Comportamento: a relação perigosa do narcisismo e a política

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Somos cada vez mais individualistas. E isso traz benefícios para a vida em sociedade ao gratificar a autonomia e incentivar a inovação. Mas, o individualismo tem seu lado negativo: o narcisismo. São pessoas egoístas, arrogantes, que não sentem empatia e, muitas vezes, são imprudentes em relação ao outro. Em geral, o narcisismo está ligado a problemas de autoestima e compromete a qualidade de vida e a interação social. Até certo ponto, esse comportamento é considerado normal. 

A combinação de narcisismo e política, porém, pode ser perigosa. Principalmente, quando se trata de um narcisista patológico. São indivíduos que projetam uma imagem exageradamente positiva de si mesmos, esperam ser admirados e constantemente elogiados por todos a sua volta. Eles não se importam com as necessidades dos outros e não se preocupam com o bem-estar de seus pares, tanto na vida pessoal quanto na profissional.

Não é difícil reconhecê-los: são egocêntricos e fazem questão de exaltar seu brilhantismo e sua competência. Atraentes, eles querem ser endeusados. Mas, por trás das demonstrações de confiança, se esconde a baixa autoestima. Na verdade, esses indivíduos não acreditam que sejam interessantes e bons o suficiente. Para suprimir esse sentimento, buscam ídolos no esporte, na política ou em astros e estrelas da música e do cinema. No fundo, é só uma forma de se sentirem importantes e valorizados. E, por isso, o narcisista também pode ser vítima de outros narcisistas.

Em época de eleições, pessoas com distúrbio narcisista são alvos fáceis para candidatos que prometem feitos extraordinários, fazem questão de demonstrar força e uma capacidade fora do comum para resolver as mazelas da população. Eles apresentam soluções simplistas para questões complexas e se aproveitam da desilusão e da falta de perspectiva de muitas pessoas. Este tipo de político se apresenta como um herói, o único capaz de salvar a nação, quando, na realidade, está tirando proveito de eleitores mais vulneráveis para chegar ao poder e usá-lo, apenas, em benefício próprio.

Francisca de Lima é psicoterapeuta e coach-mental e vive na Alemanha.

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