Coluna:Fragmento de semana

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Por Clarissa de Moraes Bocklage

Você já pensou que uma semana bem pode comportar (praticamente) uma eternidade, mas se você não estiver imbuído do espírito que sintoniza com aquela frequência específica, que move em direção do sonho, aquela sensação de dever cumprido, de propósito, de querer ser, ela bem pode passar (praticamente) batida? Você a vive e nem sente nada? (Ou quase nada?)

Perceba, no entanto, que é como se houvesse algum mecanismo muito bem concatenado no tempo, que mexesse nossas entranhas de sete em sete dias, para que sempre tenhamos alguma oportunidade de olhar um pouco além daquele motoqueiro infernal e suicida no trânsito, daquela  lista de compras que nunca acaba, lembrando que seu dinheiro não vem em uma cornucópia cada vez que olha para ela, daquele vizinho que te dá uma olhada faminta mesmo sabendo que você é casada (e você fica toda confusa porque no fundo talvez até goste daquilo já que seu marido não te olha mais assim faz um tempo), daquele colega de trabalho insuportável, que nem seu melhor sorriso amarelo faz sair de perto, e até mesmo de seus  filhos, se os tem, que claro que ama, mas que bem podiam dar uma folga de vez em quando!  São tantas intensidades condensadas em momentos que, muitas vezes, perdidos na rotina, não olhamos para elas. Não as percebemos.

E é isso. A semana é feita delas. Das pequenas variações dos discursos do cotidiano. Estas vibrantes entidades interno-externas auxiliam a nos conectarmos uns aos outros e a conhecer melhor nossos mistérios, conhecer os mistérios do mundo e o mistério que são estes dois mistérios em interação. A riqueza disso se desprende em atos e palavras, que colocamos em movimento e proferimos na busca da troca, da interação multifacetada desta vida tão intensa que precisamos aprender a viver.

Consumo dizer que ela, a semana, é suficiente para que possamos avaliar quais meandros de memória estamos exercitando para nos tornarmos melhores como seres humanos. É um termômetro, por assim dizer. É o presente que temos para fazer melhor a mistura que vai dar no pão que alimenta que vem a seguir.

O certo e o errado nos consomem muita energia psíquica, quando a vida só pede mesmo que busquemos ser quem somos, que nos atenhamos às verdades que secretamente (ou não tão secretamente assim) temos guardadas naquela gavetinha escondida dentro de nós que teimamos em não olhar muito porque dá um trabalhão!

Se a sensação é de que não está fácil não, é preciso lembrar que estamos todos juntos aqui, unidos às vezes sem nem ao menos perceber, à mesma função: ser feliz! Olhe para o lado, esbraveje menos, preste mais atenção. Tenha certeza de que a passagem dos segundos pode proporcionar mais aventuras do que seus mais doidos sonhos podem imaginar. Isso tudo aqui. Agora. Neste momento em que estamos galgando, palmo a palmo, um pouquinho a mais de nós mesmos.