Corrupção e baixo suporte social derrubam Brasil no Ranking da Felicidade

Ranking da Felicidade

Especialista brasileira em psicologia positiva analisa o ranking da felicidade e explica fatores que influenciam nos resultados

O brasileiro está mais infeliz. Isso é o que mostra a 7ª edição do World Happiness Report, estudo popularmente chamado de “ranking da felicidade”, divulgado na sede da ONU (Organização das Nações Unidas), em Nova York, no dia 20 de março.

Em 2018, o país ocupava a 28a posição global de um total de 156 países analisados. Hoje, está no 32o lugar –a pior posição que já ocupamos desde que o ranking da felicidade foi criado. O Entre 2016 e 2019, a queda foi ainda mais significativa: o país despencou 15 posições.

Os itens que mais contribuíram para essa queda foram a diminuição da generosidade e a diminuição da percepção da corrupção, bem como o baixo suporte social de parentes e amigos em situações difíceis.

Em termos de generosidade, Brasil está atrás de Bósnia, Irã e Kosovo, países que vivem grandes conflitos internos e externos.

“A primeira análise que é feita, especialmente pela mídia geral, é a numérica, que relaciona a queda ou a subida com fatos públicos negativos ou positivos respectivamente. No entanto, o estudo nos dá um material mais rico para analisarmos de forma não tão imediata questões culturais, sociais de nações que enfrentam desafios há décadas”, pondera Flora Victoria, mestre em Psicologia Positiva Aplicada pela Universidade da Pensilvânia, que acompanhou a divulgação na sede da ONU.

Eleita embaixadora da felicidade no Brasil pelo congresso mundial Wohasu (World Happiness Summitt), Flora também joga luz sobre um tema ainda pouco debatido no Brasil. “A felicidade pessoal é um capital público. Muitas nações entenderam isso e já praticam políticas nesse sentido. A satisfação, a percepção de realização pessoal das pessoas impacta diretamente na economia e no desenvolvimento de um país.

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Sem minimizar questões importantes como violência, corrupção, desigualdade social e pobreza, Flora adverte para descobertas científicas dos elementos que compõem a felicidade.

“Fatores externos e genéticos somados representam cerca de 55% do que popularmente chamamos felicidade. Os outros 45% são determinados pela forma como enxergamos o mundo. Por exemplo: como explicar uma pessoa paupérrima feliz e um milionário em depressão? Uma das respostas é que pessoas gratas são mais felizes. Elas entendem o que conquistam na vida como um presente, por menor que seja”.

Elementos como confiança, propósito, fé e generosidade são outros fatores que alteram a felicidade de uma pessoa e de uma nação.

O Brasil no ranking da felicidade

Na primeira posição, pelo segundo ano consecutivo, está a Finlândia. Em último lugar está o Sudão do Sul. O Brasil aparece em 32º lugar entre os países mais felizes do mundo, uma queda de quatro posições em relação ao relatório do ano passado.

Nota-se que a felicidade no Brasil, em alguns aspectos, não está tão diferente da Venezuela. Em relação ao suporte social, a diferença entre os dois países é de menos de um ponto percentual. Já a sensação de liberdade dos brasileiros é mais do que o dobro da dos venezuelanos. Entretanto, somos mais generosos do que nossos vizinhos, porém estamos atrás de Bósnia, Irã e Kosovo, países com grandes conflitos internos e externos.

A pesquisa é feita com base em seis critérios: PIB per capita, em termos de paridade de poder de compra; expectativa de vida saudável; apoio social (medido com base na pergunta: “Se você estiver em dificuldades, você tem parentes ou amigos com os quais pode contar, quer você precise deles ou não?”); liberdade para fazer escolhas de vida; generosidade (medida com base na pergunta “Você doou dinheiro a alguma instituição de caridade no mês passado?”); e percepção da corrupção.

A felicidade como capital público

O Ranking Mundial da Felicidade é considerado um divisor de águas de uma era, na qual a felicidade e o bem-estar estão se tornando cada vez mais objeto de discussão e estudo entre as nações do mundo.

A esperança é parte essencial da felicidade. Ela nos permite ter uma visão positiva mesmo em momentos ruins. Outro fator importante para a felicidade é o senso de propósito, de sentir que faz diferença no mundo ao seu redor, segundo pesquisas.

A generosidade também vendo sendo estudada como parte essencial para a felicidade. Estudos comprovam que se pratica um ato de generosidade os níveis de satisfação aumentam.

Quando as pessoas sentem que podem escolher, se sentem livres para fazer aquilo que as faz bem. Estabelecer conexões verdadeiras e criar laços sociais também é parte importante para a realização pessoal e diretamente ligado ao nível de felicidade da população.

O exemplo da Costa Rica

A Costa Rica está em 12º no ranking da felicidade. Isso se deve a alguns fatores importantes: o país investe mais de 10% do PIB em saúde, e 8% em educação. Desde meados do século 20, todos os habitantes têm acesso saúde pública, e a educação é gratuita e obrigatória até o ensino médio. O bem estar da população é um imperativo de governo.

Outro fator importante para a ascensão da costa Rica no ranking é o cuidado com a saúde mental da população em geral e o bem-estar dos idosos.

Um fator em comum em nações que elevaram seus níveis de felicidade é a confiança em seus governantes e nos serviços públicos, o que gera uma aura de calma e tranquilidade, juntamente com o sentimento de “importância” e pertencimento, o que estabelece conexões sociais verdadeiras.

Baixe o report completo em: http://worldhappiness.report