Impermanência

Impermanência

Impermanência

Impermanência. Em algum lugar do passado éramos outras pessoas, estávamos acostumadas com outra vida. Parece que faz tanto tempo…

No início do ano preenchemos nossas agendas com compromissos, projetos e viagens. Congressos, casamentos e expansão de negócios planejados e organizados nos mínimos detalhes.

Provavelmente você pensava que era a dona do destino numa vida imutável e segura, com você no comando decidindo o caminho a seguir.

Mas o inimaginável aconteceu, o mundo parou e você teve que se submeter a novas regras, a liberdade do ir e vir cessou por causa de um inimigo invisível.

Ficamos de pernas pro ar, no início acreditamos que seria por pouco tempo, algumas semanas enclausuradas e tudo seria resolvido.

Mas o tempo foi passando, as semanas se transformaram em meses e fomos forçadas a nos reinventar.

Mudamos de dentro para fora, tivemos tempo de enxergar com novos olhos, refletir sobre a importância das pessoas e também das coisas.

Descobrimos que coisas são coisas e portanto posso me desprender delas, me desapeguei de objetos, roupas e sapatos. Abri espaço para o novo e desentulhei armários  que ficaram muito mais fáceis de arrumar.

Negócios tiveram que se adaptar ao mundo online para sobreviver, muitas empresas não resistiram e fecharam, outras perceberam que o trabalho remoto funciona e decidiram que vão continuar assim no futuro.

Pessoas são pessoas, são fundamentais nas nossas vidas, abraçar faz falta, encontrar as amigas também, conversar face to face ao invés de online.

Bom mesmo é dar beijos, ter a chance de demonstrar carinho e afeto.

Alguns casais descobriram como é gostoso ficar junto o dia inteiro e perderam o medo do futuro, daquela história de aposentadoria, tiveram uma prévia do que é viver a dois, vendo os dias passarem… Outros se desentenderam e separaram, teve brigas e infelizmente muita violência também.

Famílias viveram experiências únicas, mães e pais puderam acompanhar o crescimento dos filhos, os primeiros passos, a primeira palavra, as descobertas e conquistas mas também tivemos mães e pais com crises de desespero sem saber lidar com a energia das crianças e adolescentes presas dentro de casa, alguns aprenderam a dividir tarefas domésticas em família  e outros deixaram as mulheres extenuadas com o acúmulo de funções.

No dicionário, impermanente é o que não dura ou muda com facilidade; efêmero ou inconstante, que não se mantém de forma permanente.

Impermanência é o que temos hoje, aprendemos a viver um dia após o outro, com planejamentos a curto prazo, com a esperança que tudo se resolva o mais breve possível.

Vimos vidas ceifadas precocemente e aprendemos o valor de agradecer, dizer te amo,  pedir desculpas e perdoar.

Aprendemos também  sobre o absurdo da arrogância, da inveja e da competição, são sentimentos que fazem mal a você mesma, tiram sua paz e minam sua energia.

Ao invés de querer ser melhor que o outro, seja melhor para você mesma. Descubra o que você pode fazer por um mundo mais sustentável e inclusivo.

A impermanência nos obriga a ter resiliência, acordar de manhã pronta para novos desafios e aprendizados, viramos camaleões que mudam as cores para sobreviver e assim ficamos invisíveis para o inimigo. Dançamos conforme a música e isso nos torna mais criativos, inventamos novos passos e cadências.

Aproveite a inconstância dos dias para se tornar mais consistente, com valores definidos, uma vida com propósito, uma missão a cumprir.

Vivemos o efêmero, o transitório, então vamos descarregar o que está pesado, o que não serve mais, vamos ficar mais leves, nos desprender de amarras imaginárias que nós mesmas criamos, as famosas crenças limitantes.

Sei que não está fácil, mas vamos em frente com a certeza que tudo pode mudar de uma hora para outra, como numa roda gigante, um dia lá em cima e outro esbarrando no solo. Não importa onde você está, tudo pode acontecer!

Tenha fé, esperança e um sorriso no rosto, afinal, mesmo com máscara dá para ver seus olhos sorrindo para o futuro!

Acredite em você!

*Por Lilian Schiavo – Arquiteta formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, bacharel em administração hospitalar pelo IPH – Instituto de Pesquisas e Desenvolvimento Hospitalares e pós graduada em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho. Grande experiência em administração na área da saúde, diretora do Sindicato dos Hospitais, juíza classista na Justiça do Trabalho e voluntária em ONGs. Atual presidente da OBME- Organização Brasileira de Mulheres Empresária.

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