Como se comportar diante das oscilações?

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Por Tiago Reis, CEO da casa de análise financeira Suno Research

As oscilações do mercado são inevitáveis quando se trata de investimentos, tanto a longo prazo, quanto a curto prazo. Entretanto, os efeitos devem ser percebidos de uma forma mais significativa a longo prazo. Sendo assim, nós, adeptos ao Investimento em Valor (do inglês, Value Investing) devemos estar preparados para tais situações tanto financeiramente, quanto psicologicamente.

Para o influente economista americano Benjamin Graham, um investidor despreparado, ao experienciar as oscilações do mercado, poderá cair na tentação de realizar especulações, numa tentativa de antecipar o comportamento do mercado. Essa atitude, definitivamente, coloca em risco seu capital. Enquanto isso, o investidor inteligente sabe quando está especulando e limita sua quantia de risco, separando-a de seus investimentos.

Além disso, a falta de experiência também leva a busca por caminhos arriscados, como a automatização de investimentos. O problema de tais métodos é que são baseados na observação de padrões no histórico do mercado. Entretanto, o grande “xis” da questão é entender que a popularização destes mecanismos diminuiu sua confiabilidade, uma vez que isso já basta para exercer influência no comportamento do mercado. Não obstante, novas condições também surgem com o tempo.

Basta pensar da seguinte forma: muitas pessoas utilizando estes métodos automatizados, farão movimentações similares no mercado ao mesmo tempo e, quanto maior for a popularidade do mecanismo, maior o aumento de ofertas ou de demandas para a mesma negociação, gerando flutuações que não condizem com os padrões históricos usados no embasamento.

É necessário, portanto, agir com cautela diante das flutuações, buscando tirar proveito delas por meio de abordagens como “compre na baixa e venda na alta”. Para isso, deve-se agir após observar o mercado, não tentando antecipá-lo, pois isso configura especulação. Deste modo, o “investidor astuto” – como Graham chama – compra quando todos estão vendendo, e vende quando todos estão comprando. Para isso, o investidor deve saber reconhecer as fases do mercado, habilidade esta que há de ser alcançada por meio de estudos e experiências em investimentos ao longo dos anos, aprendendo com erros e acertos.

Por fim, o investidor deve apenas observar as oscilações do mercado para ficar atento às oportunidades de compra atreladas às flutuações, isto é, quando os preços caem bastante; bem como às oportunidades de venda, quando os preços aumentam demasiadamente. Benjamin Graham ressalta que, geralmente, não é uma boa ideia comprar uma ação imediatamente em seguida a uma subida substancial, nem vendê-la imediatamente após uma queda brusca. No restante dos momentos, o comportamento mais sensato é esquecer o mercado acionário e ter o foco voltado para os retornos e resultados.

A grande lição é que precisamos entender que devemos nos preocupar apenas com o que pode ser controlado pelo investidor: custos de corretagem e outras taxas, expectativas, riscos, impostos e, por último, mas não menos importante, o próprio comportamento.

Sobre Tiago Reis
Formado em administração de empresas pela Fundação Getúlio Vargas, Tiago Reis é Fundador e CEO da Suno Research, consultoria de análise financeira voltada para investidores individuais. Analista de Investimentos com certificação da CNPI (Certificação Nacional dos Profissionais de Investimento), Tiago iniciou sua carreira na Set Investimentos e é especialista em assuntos como mercado financeiro, bolsa de valores, investimentos, fraudes corporativas e finanças corporativa.

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