Dengue: como as crianças podem gerenciar riscos e construir o futuro

Dengue: como as crianças podem gerenciar riscos e construir o futuro

Dengue: como as crianças podem gerenciar riscos e construir o futuro

Dengue: como as crianças podem gerenciar riscos e construir o futuro. É fato conhecido há muito tempo que a educação continuada é a melhor forma de induzir e manter mudanças comportamentais desejáveis.

É também amplamente aceito que, quanto mais cedo essas atividades ocorrem na vida dos indivíduos, mais firmes e permanentes as mudanças comportamentais desejadas se consolidam e perpetuam no cotidiano da sociedade. Para mencionar apenas alguns exemplos, lembremos das campanhas de prevenção ao fumo e de educação no trânsito conduzidas nos países desenvolvidos.

O Brasil convive com epidemias recorrentes e com número crescente de casos de dengue há quase 40 anos, desde a reintrodução da doença no país, no início dos anos 1980

Quando inúmeras campanhas de esclarecimento foram divulgadas pelo governo, ensinando a população sobre Aedes Aegypti, risco de dengue e medidas necessárias para controle do vetor, sempre se mostrou nas peças publicitárias a importância do envolvimento populacional nas medidas de controle deste mosquito.

No entanto, essa ênfase não gerou resultados comportamentais práticos nas vidas das pessoas. Não são todos que estão abertos à mudanças. Mudar é um verbo difícil de ser conjugado. É muito mais produtivo educar crianças.

Infelizmente, até hoje, decorridos 40 anos da existência da doença em nosso meio e, mesmo com o advento de novos agravos como chikungunya e Zika, a mudança comportamental esperada não se fixou na população.

Por isso, é imprescindível a educação infantil sobre o Aedes Aegypti, doenças por ele transmitidas e medidas de controle necessárias. Educação infantil é a forma mais eficiente de provocar mudanças comportamentais na sociedade, não apenas pela fixação nas crianças, mas, também e principalmente, pelo exemplo e cobrança que elas exercem na população adulta.

A Unifesp e a FapUnifesp (Fundação de Apoio à Universidade Federal de São Paulo), em parceria com profissionais genuinamente engajados na educação de crianças do Fundamental I e II, articulou um projeto sistemático de educação infantil para instigar a força do agente de gestão de risco e de construção do futuro nas crianças.

O sucesso no controle do Aedes Aegypti e das doenças por ele transmitidas é um pilar importante para o futuro de milhões de crianças e adultos

Desenvolver um programa de educação infantil com material e ações inovadoras de ótima qualidade técnica e científica é, de longe, uma das melhores iniciativas de educação populacional já feita no Brasil nessas décadas de epidemias de dengue.

O futuro começa a ser construído hoje, com ações firmes e transformadoras. Riscos negligenciados hoje serão dor e sofrimento amanhã. Portanto, tem todo sentido civilizatório as crianças serem agentes proativos de gestão de risco e de construção do futuro.

Afinal, o futuro é delas, assim como todas as consequências das negligências e omissões do presente. Não temos tempo a perder. Políticas públicas brasileiras gastaram muito dinheiro e tempo. Várias com resultados aquém do aceitável.

Urge acharmos soluções producentes e velozes. Esse é o foco e pilar do projeto.

Por Marcelo Nascimento Burattini, médico infectologista, professor da Unifesp e Fmusp e consultor do Programa Nacional de Controle das Doenças Transmitidas por Aedes Aegypti desde 1986

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