Em busca da tal felicidade, por Lilian Schiavo

Em busca da Felicidade

Neste mundo acelerado somos bombardeados diariamente por inúmeros estímulos que nos direcionam para  a busca pelo sucesso financeiro, felicidade e o reconhecimento no mercado de trabalho, fala-se muito em mindset, como se fosse simples, basta girar a chave do seu pensamento e pronto! Você vai conseguir tudo o que deseja! Basta ter um pensamento positivo!

Ledo engano…

Observo que aumentam os casos de depressão em todas as faixas etárias, desde jovens adolescentes até pessoas na maturidade, é como se um peso gigantesco estivesse sobre eles impedindo a comunicação e a realização de tarefas simples como levantar da cama.

E no meio deste universo de pessoas deprimidas existem líderes que definem os caminhos das empresas e também dos seus funcionários, jovens no início de uma faculdade sem ter a certeza que fizeram a escolha certa, recém-formados perdidos sem saber onde trabalhar e profissionais que após alcançarem seus objetivos percebem que falta algo, uma alegria de viver.

Participei de uma maratona de palestras, foram 22 horas de um evento que durou 2 dias e uma das coisas que me chamou a atenção foi uma moça que foi palestrante num outro fórum de negócios e na época ocupava um elevado cargo numa empresa multinacional, lembro do impacto que ela causou, tão jovem e tão bem-sucedida! Dava a impressão de ser uma pessoa sem dúvidas existenciais, uma segurança incrível, um olhar confiante e um discurso firme.

Desta vez, ela subiu ao palco e eu pensei que iria ouvir outra vez o mesmo discurso, mas estava tudo diferente, até o tom de voz tinha mudado, agora era mais doce e compreensivo. Ela contou que saiu da empresa, está à procura de um novo trabalho, mas não vai abrir mão de ter um segundo filho, busca uma empresa que tenha um projeto sustentável, quer viver uma vida real e definida pelos valores em que acredita.

Uma das palavras que mais ouvi nestes dois dias foi protagonismo, ser responsável por suas escolhas e consequências, ser respeitada por isso, ter uma voz que é ouvida e uma vida com propósito.

Ouvi um CEO falar sobre a importância da diversidade e como a empresa difunde o conceito de respeito social, todos devem ser autênticos dentro e fora do local de trabalho, é você sendo você mesmo durante as 24 horas do dia, sem necessidade de vestir uma máscara. Ele disse que diversidade é um bom negócio para a empresa, é o reflexo do mundo que vivemos.

Assisti a apresentação de dados sobre a igualdade de gênero, diferenças nos salários, o conhecido teto de vidro que impede algumas mulheres de ocuparem cargos de liderança, a curva de carreira feminina em U invertido que demonstra que por estudarem mais elas sobem na vida profissional em menos tempo, mas com a chegada da maternidade essa escalada fica desigual e os homens acabam atingindo o topo mais facilmente.

Ouvi que as mulheres precisam ocupar mais espaços em áreas como engenharia, tecnologia, matemática e ciências, já sabemos que existem polarizações de profissões, ou seja, é fácil encontrar mulheres em RH, trabalhando como enfermeiras e mais raro encontrar caminhoneiras na estrada, até aqui está óbvio.

Quantas vezes já vimos palestras que mostram as mulheres com multiplicidade de papéis como se isso fosse normal? Se você procurar imagem de mães empreendedoras, provavelmente vai encontrar a foto de uma mulher com um bebê no colo, digitando no computador, com a panela no fogo, atendendo o celular e entregando o casaco para o filho maior, tudo ao mesmo tempo, como se ela se transformasse num polvo com muitos braços. A novidade foi ouvir que a ideia de que somos super mulheres, capazes de acumular diversos papéis de forma natural não existe, a mulher tem limites, fica cansada e não consegue ser esse personagem perfeito idealizado sei lá por quem.

Diante desse quadro de desigualdade ouvi presidentes de empresa aconselhando seus pares a colocarem na mesa a foto das filhas para que eles reflitam sobre o mundo que  gostariam que elas vivessem quando se tornarem adultas, que eles trabalhem para que elas sejam respeitadas e também para que as próximas gerações não tenham mais que discutir a igualdade de gênero.

Uma palestrante contou que chegou no topo do mundo porque nunca disseram para ela que seria impossível, ela viveu desde criança acreditando que podia conseguir o que quisesse, bastava estudar e se esforçar, ela conta que seus pais a incentivaram e ela foi em busca do seu objetivo.

Falamos sobre o que faz nossos olhos brilharem, o coração se alegrar, um legado… Ser um empresário ou empreendedor, um profissional liberal ou um funcionário, o importante é você ser livre para escolher o que quer fazer, decidir a sua vida e suas prioridades, pode ser que você seja como a moça que quer viver a maternidade na sua plenitude ou prefira se dedicar para conseguir ser a presidente da empresa, talvez você queira defender uma tese de mestrado ou  resolva parar tudo e sair num ano sabático e viver em outro país.

O essencial é buscar a sua felicidade, sem ligar para o que os outros estão pensando, afinal, a vida é sua!

Você tem o direito de discordar, de reclamar, chorar se tiver vontade, se indignar com injustiças, não engolir sapos, gritar se necessário e dizer não e pronto!

Faça uma faxina nos seus sentimentos, busque sua verdade, se está deprimido procure ajuda de um profissional, mas não fique escondido no seu triste mundo, lembre-se de quantas pessoas gostam de você, dos telefonemas que você não atende, dos convites que você rejeita, olhe pela janela e perceba quanta coisa você pode fazer, quantas pessoas pode ajudar, se engaje numa causa, levante uma bandeira do bem e saia! Dê o primeiro passo!

Lembre-se que aprendemos e nos fortalecemos nas crises, a resiliência será a sua marca, você vai cair e levantar mais forte e capaz!

A tal da felicidade vai bater na sua porta porque você mudou de atitude, de conceitos e da forma como enfrenta o mundo.

“O que temos dentro de nós é o essencial para a felicidade humana.”

Texto publicado originalmente no site www.luizandreoli.com.br.

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