Doutorando da UFSCar representará o Brasil em competição internacional

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Doutorando da UFSCar representará o Brasil em competição internacional

Concurso avalia capacidade de jovens pesquisadores apresentarem seu trabalho ao público geral, em Inglês

Tiago dos Santos Junior – engenheiro de materiais formado pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), mestre e doutorando no Programa de Pós-Graduação em Ciência e Engenharia de Materiais (PPGCEM) da Universidade – representará o Brasil e a América Latina na final mundial da Young Person’s Lecture Competition (YPLC), competição que valoriza a capacidade de jovens pesquisadores apresentarem seu trabalho oralmente, em Inglês, a um público formado por não especialistas. O estudante venceu a etapa brasileira da competição, cuja final foi realizada em Araxá, Minas Gerais, em maio deste ano. A YPLC é uma realização do instituto inglês IOM3 (The Institute of Materials, Minerals and Mining), concretizada no Brasil com patrocínio da Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM) e da Rolls-Royce.


Na competição, o estudante da UFSCar está realizando a apresentação intitulada “Greener macroporous ceramics for saving energy in high temperature processes” (Cerâmica macroporosa “verde” para a economia de energia em processos em alta temperatura), relacionada ao seu doutorado, que desenvolve junto ao Grupo de Engenharia de Microestrutura de Materiais (GEMM), sob a orientação de Victor Carlos Pandolfelli, docente do Departamento de Engenharia de Materiais (DEMa), e com colaboração de Vânia R. Salvini, docente na Fatec de Sertãozinho, e Otávio H. Borges, mestrando no PPGCEM. No GEMM, os pesquisadores buscam novos materiais refratários para a conservação de calor e, assim, economia de energia na operação de fornos de alta temperatura, pela diminuição do calor perdido para o meio externo.


“Eu busquei contextualizar a relevância dos materiais com os quais trabalhamos. Inicialmente, abordei o modo como os materiais conduzem calor, os requisitos para que a microestrutura de um material resulte em bom isolamento térmico e os desafios enfrentados no desenvolvimento desses materiais, para então contar como vimos atuando no laboratório, que é com as espumas cerâmicas”, descreve o competidor. “Para tanto, eu usei analogias com materiais que são familiares, especialmente o pão, cujo interior tem bolhas de ar e, assim, uma estrutura similar às cerâmicas com as quais trabalhamos”, complementa. “Nós temos investido no desenvolvimento das chamadas espumas ultraestáveis, que permitem a obtenção da geometria desejada antes da sua solidificação para aplicação como isolante térmico”, explica o pesquisador. “A definição de espuma é dada justamente pela presença no material de bolhas de ar, que têm dupla função.
O ar – que em média responde por 80% do volume dessas espumas – é um excelente isolante térmico e, além disso, quando conseguimos controlar o tamanho das bolhas, elas também podem atuar como obstáculo à radiação infravermelha, configurando uma outra forma de impedir a transferência de calor de dentro para fora”, detalha.


Para chegar até a final da etapa brasileira, os participantes inicialmente tiveram de enviar resumos escritos, a partir dos quais foram selecionados os 10 finalistas. Em Araxá, cada pesquisador teve 15 minutos para apresentar o trabalho diante do júri, que contou com a participação de Kate Thornton, Vice-Presidente do IOM3. Agora, o estudante da UFSCar fará a mesma apresentação na final que acontece em Londres, Inglaterra, no dia 10 de outubro, da qual participam outros oito competidores, do próprio Reino Unido, da Malásia, Austrália, Canadá, África do Sul, Singapura, Hong Kong e Rússia.


O representante brasileiro explica que a motivação para participar da competição está intimamente relacionada à sua trajetória educacional. “Eu gosto muito da oportunidade de explicar aquilo que eu faço de uma forma didática. Na verdade, eu gosto e pretendo seguir a carreira docente”, explica o pesquisador do GEMM, associando essa característica pessoal à sua atuação no Curso Pré-Vestibular da UFSCar. No Cursinho, o estudante lecionou Língua Inglesa e, assim, teve a oportunidade de aprimoramento não só do Inglês, mas também da atividade didática. “Não tenho dúvida de que muitas das habilidades que eu usei na competição vieram da formação que eu tive no Cursinho”, avalia Tiago dos Santos Júnior. Esta, no entanto, é uma história que começa vários anos antes, em Itaú de Minas (MG), cidade de pouco mais de 16 mil habitantes na qual o representante da UFSCar na YPLC frequentou “a única escola, pública, em que a pequena comunidade e bons professores permitiram que eu tivesse uma formação inicial sólida de Inglês”. A língua, no entanto, continua sendo o principal desafio, na avaliação do competidor. “Até hoje, apenas falantes de Inglês como primeira língua foram vencedores. Mas eu estou me preparando e sei que será um trabalho bem feito. Ganhando ou não, é uma satisfação muito grande representar a UFSCar e o Brasil”, conclui.

Por CCS-UFSCar

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