Enxaqueca atinge duas vezes mais mulheres; conheça novo tratamento biológico

Enxaqueca atinge mais mulheres

Nova terapia usa anticorpos monoclonais para estimular uma resposta do organismo e bloquear moléculas do sistema nervoso relacionadas à enxaqueca

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) , a enxaqueca (ou migrânea) atinge um homem a cada duas mulheres. Cerca de 15 a cada 100 brasileiros sofre desse mal, o que equivale a 30 milhões de pessoas no país.

No mundo, é a terceira doença mais prevalente, e ocorre no auge da idade produtiva, entre os 35 e 45 anos. Isso significa um impacto considerável na rotina e no trabalho dessas pessoas, já que, durante as crises, os portadores da doença ficam temporariamente incapacitados.

A maior incidência em mulheres pode estar associada à hereditariedade, bem como ter relação com as variações hormonais que as mulheres enfrentam ao longo da vida. “Um dos principais gatilhos da enxaqueca refere-se à queda dos níveis de estrógeno durante a menstruação ou menopausa, o que faz com que as dores ocorram com maior frequência. Há diversos outros aspectos que influenciam, tais como predisposição genética para a enxaqueca, hipersensibilidade cerebral e estresse”, diz Mario Peres, neurologista da Sociedade Brasileira de Cefaleia.

“A mulher já é julgada socialmente, e a mulher com enxaqueca acaba sendo julgada duplamente. Isso porque muitas pessoas não compreendem a doença, por vezes incapacitante. Trata-se de uma doença invisível, mas com impacto devastador”, diz Peres.

A OMS estima que os custos diretos e indiretos da enxaqueca, incluindo a perda de produtividade, chegam a 27 bilhões de euros na Europa e 20 bilhões de dólares nos Estados Unidos, por ano.

Inovação no tratamento

A boa notícia é que, com os avanços da medicina, tratamentos cada vez mais específicos estão sendo lançados. É o caso da molécula erenumabe, tratamento biológico capaz de bloquear diretamente o ciclo da doença com ação profilática, ou seja, ela reduz a ocorrência de crises, ou evita seu início. O novo tratamento, já aprovado em 2018 nos Estados Unidos (FDA) e na Europa (EMA), deve chegar ao Brasil ainda no primeiro semestre.

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“Um dos principais diferenciais da medicação é que ela praticamente não oferece efeitos colaterais. O fármaco, aplicado via injeção subcutânea, é um anticorpo monoclonal sintetizado em laboratório. Os anticorpos acabam sendo direcionados para o bloqueio da CGRP, molécula do sistema nervoso relacionada à enxaqueca. Quando a nova molécula se associa à CGRP, há diminuição das crises”, explica Peres.

Informação e interatividade

Para contribuir com informações aos pacientes, a Novartis, produtora do erenumabe, desenvolveu o site www.maisumdiasemenxaqueca.com.br, com informações sobre enxaqueca, passando pela descrição da doença, diagnóstico e tratamento, dicas de qualidade de vida e notícias sobre o tema. O canal tem ainda uma fanpage no Facebook: /maisumdiasemenxaqueca.

No site, o usuário pode participar do quiz “Dor de cabeça ou enxaqueca – entenda a diferença” e saber mais sobre o diagnóstico da enxaqueca, a relação entre produtividade e gatilhos como hereditariedade, alimentação e estilo de vida.

Além do portal, a empresa também lançou o aplicativo Migraine Buddy, um diário digital da doença para o paciente registrar suas crises e sintomas associados, além de outras funcionalidades. O app está disponível para dispositivos Apple e Android.