Especialista em segurança de ingredientes comenta riscos do bórax para uso infantil

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Diretora Executiva do Instituto Harris, Drª Maria Inês Harris, esclarece os perigos do composto do “slime” e de outras substâncias presentes no dia a dia para as crianças

O post de uma mãe nas redes sociais, sobre a intoxicação da filha com um composto da massa de brincar conhecida como “slime”, deixou em alerta os pais de todo o Brasil. A goma, que a própria menina – assim como outras crianças – produzia em casa, continha bórax, ou borato de sódio. Já em 2002, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) proibiu um brinquedo chamado “Meleca Louca” por causa da presença do bórax. Ainda assim, 17 anos depois, a substância tem sido vendida e usada para preparo caseiro.

“O uso do bórax não é permitido justamente pelo risco de ocorrerem reações de intoxicação aguda. O emprego do ingrediente é regulamentado apenas para a produção de fertilizantes, produtos de limpeza e medicamentos”, ressalta a Drª Maria Inês Harris, Diretora Executiva do Instituto Harris e especialista em avaliação de segurança de ingredientes na área cosmética.

O contato em grande volume ou por tempo prolongado com o bórax – mineral alcalino derivado da mistura de um sal hidratado de sódio e ácido bórico – pode causar intoxicação, com sintomas como náuseas, vômitos, cólicas abdominais, diarreia, cianose, queda de pressão, perda da consciência, choque cardiovascular e até a morte. Tais intoxicações já estão bem documentadas em estudos científicos.

Substâncias “atóxicas” – Além do bórax, outros materiais com os quais as crianças, eventualmente, têm contato – em brincadeiras e nos trabalhos escolares – podem causar sintomas, mesmo quando descritos como “atóxicos”. São os casos da cola, do bicarbonato de sódio e de alguns tipos de pigmentos. Segundo a Drª Harris, esses itens podem no máximo ter um contato rápido e de baixo volume com a pele, sobretudo no caso dos pequenos.

“Se cair um pouco no dedo ou na roupa, de vez em quando, não há grandes riscos, porém se a quantidade da substância administrada for excessiva e a criança brincar ou mexer com ela por horas ou com frequência, pode haver intoxicação”, afirma a especialista.

Os pais precisam ficar atentos e, em caso de dúvida, a melhor escolha é evitar o preparo de slimes caseiros com quaisquer substâncias químicas. “As crianças podem manipular os slimes e tocar olhos, boca, nariz. Simplesmente não é adequado”, alerta a especialista.

Em caso de emergências ou dúvidas, acesse http://portal.anvisa.gov.br/disqueintoxicacao.

Por Drª Maria Inês Harris

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