Lilian Schiavo: os benefícios da convivência de gerações

executivos mais velhos

Estive numa reunião onde predominavam pessoas com mais de 60 anos, todos com uma experiência de vida fantástica, uma carreira brilhante e muito talento.

Na hora da apresentação imaginei que seria como de costume, bastava dizer o nome e a atual ocupação… ledo engano, cada um contava sua trajetória de sucesso, enumerando os inúmeros títulos e cargos acumulados,  foi um desfile de histórias de fundadores, presidentes, CEOs e visionários.

Verdadeiros heróis que criaram ONGs e organizações com propósito, pessoas que transformaram vidas e comunidades,  deram vozes aos invisíveis.

Visualmente percebemos as mudanças que a idade provocou, os cabelos ralos e grisalhos, alguns quilos a mais, rugas  e  o corpo curvado pelo tempo.

Mas quando abrem a boca… quanta energia! Uma força que vem do interior e inflama as frases transformando em discurso um simples agradecimento, a sabedoria acumulada ao longo da vida transborda em ideias e projetos.

Fico impressionada com tamanho entusiasmo, eles têm ikigai, uma razão de viver, um motivo para levantar todos os dias. Todos continuam atuantes e a maioria é engajada no terceiro setor, alguns presidem ONGs e trabalham voluntariamente, dedicam seu tempo, recursos pessoais e energia para fazer o bem.

Eu também exerço um trabalho voluntário e às vezes me perguntam  porque eu faço isso. Para alguns é difícil entender o que te leva a abraçar uma causa e lutar. O  que me move é uma  vontade de deixar um legado, um mundo melhor para meus filhos e as gerações vindouras, contribuir para a construção de  um país mais justo e ético.

Então, alguém comenta que não importa mais quem fomos, o importante é quem somos hoje e o que estamos fazendo, se estamos interagindo com os mais jovens para transmitir o conhecimento adquirido e aprender inovação com eles.

Trocar experiências, quebrar barreiras de gerações e viver todos juntos e misturados.

A reunião segue com a apresentação de projetos e reflito sobre a necessidade da inclusão de jovens para a continuidade da organização, afinal, empresas nascem, crescem e podem morrer se ficarem estagnadas no tempo.

Por outro lado, empresas recém-nascidas podem padecer de imaturidade e necessitar da mentoria de seniores para crescer e desenvolver suas ideias.

Tudo é transitório, mas olho o futuro com  esperança, acreditando na  convivência harmoniosa entre gerações diferentes, tanto no mercado de trabalho quanto na vida, pois independente da idade  nós gostamos de desafios e de sonhar, precisamos de abraços e afetos, de poesias e cores, de risadas e amigos, viagens e paz.

“Todos estamos matriculados na escola da vida, onde o mestre é o tempo.” Cora Coralina

Texto publicado originalmente no site Luiz Andreoli.

Comentários