Dia Internacional da Mulher: igualdade é essencial para a construção de um mundo melhor

Dia Internacional da Mulher

Organização das Nações Unidas destaca importância do empoderamento feminino e da igualdade de gênero para o progresso global

O 8 de março não é dia de distribuir flores nem elogiar a beleza, a força e a feminilidade da mulher. O Dia Internacional da Mulher foi, e continua sendo, um dia de luta por igualdade de gênero e empoderamento feminino.

Seria de se esperar que, nas últimas décadas, tivéssemos conseguido algum avanço nessa área, mas um relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT), divulgado nesta quinta-feira, mostrou que as disparidades profissionais entre homens e mulheres praticamente não diminuíram nos últimos 25 anos: a queda foi de menos de dois pontos percentuais.

E essa situação só irá mudar quando os homens assumirem mais tarefas domésticas, afirmou a ONU nesta quinta-feira, véspera do Dia Internacional da Mulher. “Nos últimos 20 anos, o tempo gasto pelas mulheres em cuidados com os filhos e trabalhos domésticos não remunerados praticamente não diminuiu, enquanto para os homens aumentou apenas oito minutos por dia”, diz Manuela Tomei, diretora do Departamento de Condições Trabalhista e Igualdade da OIT.

Nesse ritmo, “serão necessários mais de 200 anos para alcançar a igualdade de tempo dedicado às atividades (domésticas) não remuneradas”, completa. De acordo com o relatório, 647 milhões de mulheres em idade economicamente ativa (21,7%) prestam serviços domésticos gratuitos e em tempo integral. Esse número sobe para 60% em alguns países árabes.

A diferença salarial também não mudou nas últimas décadas, e está estabilizada em 20% – em países como Paquistão e Arábia Saudita, chega a ser o dobro.

No Brasil, a situação é grave. O estudo do IBGE “Estatísticas de gênero: indicadores sociais das mulheres no Brasil”, de 2018, mostoru que as mulheres brasileiras estudam mais, ganham menos e passam mais tempo ocupadas com tarefas domésticas do que os homens.

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Em 2016, 21,5% das mulheres de 25 a 44 anos de idade concluíram o ensino superior, contra 15,6% dos homens na mesma faixa etária, mas o rendimento delas equivalia a cerca de três quartos da renda masculina.

Enquanto a média de rendimento dos homens foi de R$ 2.306, o das mulheres foi de R$ 1.764. Ou seja, em média, as mulheres recebem 76,5% do montante recebido pelos homens. Elas estudam, trabalham fora, e ainda passam cerca de 73% a mais do tempo cuidando da casa e dos filhos do que os homens.

E quanto maior a escolaridade, maior a desigualdade. O diferencial de rendimentos é maior na categoria ensino superior completo ou mais, na qual o rendimento das mulheres equivalia a 63,4% do que os homens recebiam, em 2016.

Questão de justiça – e de economia

A participação igualitária das mulheres na força de trabalho liberaria trilhões de dólares para o desenvolvimento global, de acordo com a vice-secretária-feral da ONU, Amina J. Mohammed, em mensagem do Dia Internacional da Mulher. “Não podemos construir o futuro que queremos e alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) sem a plena participação das mulheres”, diz Amina.

Para alcançar um mundo mais igualitário, é preciso investir em inovações sociais que funcionem tanto para mulheres quanto para homens, e que não deixem ninguém para trás, de acordo com a estratégia global da ONU. Plataformas de e-learning que levam as salas de aula para mulheres e meninas; centros de cuidados infantis acessíveis e de qualidade; e tecnologia moldada por mulheres, são alguns exemplos da inovação necessária para cumprir o prazo de 2030 estabelecido na Agenda para o Desenvolvimento Sustentável .

“E precisamos de mais mulheres líderes que participem da vida pública e tomem decisões”, sinalizou a presidente da Assembléia Geral, Maria Fernanda Espinosa. Ela faz um chamado para que todos redobrem seus esforços “contra a discriminação e a violência que as mulheres e meninas enfrentam todos os dias”.

“Basta uma crise política, econômica e religiosa para que os direitos das mulheres sejam questionados. Esses direitos não são permanentes. Você terá que se manter vigilante durante toda a sua vida.” Simone de Beauvoir