Metade dos brasileiros não consegue ficar um dia sem o celular + 5 dicas para controlar esse ‘vício’

Vício em celular

Pesquisa do IBOPE Conecta mostra como aparelho afeta negativamente nosso dia a dia

Uma pesquisa do Ibope Conecta comprova aquilo que boa parte dos brasileiros já desconfiava: somos incapazes de ficar longe do smartphone por um dia inteiro. Ao perguntar “por quanto tempo você consegue ficar sem usar seu smartphone”, o instituto recebeu as seguintes respostas: 52% dos entrevistados não conseguem ficar um dia inteiro longe do aparelho; os que conseguem ficar um dia sem o smartphone somam 18%; 30% indicam que conseguem ficar sem seu celular por mais de um dia.

Dentre os últimos, 8% dizem que aguentam no máximo uma hora, 11% citam entre 2 e 3 horas, mesmo percentual dos que mencionam até 6 horas, e 7% aguentam até 12 horas. Todavia, há 15% que revelam que não conseguem ficar sem smartphone em momento algum.

Para a questão “O celular afeta negativamente sua vida?”, três em cada dez internautas (31%) apontam que não. Por outro lado, 27% informam que se sentem afetados pelo dispositivo na hora de dormir e 23% indicam que o aparelho afeta o relacionamento com as pessoas, mesmo percentual dos que indicam distração com as tarefas diárias.

A pesquisa mostra também que 16% dos entrevistados apontam que o uso do smartphone atrapalha no âmbito profissional, quantidade similar de internautas que relata que o relacionamento com a família é afetado. Há também 12% que revelam ser afetados quando estão dirigindo e recebem ligações/mensagens, 9% que dizem que sua saúde é afetada de maneira negativa, 8% que se sentem afetados no ambiente escolar e 6% apontam que o smartphone atrapalha na vida sexual.

A pesquisa foi realizada de 18 a 22 de outubro de 2018, com 2.000 internautas das classes A, B e C de todas as regiões do Brasil.

5 PASSOS PARA COMBATER O VÍCIO

Esse tipo de vício já tem nome: nomofobia, ou o medo irracional de perder acesso ao celular (o nome vem do inglês “no mobile phone phobia”, que pode ser traduzido como fobia de não ter telefone móvel). Apesar de não ser considerada – ainda – uma fobia ou transtorno real, pode afetar a produtividade no trabalho, os relacionamentos pessoais e a qualidade do sono, impactando na qualidade de vida de modo geral.

É claro que as grandes empresas de tecnologia querem mais é que passemos mais tempo na tela – pense nas constantes notificações que você recebe dos aplicativos e na reprodução automática de vídeos no YouTube e na Netflix.

Harris durante um TedTalk
O especialista Tristan Harris, que trabalhou para a gigante Google, desenvolvendo formas de “viciar” o usuário

O especialista Tristan Harris, que trabalhava para o Google como eticista de design, onde idealizava estratégias para manter a atenção do usuário. Depois de sair da empresa, fundou o movimento Time Well Spent (ou tempo bem gasto, em tradução livre), para combater esse tipo de técnica.

Aqui, ele dá algumas dicas de como escapar -ou, pelo menos, minimizar- o vício:

1. 50 tons de cinza

Cores brilhantes funcionam como recompensas para o cérebro. Ao configurar o telefone em uma escala cinzas, essas recompensas são eliminadas.

Como mudar: clique em Configurações > Geral > Acessibilidade > Mostrar adaptações. Ative os filtros de cor e configure-os em “escala de cinzas”. Em seguida, vá até a parte final de configurações de acessibilidade e ative “Acesso direto”, pressionando três vezes de forma rápida para alternar entre cinzas e cores.

Página inicial
Image captionCores da tela e dos aplicativos prendem o nosso olhar, diz Harris

2. Alerta mínimo

Sabe aquele monte de sinaizinhos vermelhos que indicam quantas notificações você não viu? Elas fazem com o celular vibre e emita sons o tempo todo, puxando nossa atenção para coisas pouco ou nada importantes. Destaive todas as notificações de aplicativos e deixe apenas os avisos pessoais ou profissionais -como whatsapp e messenger.

Como mudar: clique em Configurações > Notificações e desative todos os alertas, à exceção dos importantes para a comunicação pessoal ou profissional.

3. Dormindo com o inimigo

Para boa parte dos usuários, o celular é a primeira coisa que eles vêem, e também a última, antes de dormir. Isso é péssimo para a qualidade do sono. É preciso manter uma distância física do aparelho enquanto dorme. Harris sugere colocar o telefone para carregar em outro cômodo, e usar um despertador tradicional, para reduzir a dependência.

4. Operação limpeza

Uma mania frequente entre “viciados” em smartphones é abrir aplicativos sem necessidade a todo momento. Para minimizar essas ocorrências, Harris indica deixar na tela inicial apenas as ferramentas e apps tediosamente úteis, como câmera, relógio, previsão do tempo e bloco de notas.

5. Busca frenética

Eliminou os aplicativos “viciantes” da tela inicial? Coloque agora os mais chamativos em pastas – jogos, redes sociais, players de vídeo e música etc. Na hora de abrir, use a busca do celular. Isso vai dar tempo suficiente para você repensar a necessidade de acessá-lo naquele momento.