Cientistas americanos desenvolvem possível tratamento definitivo para endometriose

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Técnica é a primeira a criar células uterinas saudáveis a partir de um tipo específico de células-tronco

Segundo a Sociedade Brasileira de Endometriose e Ginecologia (SBE), cerca de seis milhões de mulheres sofrem de endometriose no país. Elas convivem com dores lombares e no abdômen, ciclos menstruais irregulares e, muitas vezes, infertilidade. A endometriose é uma condição na qual o endométrio – mucosa que reveste a parede interna do útero – se aloja em locais ectópicos,podendo ser nos ovários, no intestino, na bexiga, no reto ou até mesmo no peritônio (tecido que recobre os órgãos abdominais). O distúrbio é bem comum e, na maioria das vezes, é diagnosticado entre os 25 e 35 anos, podendo ocorrer de geração para geração.

O endométrio é o ambiente em que óvulo depois de ser fertilizado pode se implantar. Quando não ocorre a implantação, a maior parte do endométrio é eliminada durante a menstruação, e volta a crescer conforme novo estímulo hormonal e o processo se repete a cada novo ciclo menstrual. A endometriose acontece quando essas células do endométrio não são expelidas e migram no sentido oposto, e se implantam em outras partes do corpo da mulher. Conforme a descamação das células do endométrio ocorre, os focos ectópicos sangram também, causando um processo inflamatório aderencial, o que gera dor, mudança da arquitetura da pelve e consequentemente infertilidade.

Até então, os tratamentos conhecidos e recomendados pelos médicos são a suspensão da menstruação ou a remoção cirúrgica dos focos de endometriose e lesões que distorcem a arquitetura da pelve e provocam dor pélvica crônica. “O tratamento adequado depende do grau de avanço da doença, sintomatologia, idade da mulher e desejo reprodutivo”, afirma a Drª Karla Zacharias, médica ginecologista, obstetra e especialista em reprodução humana da Huntington Medicina Reprodutiva.

Em busca de novos tratamentos para endometriose e outras doenças relacionadas à infertilidade feminina, pesquisadores americanos da Universidade de North Western nos Estados Unidos descobriram uma maneira de reprogramar um tipo de células-tronco. Os cientistas conseguiram fazer com que células-tronco pluripotente induzidas se transformassem em células uterinas saudáveis a partir de processos hormonais. Dessa maneira, as células endometriais normais podem, então, ser inseridas na cavidade uterina para substituir as células defeituosas e tratar definitivamente a doença. Essa descoberta também é muito positiva para mulheres que tem resistência à progesterona – hormônio feminino que inibe as células da endometriose –, pois quando existe essa limitação, essas células continuam crescendo e o tratamento hormonal não é efetivo. Esse estudo foi publicado na revista científica Stem Cell Reports.
“A endometriose é uma das causas mais comuns de infertilidade. Esse estudo é promissor para a evolução dos tratamentos e também para ajudar as mulheres que sofrem da doença a saberem que existe uma chance de melhora importante e controle da doença e que elas podem pensar e planejar a maternidade”, finaliza Drª Karla Zacharias.

Sobre a Huntington Medicina Reprodutiva

A Huntington Medicina Reprodutiva é uma clínica especializada em reprodução assistida e faz parte do Grupo Eugin, que está presente na América Latina e Europa. A Huntington conta com médicos especialistas em reprodução assistida, prevenção e tratamento da fertilidade vinculados a instituições de ensino e pesquisa no Brasil, Estados Unidos e Europa. Sob a direção dos Drs. Paulo Serafini e Eduardo Motta, oferece medicina ética, transparente e de qualidade. Com localizações estratégicas, as unidades de atendimento da Huntington estão na cidade de São Paulo e Campinas, oferecendo ao paciente instalações e infraestrutura adequadas para a prestação dos procedimentos realizados.