Então é Natal. O que você fez?

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Veja! Olha lá mais um ano que se vai… As luzes coloridas e as campanhas natalinas já começam a invadir as ruas, as telas e as vitrines das lojas. Nas redes sociais, a velha discussão sobre a uva passa no arroz é apimentada também pelas intensas provocações entre esquerda e direita. Para descontrair, volta a piada sobre descongelar a Simone ou o Roberto Carlos para as celebrações de Natal. Eu juro que tento não rir, mas confesso que todas as vezes me diverte igual.

O problema dessa época do ano, é que também ficamos mais reflexivos. Pegam-nos de assalto aqueles pensamentos sobre estar ou não deixando um legado, conquistando algo da vida ou simplesmente deixando o tempo passar… Volta a autocrítica e a culpa pelas resoluções de ano novo não resolvidas, voltam os velhos medos… Estes, sempre implacáveis.

Esta manhã me vi em um desses dias reflexivos. Me peguei pensando em meu avô e no quanto ele adorava o Natal. Todos os anos, era ele quem dava aquele toque especial e de magia à nossa festa. Era ele quem temperava o pernil com dias de antecedência e não me lembro de haver provado nunca outro tão bom. Seguro que usava aquele tempero secreto chamado amor.

Lembro que no dia do Natal, colocávamos para tocar aqueles disquinhos de vinil coloridos de historinha que tínhamos em casa. Quase perto da meia-noite, meu avô pedia para a tia Rosa que nos levasse para procurar o Papai Noel pelas ruas. Mas claro que ele nunca estava lá! Era só a gente sair, para o Papai Noel entrar e deixar embaixo da árvore nossos presentes sem que a gente tivesse tempo de vê-lo.

Todos os anos eram iguais: uma mistura de alegria e frustração que logo davam lugar à euforia. Abrir os presentes, sair na rua para mostrar aos amigos, espiar o lixo do vizinho no dia seguinte para saber o que tinham ganhado meus amiguinhos. Mas esses eram outros tempos. E outra vida.

Meu avô nos deixou faz tempo… E acredite, ele avisou! No mesmo ano em que a mulher do meu tio entrou para a família e decidiu que ela temperaria o pernil, o velho triste foi taxativo: “Esse é meu último Natal com vocês!” E não é que foi mesmo? No ano seguinte ele nos deixou levando consigo a magia de um Natal que nunca mais existiu.

E quanto à tia Rosa? Bom, esta também nos deixou ano passado. Foi tão rápido que nem deu tempo de agradecer por fazer da nossa infância algo tão mágico…

Hoje tento buscar sentido em todas essas festas e a verdade é que não encontro. Meus filhos estão a salvo. Eles sempre passam o Natal com a família do pai deles e ali a festa e a magia prevalece. Já eu, vejo uma árvore natalina e constato estarrecida que me converti naquela tia chata que não gosta de Natal… A tia que não enfeita a casa, que não quer se arrumar para estar na sala de ninguém, que olha com tristeza para uma data comercial que acaba por tornar mais miserável a vida daqueles que não podem de nenhuma maneira preparar uma ceia, receber a família e presentear as crianças…

Mas claro, esta é apenas uma reflexão em uma manhã nostálgica, em um país frio, onde o Natal sequer tem tanta importância. Aqui a grande festa se faz no dia de Reyes. Talvez amanhã ou depois, chegando ao Brasil, um convite para confraternizar, um enfeite bonito na porta ou umas luzinhas coloridas reacendam essa chama natalina dentro mim.
Até porque a vida é assim… Fazemos resoluções para todo um ano e no final, tudo o que conseguimos, é viver um dia por vez.

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