Como driblar o medo e a ansiedade no esporte

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A derrota para um atleta pode vir antes mesmo do apito final. E não são apenas os adversários que podem tirá-lo da disputa. As lesões são as principais inimigas dos esportistas. Um verdadeiro pesadelo também para os treinadores. O dano, geralmente, é físico e psicológico. O estresse deixa marcas no cérebro emocional (sistema
límbico). E fica o medo constante de dar o melhor de si mas acabar sofrendo novas lesões (medo do medo).

Uma pessoa entra em um estado de estresse quando a existe um conflito entre o seu desenvolvimento e as exigências e desafios da competição. A perda da auto-estima e o medo andam lado a lado e dificultam o desenvolvimento do atleta em um momento chave da competição. Por um lado, o medo é uma reação natural da mente aos perigos e é responsável por preparar o corpo para reagir a uma ameaça: fuga ou luta. É um instinto primitivo e uma resposta natural protetora do nosso corpo.

Durante uma competição esportiva, as reações psicológicas e físicas são semelhantes. Entram em campo o ego e a auto-estima do atleta que se preparam para o desafio. Mas caso ele já tenha sofrido uma lesão, certamente, terá que lidar com a ansiedade e o medo de se machucar novamente. E isso gera frustração, não só no atleta, mas no
treinador e na torcida também, que esperam que o competidor tenha um desempenho impecável.

Assim, ele entra em um ciclo vicioso já que o medo e a ansiedade comprometem o seu desempenho e, então, ele é criticado, gerando insegurança e mais medo e ansiedade. Isso pode arruinar a carreira de um atleta. Por isso, tão importante quanto o treinamento físico é a preparação mental para enfrentar todas as fontes de estresse:
adversários mais fortes, pressão e agressividade da torcida, além das diferenças culturais e mudanças de clima que o atleta enfrenta a cada competição ao redor do mundo.

Mas esta também é uma grande oportunidade para o desenvolvimento pessoal do atleta. Uma chance de superação emocional. Isso porque o estresse tem um lado positivo e leva o atleta superar suas limitações para alcançar seus objetivos.

Quanto maior a competição, maior é o desafio. Na Copa de 2014, quando o Brasil perdeu de 7 a 1 para a Alemanha ficou evidente o despreparo psicológico da nossa seleção. A torcida colocou toda sua esperança em um único jogador e não na equipe como um todo. Esta expectativa gerou muito estresse e insegurança nos jogadores o que nos levou à derrota, pois o desequilíbrio emocional comprometeu o desempenho físico e tático.

Por isso, é tão importante estar atento aos sinais de manifestação de medo e ansiedades como: aumento da frequência cardíaca, respiração acelerada, dificuldade de concentração, esquecimento e constante insatisfação consigo mesmo e incapacidade de executar instruções.

Algumas dicas para controlar melhor seus medos e ansiedades:
1- Antes do primeiro treino mentalize a situação e os resultados que você quer alcançar.
2- Aceite ajuda profissional, não tenha vergonha disto. Treinamento mental é hoje usado em todos os esportes e ajudará você a lidar com a ansiedade e medos.
3- Encare logo a situação pois quanto mais você tenta evitá-la mais seus medos vão aumentar.
4- Aprenda a aceitar e reconhecer o que te causa medos, faça uma lista de todos eles e defina a intensidade de
cada um. Reconhecendo e aceitando os medos fica mais fácil encontrar estratégias para vencê-los.
5- Tente interpretar os medos de forma realista e não fique prevendo de forma exagerada cada a situação ruim
que pode acontecer, como cair ou colidir com outro atleta.
6- Use técnicas de relaxamento e exercícios respiratórios.
7- Se você tem tendência a ver as coisas de forma pessimista aprenda a buscar o lado positivo da situação.
8- Imagine a situação que lhe causa medo e tente enxergá-la de forma positiva. Quanto mais pensamentos negativos maior a chance de fracasso.

O principal objetivo do treinamento de alta performance é recuperar seu alto rendimento no esporte e reduzir medos, estresse e ansiedade.

Francisca de Lima é psicoterapeuta e Coach- mental para atletas- vive em Hamburg, Alemanha.