Inovação e inclusão

Imagina ser convidada para o lançamento de uma inovação? Esta semana estive numa palestra sobre um dispositivo com inteligência artificial que consegue dar mais autonomia a deficientes visuais.

É um aparelho pequeno que se acopla a um óculos e consegue ler qualquer coisa, um grande avanço tecnológico que pode mudar a vida das pessoas com baixa visão.

Assisti a demonstração numa sala lotada onde poucas eram as pessoas que enxergavam. Impressionante como eles prestam atenção em cada palavra, o silêncio imperou e percebi como nós somos desatentos e perdemos oportunidades de aprendizado por pura distração observando tudo o que ocorre em volta.

Tenho certeza que se um palestrante aparecer com uma roupa estranha, sapatos coloridos e cabelo esquisito você vai prestar muita atenção no visual dele e deixar de lado o conteúdo do discurso. Emtretanto,  atenção deles é  muito focada, penso que chega perto de um mindfullness.

Segundo o Wikipedia, mindfullness é o termo para atenção plena ou consciência plena e designa um estado mental que se caracteriza pela autorregulação da atenção para a experiência presente, numa atitude aberta, de curiosidade, ampla e tolerante, dirigida a todos os fenômenos que se manifestem na mente consciente. É a capacidade de estar 100% presente.

Quando foi dito que o equipamento era capaz de fazer leituras, identificar pessoas e dizer as horas a sala foi tomada por um burburinho, o primeiro que ouvi desde que a explanação havia iniciado.

E chega o momento da demonstração! Voluntários são chamados para apontar com o dedo uma folha de um livro e podemos ouvir a leitura da página, o dispositivo consegue identificar rostos conhecidos e fala o nome da pessoa, é dito que num ponto de ônibus basta apontar o dedo e a leitura será feita.

Uma lágrima de emoção insiste em cair ao pensar que a partir de agora eles terão acesso a todos os livros, revistas e jornais, lembrando que apesar de muito esforço ainda não temos toda a literatura disponível em braille. É um mundo novo que se descortina.

Chega a hora das perguntas e mais uma vez eles me surpreendem, muitas perguntas técnicas sobre a plataforma, como atualizar as informações, a possibilidade de ter um equipamento de retaguarda no caso de quebra, seguro, vida útil, preço, condições de pagamento, treinamento e cuidados com a privacidade.

Então, alguém pergunta se é possível o aparelho dizer se a pessoa é bonita ou feia, risos na sala e a resposta que ainda não temos essa opção.

Depois vem a hora do café e eu estava conversando com algumas amigas quando vimos uma garota se aproximar e perguntar se alguém falava inglês. Ela veio da Austrália sozinha,  pediu para apenas dizer o que tinha na mesa. Ela prestava muita atenção nas explicações, fazia algumas perguntas e depois se servia, um verdadeiro exemplo de independência.

Se vocês acompanham minha coluna, uma vez falei sobre inclusão e o fato que somos nós que não estamos preparados para a inclusão de deficientes no mercado de trabalho. Eles não  querem assistencialismo, só o direito de terem uma vida independente e produtiva.

Vi meninas que não enxergam, vestidas impecavelmente, com roupas coloridas e uma maquiagem leve, elas são corajosas e destemidas, caminham com a coluna ereta e uma imponência elegante.

Tenho uma amiga que perdeu a visão numa cirurgia mal sucedida e, outro dia, ela teve uma ideia para um projeto… inacreditavelmente ela me enviou por WhatsApp verbalizando como se estivesse escrevendo, era algo como: primeira página, lado superior direito você escreve isso, no meio da folha coloca o título, na segunda página blá blá blá e assim foi até a última página. Nem preciso dizer que levei dias para responder para ela pois fiquei imaginando como é a mente de uma pessoa que possui este tipo de raciocínio.

Ela é uma das pessoas mais inteligentes e amorosas que conheço e nem imagina o quanto aprendo com a lição de vida que ela me dá.

A inovação e a tecnologia são indispensáveis para a melhora na qualidade de vida das pessoas e percebo como tudo fica obsoleto rapidamente.

Que tenhamos sabedoria para conviver com equilíbrio, sabendo exercitar a memória e a capacidade de raciocínio matemático.

“Muitos de nós não estamos vivendo nossos sonhos porque estamos vivendo nossos medos.” Les Brown
“Fiquei impressionado com a urgência de fazer. Saber não é suficiente, devemos aplicar. Estar disposto não é o suficiente, devemos fazer.” Leonardo Da Vinci

Espero que a partir das histórias que conto possamos ajudar a sociedade a entender que a inclusão social é uma forma de trazer talentos para a sua empresa e consequentemente gerar lucros. Salientamos também que a nova geração busca trabalho numa empresa que pratique o empreendedorismo solidário, que tenham um propósito e valores éticos como dignidade e justiça.