Entenda o Torcicolo Congênito, condição neonatal

Entenda o Torcicolo Congênito, condição neonatal

O período pós-parto é, sem dúvida, uma fase que exige maiores cuidados dos pais com seus filhos. E em algumas vezes, podem ser observadas algumas condições que merecem uma maior atenção. É o caso do torcicolo congênito, quando o bebê nasce com um problema no músculo do pescoço, que faz com que a cabeça fique inclinada para um lado.

Mas como ter certeza de que o bebê sofre realmente desta condição? A fisioterapeuta Nivia Meliunas, que há anos realiza um trabalho específico na área de fisioterapia motora infantil e adolescente, orienta e sugere aos pais que observem os seguintes sinais que podem estar relacionados ao torcicolo congênito:

– As mães que estão amamentando podem perceber que o bebê tem mais dificuldade de se alimentar de um lado

– Quando estão dormindo ou acordados, os bebês deixam a cabeça sempre para o mesmo lado

-Os bebês apresentam dificuldade para acompanhar objetos para o lado direito ou para o lado esquerdo de forma simétrica

– Quando são colocados de barriga para baixo, normalmente estes bebês sentem desconforto em se manter na posição

– Quando os pais podem notar assimetrias de face nas fotografias do bebê

Se mesmo assim, os pais e o pediatra ainda estiverem em dúvida quanto à confirmação do diagnóstico e caso também seja necessário, o pediatra  pode solicitar um exame de imagem , como o ultrassom da região lateral do pescoço.

Embora ainda não se saiba ao certo o que provoca o torcicolo congênito, há algumas hipóteses consideradas pela comunidade médica. As principais são: mau posicionamento do bebê dentro do útero e até mesmo uma interrupção do fluxo sanguíneo no músculo esternocleidomastoideo, que fica na lateral do pescoço e pode sofrer um encurtamento, conter um nódulo ou apresentar uma fibrose – processo que causa o enrijecimento muscular, limitando os movimentos do pescoço.

Mais do que descobrir a causa do problema em si, o importante é que assim que for confirmado o diagnóstico, o bebê deve ser levado a fisioterapeutas especialistas neste tipo de problema. Sem dúvida, o encaminhamento precoce a um fisioterapeuta garante um resultado mais bem sucedido do tratamento. É importante também frisar que este tratamento inicial deve ser feito sob intervalos curtos de atendimento. Assim, através de ações mais onservadoras, a chance de cura será maior.

Nivia Meliunas, que em sua carreira como fisioterapeuta já atendeu diversos casos de torcicolo congênito, frisa que o tratamento deve ser ágil e focado para que o bebê apresente melhora expressiva. “Além de cuidar do torcicolo em si, um fisioterapeuta pediátrico irá monitorar e acompanhar o recém-nascido no caso deste apresentar atrasos no desenvolvimento e outros fatores que possam estar associados ou contribuir para algum outro tipo de vício postural”.

Estes profissionais irão trabalhar as amplitudes de movimentos ativas e passivas do pescoço, farão uma movimentação mais simétrica e também estimularão fases do desenvolvimento neuropsicomotor. Além disto, vão dar todas as dicas aos pais e cuidadores quanto aos

movimentos a serem feitos pelo bebê em casa.

E como os pais, avós, parentes ou babás podem ajudar a amenizar este problema em conjunto com os profissionais? Nivia diz que é muito importante sempre estimular o lado oposto ao do lado no qual se encontra a cabeça inclinada. O que vai ajudar também é que os cuidadores,quando forem trocar esses bebês , devem colocá-los de frente para si, de forma a ativar o contato olho no olho. Sempre que for possível, é também recomendado colocar o bebê de barriga para baixo. E no caso de o bebê ter dois meses ou mais , outra dica é colocá-lo deitado de barriga para cima em um tapetinho de atividades para explorar de forma igual os dois lados do ambiente – sempre com ênfase no lado para o qual este bebê tem mais dificuldade para virar a cabeça.

E em condições extremas, os bebês que sofrem deste mal, vão precisar de cirurgia? Segundo Nivia, isso acontece muito raramente, quando todas as chances de tratamentos através da fisioterapia estiverem esgotadas.

Caso o torcicolo congênito não seja tratado, pode causar assimetrias cranianas como a plagiocefalia, atraso de desenvolvimento neuropsicomotor, problemas posturais como escolioses, alterações visuais e às vezes, alterações nos membros inferiores.

COMUNIDADE DE COLUNISTAS

Para saber mais sobre o colunista da matéria, clique aqui.

Compartilhe esse post

Share on facebook
Share on whatsapp
Share on twitter
Share on linkedin
Share on pinterest
Share on print
Share on email

Veja os últimos posts