Empresária e arquiteta,derrubando muros e construindo pontes entre as empresárias locais e de outros países

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Lilian Schiavo, presidente da OBME-Organização Brasileira de Mulheres Empresárias e arquiteta passa a maior parte do tempo derrubando muros e construindo pontes entre as empresárias locais e de outros países. Ela acredita no lema da OBME: “Sozinhas invisíveis, juntas invencíveis!.”



1- Como começou sua carreira?   

Sou um daqueles casos de ovelha negra da família, filha de pai e mãe médicos, desenhava desde pequena e desmaiava nas aulas do laboratório de análises clínicas. Decidi estudar arquitetura e administração hospitalar, pois meus pais fundaram um hospital e eu cresci andando pelos corredores. Fiz uma pós graduação em Engenharia de Segurança, comecei a trabalhar na área da saúde no hospital e em uma empresa de medicina de grupo. Em 1999, fundei um grupo odontológico e uma associação beneficente para a terceira idade.  Trabalhei  pouco tempo como arquiteta, parei quando estava executando uma obra grávida e passei mal por causa de produtos químicos.   
Com 34 anos, ingressei no Sindicato dos Hospitais como suplente e, aos 37 anos, me tornei a mais jovem integrante da Diretoria e uma das únicas duas mulheres participantes das reuniões. Foi uma experiência enriquecedora, participei de assembleias, congressos nacionais e internacionais, da Frente Parlamentar da Saúde e de momentos históricos, como a descoberta da AIDS e a implantação do teste de fenilcetonúria. Aprendi que podemos ser agentes transformadores, que o coletivo tem muita força e que vale a pena lutar por ideais.   
Quando estudei Direito do Trabalho na faculdade tive o sonho de ser juíza classista, representar uma entidade ou classe e defender seus direitos mas não via como transformar esse sonho em realidade até entrar no sindicato e me candidatar ao cargo, exerci a função de juíza classista durante 6 anos. O que me  move é uma curiosidade imensa.   
 Atualmente estou presidente da OBME, fui a  primeira mulher a ocupar o Conselho Consultivo do IBREI, sou vice-presidente da Comissão de Inclusão e Diversidade do IBREI e membro em várias associações de mulheres. Sou palestrante, colunista sobre empreendedorismo feminino, empresária e uma colecionadora de sonhos.

2- Como é formatado o modelo de negócios da OBME?   

 A OBME representa o Brasil na FCEM- Femmes Chefs D’Enterprises Mondiales que foi fundada em 1945 na França, na época da 2ª Guerra Mundial pela Madame Yvonne Foinant. A FCEM é a porta voz das mulheres, defendendo seus interesses perante os governos, os organismos públicos e privados internacionais.   
É a organização pioneira unindo empresárias e, desde a sua fundação, tivemos uma rápida expansão, atualmente estamos nos 5 continentes, em mais de 120 países. Possuímos status consultivo na ONU, União Européia, UNCTAD, PNUD, OCDE e OIT. Nosso objetivo é promover as iniciativas das empresárias para conscientizar e dar visibilidade para as mulheres, facilitar o desenvolvimento de negócios e comércio, bem como encorajar as jovens a criarem empresas.     
Visamos o intercâmbio de projetos, exploração de oportunidades, criação de alianças tecnológicas e desenvolvimento de contatos e amizades nacionais e internacionais. Incentivamos as mulheres a comprarem produtos e serviços de outras mulheres, a criarem uma rede de apoio e conquistarem postos de liderança.   
Temos  vários comitês atuantes em diversos segmentos: Cultura, Sustentabilidade, Inclusão e Diversidade, Empreendedorismo Feminino, África, Justiça, Ações Sociais, Eventos, Rodadas de Negócios entre outros. Como exemplo de nossa atuação, a OBME foi convidada pela CEMS-Convergência Empresarial de Mulheres para representar o Brasil na Argentina no evento “Gênero e Comércio nos Blocos Regionais”- Impactos nos Negócios da Mulher Empresária com representantes do Chile, Peru,Paraguai, Uruguai, Argentina e Mercosul.

3- Qual foi o momento mais difícil da sua carreira?   

Ao longo dos meus 60 anos de idade passei por inúmeros momentos difíceis, por altos e baixos, por perdas significativas, já desabei do alto de um penhasco e tive que me reinventar. O bom dos momentos difíceis é que podemos aprender com as dificuldades, testar nossa força, nossa capacidade de resiliência. Fica a certeza que tudo passa, então se você está lendo e pensando que quem é positiva nunca caiu ou fracassou, saiba que é exatamente o contrário, as mulheres positivas são inspiradoras pois transformam suas quedas em histórias de sucesso e conquistas.

4-Como você consegue equilibrar sua vida pessoal x vida corporativa/ empreendedora? 

 A resposta para tudo é o amor, o amor por Deus,  pela família, pela vida e pelo trabalho. É ter a capacidade de estabelecer uma hierarquia, uma prioridade. Para conseguir o equilíbrio é preciso se perguntar se o que você está fazendo vale a pena, lembrar que tudo que é importante não tem preço, você não consegue comprar saúde, amor,  família e amigos. Dosar o tempo implica em qualidade e não quantidade, é aproveitar ao máximo cada minuto com as pessoas que ama. Costumo dizer que estou em equilíbrio quando ouço meu coração e sinto paz.

5- Qual o seu maior sonho?   

Sou uma sonhadora nata e já realizei muitos deles, tenho uma fábrica de projetos… Sonhos pequenos e grandiosos.   
Realizei grande parte dos sonhos e, atualmente, meu foco está no VIII Encuentro del Continente Americano que será realizado em São Paulo nos dias 27 a 29 de junho. Seremos as anfitriãs de um evento que reunirá 200 empresárias do mundo todo, em especial da América Latina, e meu sonho é mostrar um Brasil forte, ético, com empresárias corajosas e muitas oportunidades de negócios entre os países. Será uma chance única de diálogo com mulheres líderes, teremos Rodada de Negócios B2B e já recebemos pedidos de visitas a empresas e indústrias brasileiras de vários segmentos de mercado, elas querem nos conhecer e compartilhar informações sobre os requisitos necessários para realização de negócios e fomento do Comércio Internacional. No mês passado, num evento da FCEM, similar ao nosso realizado na Armênia, foi assinado um Acordo de parceria entre as organizações de empresárias do Japão e Taiwan. Espero que o Brasil seja o palco de várias parcerias comerciais entre os países participantes.

6- Qual a sua maior conquista?   

Tive várias conquistas na vida, entre elas casar e ser mãe do Gianmarco e da Alessia. Pode parecer clichê mas, se você dedicou a sua vida para ser uma profissional de sucesso provavelmente fez várias faculdades, mestrado, estudou no exterior, aprendeu vários idiomas, viajou pelo mundo, etc e tal, vai entender o que vou dizer… já percebeu como é difícil manter um relacionamento? Sou casada com o Peppe há 35 anos e feliz por envelhecermos juntos, passamos por várias fases e nos reinventamos em conjunto.   
E sobre ser mãe? Filhos não nascem com manual de instrução e cada um é diferente do outro, criar e educar os filhos são uma arte que exige muita sensibilidade, sabedoria e amor.   
Sem dúvida, conquistas financeiras, profissionais, homenagens e prêmios são dignos de aplausos e reconhecimento mas será que o que te impulsiona a levantar todos os dias é só o trabalho e o dinheiro? Todos nós nascemos com Ikigai, um propósito da vida, é o que vai te mover para conquistar o mundo e deixar um legado

.7- Livro, filme e mulher que admira   

Livro: Estou lendo ” Liderança & Propósito- O Novo Líder e o Real Significado do Sucesso”- Fred Hofman.   
Filme: A Vida é Bela.   
Mulher que admira: Olga que se formou em Medicina da USP em 1954, uma mulher pioneira, visionária, minha mãe.

Por Lilian Schiavo