar.

Mas também não dá para deixar de lembrar das alegrias, do avanço, dos novos membros, investidores, clientes e conquistas. Lembro de cada contrato de investimento assinado com muita alegria. Serei eternamente grata à Vetor Editora, Ssy Tecnologia, Superjobs Vc e Redpoint Eventures por acreditarem no trabalho desenvolvido por nós.

Tatiana Pimenta – CEO e fundadora da Vittude

Tinha uma pandemia no meio do caminho…

Quem poderia prever uma pandemia em 2020? Uma crise sanitária que alcançaria o globo e nos colocaria dentro de casa por 5 meses. Período no qual, apesar de toda dificuldade, a receita da Vittude quintuplicou e nossa equipe cresceu de tamanho 4x.

Não fosse aquela demissão, eu não estaria aqui hoje. Talvez tudo tivesse sido bem diferente e eu continuasse acomodada no conforto que a CLT proporciona. A gente aceita cada coisa por medo do desemprego.

Por estes e outros caminhos escritos certos por linhas tortas é que serei eternamente grata ao grande presente de aniversário que recebi em 2015: a minha demissão. Moral da história: nunca se assuste ou tenha medo de presentes esquisitos recebidos da vida!

*Fonte: Tatiana Pimenta é CEO e fundadora da Vittude

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