Hospedagem compartilhada traz novas oportunidades

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Inovações geram oportunidades de negócios. Por exemplo: no rastro dos aplicativos de transporte compartilhado, as locadoras de veículos foram instigadas a firmar convênios e a criar alternativas de contratos prolongados mais atraentes; de maneira semelhante, o surgimento de aplicativos que se propõem a aproximar potenciais hóspedes de seus possíveis anfitriões ao redor do mundo já começa a impactar o segmento imobiliário e a estimular a criação de serviços complementares.

Oferecer hospedagem tornou-se uma boa opção de renda para quem possui imóveis bem localizados. Alguns proprietários se dispõem a alugar o imóvel inteiro – geralmente, apartamentos pequenos ou estúdios; outros preferem locar apenas um ou mais quartos, mediante valores mais modestos de hospedagem, e até mesmo uma simples “vaga” em cama ou sofá-cama. Esse tipo de locação mais despojada tem atraído principalmente os turistas jovens, que não se importam em compartilhar os espaços se puderem viajar e ter conforto sem gastar muito.

No Brasil, essa modalidade está chegando devagar, mas já existe. E tende a impactar o mercado: herdeiros de imóveis de grande porte, por exemplo, poderão encontrar na oferta de hospedagem compartilhada uma fonte de renda bastante interessante, ficando menos propensos a negociá-los com incorporadoras ou a vende-los e ou aluga-los pelas vias tradicionais, isto é, por intermédio de uma imobiliária.

Para ofertar vagas, o primeiro passo é fazer um cadastro no aplicativo, informando cidade, número de vagas disponíveis e período no qual existe disponibilidade. Para quem pretende fazer uso do serviço, é possível pesquisar com o uso de filtros referentes aos tipos de acomodação, faixa de preço que a pessoa estará disposta a pagar, localização preferencial etc.

Os preços variam: em localizações mais nobres, uma simples cama em quarto compartilhado pode custar o mesmo que um estúdio inteiro e mobiliado em uma região menos procurada. Como é próprio do mercado quando este opera mais livremente, tudo depende da relação entre oferta e demanda.

De olho nesse filão, começam a surgir startups que se propõem a ser “imobiliárias” desse gênero de app. Em geral, elas cuidam de todo o processo de locação do imóvel – fazem o anúncio, sugerem o preço, “preparam” o local para a chega do hóspede e muito mais. Vale lembrar que o conforto conta pontos, e um apartamento bonito, limpo, bem decorado, tende a atrair mais hóspedes do que um imóvel mal conservado. Se, por 20 ou 30% do valor do aluguel, o proprietário deixar todo o trabalho de manutenção nas mãos de especialistas, tanto melhor para ele e seus clientes.

Vale lembrar apenas que, em condomínios fechados, a locação temporária pode suscitar problemas. Por isso, convém combinar antes com o síndico e/ou com o conselho de administração que existe a intenção de usar o imóvel para este fim.

Por Andre Kamkhaji
especialista em investimento imobiliário e sócio da Union National