Lilian Schiavo: sair da zona de conforto e encarar mudanças é sempre um desafio

Resistência a mudanças

Nos anos 80, cursei faculdade de administração hospitalar, e na época saía das aulas com a cabeça borbulhando de ideias, novos conceitos e uma inédita maneira de pensar e realizar, parecia que tinha descoberto a fórmula do sucesso!

Numa das aulas, o tema era resistência a mudanças, e me lembro do desenho de um funcionário sentado numa mesa com uma pilha de papéis que quase alcançava o teto. A expressão dele era enfurecida. Olhava para o lado, onde um jovem se sentava a mesa praticamente vazia, e com um manual de informática nas mãos.

Naquela época, os computadores ocupavam uma sala inteira. Parecia que você tinha entrado no escritório da NASA, quem entendia aquele equipamento gigante e complexo era considerado um Einstein. Diziam que, no futuro, todos teríamos um computador, e eu imaginava como seria possível ter um trambolho daqueles dentro de casa.

O tempo passou, e hoje é inadmissível imaginar o mundo sem celulares, internet e afins. Ficou difícil explicar para as novas gerações como vivíamos sem a tecnologia atual.

É um elogio alguém dizer que você é a pessoa mais fora da caixa que existe. Confesso que na primeira vez que ouvi isso pensei que estavam me chamando de louca, afinal, fui criada para ser “adequada”, para viver dentro da caixa… Nem preciso contar que comigo não deu certo, sempre tive uma tendência para ser a  ovelha negra da família, nasci rebelde.

O pensamento que permeava a sociedade era que, para subir na hierarquia da empresa, você devia ser obediente, seguir os padrões, ser quase a imagem e semelhança do chefe. Quanto mais cordato, melhor. Existia o conceito “empregado padrão”, o mais pontual e correto da firma, em resumo, um chato de galochas às suas ordens, sem questionamentos ou proposição de soluções.

Recebo inúmeros currículos de pessoas que ocupavam boas posições dentro do organograma e que atribuem suas saídas a mudança da liderança ou política da empresa. Será que houve dificuldade de adaptação ao novo?

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A situação inversa já aconteceu comigo algumas vezes: ocupei o lugar de comando sucedendo pessoas carismáticas e muito queridas. Confesso que é difícil, a resistência à mudança fica demonstrada em frases ouvidas diversas vezes, como: “Mas sempre fiz assim!”, “Do jeito anterior era mais fácil! Por que mudar?”, “Já estava acostumada de outra forma, tem certeza que vai dar certo da sua maneira?” e “Ah, mas antigamente era melhor!”.

Sem dúvida, sair da zona de conforto é um desafio!

Outro dia, pedi para minha vice-presidente representar nossa organização num evento do governo. Seu nome é Aninha. Ela é 70+, escreve num site chamado ‘Amantes da vida’, onde fala sobre as “envelhescentes”. Foi pioneira ao estudar Direito, prestou concurso para procuradora do Estado e passou, é um exemplo de mulher, com uma vida maravilhosamente desbravadora, visionária e feliz.

Quando perguntei sobre o evento, ela me respondeu toda animada que as Secretárias de Estado eram umas meninas que se vestiam como eu, de calças compridas e blusas comuns, falavam de forma coloquial e transmitiam inovação e competência.

A Aninha contou que quando as viu, passou um filme na cabeça sobre a sua história de vida, os preconceitos que teve que superar por ser mulher, a linguagem pernóstica que precisava usar, a formalidade excessiva e o estranhamento que causava por suas escolhas feministas.

Os olhos dela brilhavam de alegria e ela comemorava os novos tempos.

Ela é muito atuante e inteligente, capaz de dirigir uma reunião de negócios com sabedoria, enxergar a alma das pessoas e acompanhar as mudanças do mundo com uma velocidade de adolescente. Esse é o segredo do seu sucesso: resistência zero às mudanças!

Ao invés de olhar para o passado e jogar a âncora, ela segue velejando livre e solta.

Conheço inúmeras pessoas que, apesar de jovens, ficam presas a situações de comodismo, impedidas de crescer pela falta de ambição, por medos paralisantes, por não acreditarem que podem mudar.

Claro que é mais fácil fazer tudo sempre igual, seguir rituais, viver no automático… Mas imagine as portas que você deixa de abrir, as paisagens exóticas que deixa de ver, as chances perdidas de provar novos sabores, conhecer gente e trocar saberes.

Você pode começar sua revolução pessoal usando um sapato de bolinhas, uma saia roxa e um chapéu, ou viajar para um local desconhecido, aprender tailandês, escrever um livro, andar de helicóptero, praticar esgrima ou mergulho com snorkel. Quem sabe você tem um desejo escondido de morar numa ilha paradisíaca e viver um grande amor?

Independente da sua idade, ouse viver!

“Inteligência é a capacidade de se adaptar a mudanças.” Stephen Hawking

Texto publicado originalmente no site www.luizandreoli.com.br.

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