“Estrelas Além do Tempo” – Mulheres negras, poderosas e de sucesso

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Estrelas Além do Tempo

Estrelas Além do Tempo

1961. Em plena Guerra Fria, Estados Unidos e União Soviética disputam a supremacia na corrida espacial ao mesmo tempo em que a sociedade norte-americana lida com uma profunda cisão racial, entre brancos e negros. Tal situação é refletida também na NASA, onde um grupo de funcionárias negras é obrigada a trabalhar a parte.

É lá que estão Katherine Johnson (Taraji P. Henson), Dorothy Vaughn (Octavia Spencer) e Mary Jackson (Janelle Monáe), grandes amigas que, além de provar sua competência dia após dia, precisam lidar com o preconceito arraigado para que consigam ascender na hierarquia da NASA… e liderando uma das maiores operações tecnológicas registradas na história americana e se tornando verdadeiras heroínas da nação.

 

 

 

 

Quem foram as 3 cientistas negras da NASA

Katherine Johnson

A esquerda a atriz Taraji P. Hansen em imagem de divulgação do filme e a direita Katherine Johnson em imagem da NASA.

O site oficial da NASA denomina Katherine Johnson como “A menina que amava contar”, sendo que ao receber do presidente Barack Obama a National Medal of Freedom em 2015, é relatado que a matemática teria dito (em tradução livre): “Eu contava tudo. Eu contava os passos na estrada, os passos até a igreja, o número de pratos e talheres que eu lavava… Tudo o que poderia ser contado, eu contava.”.

Contas essas que fizeram a diferença e ganharam os holofotes de Hollywood. Nascida em 1918, na cidade de White Sulphur Springs (Virginia Ocidental), a cientista se destacou desde cedo com altas notas no colégio que a levou, com apenas 13 anos, a cursar o ensino médio no mesmo campus da West Virginia State College, onde se graduou em matemática com 18 anos.

Johnson passou a dar aulas, mas teve que parar de trabalhar para cuidar de suas três filhas. Quando elas ficaram um pouco mais velhas, ela retornou para as salas de aula.

Sua carreira na NASA só começou em 1952, sob orientações de Dorothy Vaughan. Com as pressões pelo lançamento do satélite soviético Sputnik, a Força Tarefa Espacial solicita reforços, onde entra em cena a nossa matemática com cálculos precisos.

Katherine Johnson foi responsável pela análise e cálculo da trajetória do primeiro americano no espaço e também por revisar os cálculos dos computadores eletrônicos que permitiriam a volta de John Glenn, que orbitou ao redor da Terra. Além disso, também contribuiu para o sucesso da chegada do homem à Lua.

Johnson se aposentou da NASA em 1986 e ainda vive.

 

Dorothy Vaughan

A esquerda a atriz Octavia Spencer (indicada ao Oscar 2017 como coadjuvante) em imagem de divulgação do filme e a direita Dorothy Vaughan em imagem da NASA.

Dorothy Vaughan nasceu em 1910 em Kansas (Missouri) e também era matemática, formada pela Universidade de Wilberforce aos 19 anos. Em caminho similar ao de Katherine Johnson, começou sua carreira como professora até embarcar no laboratório da NASA em 1943, onde com muita luta se tornou a primeira supervisora negra.

Em momento de Segunda Guerra, Vaughan chegou até Langley Memorial Aeronautical Laboratory (o mais antigo centro de pesquisa de campo da NASA, localizado em Hampton, Virginia) crendo ser apenas um trabalho temporário. No entanto, mais tarde passou a supervisionar de modo informal a ala de “computadores de cor” (colored computer), segregadas das mulheres brancas, assim como tantas outras salas e objetos da época.

Ao perceber que a “West Area Computers”, onde ficavam as mulheres negras, seria a primeira ala a ser cortada com a introdução das máquinas da IBM, Vaughan decidiu aprender a programar, sendo ela quem se especializou e implementou na NASA o sistema de linguagem Fortran. Ela também contribuiu no projeto do foguete Scout (Solid Controlled Orbital Utility Test), que lançaria pequenos satélites na órbita.

A programadora se aposentou da NASA em 1971 e faleceu em 10 de novembro de 2008.

 

Mary Jackson

A esquerda a atriz e cantora Janelle Monáe em imagem de divulgação do filme e a direita Mary Jackson em imagem da NASA.

Mary Jackson nasceu em 1921 em Hampton (Virgínia) e se tornou a primeira engenheira negra da NASA. Antes desse feito, a engenheira espacial conquistou o diploma duplo em matemática e ciências físicas em 1942, repetindo a história de tantas outras que tinham como destino as salas de aula como emprego.

Sua entrada na NASA não foi de imediato. Ela trabalhou antes disso como recepcionista no King Street USO Club, como “guarda-livros” no Departamento de Saúde do Instituto Hampton e ainda como dona-de-casa com a chegada de seu filho.

Antes de trabalhar como “computador” sob supervisão de Dorothy Vaughan no Langley Memorial Aeronautical Laboratory em 1951, ela ainda foi secretária do exército em Fort Monroe.

Dois anos após sua contratação na NASA, ela passou a trabalhar com o engenheiro Kazimierz Czarnecki no projeto de Túnel de Pressão Supersônico, quem a incentivou a se tornar engenheira no programa.

Em diálogo recortado do filme, Czarnecki questiona para Jackson se ela fosse um homem branco, se ela desejaria ser um engenheiro da NASA, a cientista respondeu que se ela fosse um homem branco ela não desejaria ser um engenheiro, ela já seria um engenheiro da NASA.

Os empecilhos para alavancar sua carreira eram constantes. Para se candidatar a promoção, apesar de seus diplomas e experiência, ela deveria ter uma pós-graduação pela Universidade de Virgínia, que não aceitava alunos negros.

Após vencer a segregação nos tribunais e ganhar o direito ao estudo, em 1958 Mary Jackson se torna a primeira engenheira negra da NASA. Em biografia divulgada pela agência, a engenheira se decepcionou ao perceber que o passar dos anos diminuiria suas promoções, mesmo com uma carreira produtiva.

A partir daí, ela abandonou o cargo como engenheira para se tornar Gerente Federal do Programa de Mulheres de Langley, onde trabalhou para ajudar as funcionárias das novas gerações a conseguirem mais oportunidades.

Mary Jackson se aposentou da NASA em 1985 e faleceu em 11 de fevereiro de 2005.