Mulheres em posições de comando aumentam lucro das empresas, mas só 7% chegam a presidência

Mulheres em cargos de comando

Uma pesquisa global com mais de 22 mil companhias identificou que empresas que aumentaram a presença feminina em 30% nos cargos de alta liderança tiveram um aumento de 15% em sua rentabilidade

Apesar de ter ganho força entre gestores, o discurso da diversidade nas empresas ainda não se tornou uma prática no Brasil – e em várias partes do mundo. De acordo com estudo realizado pelo Instituto Ethos, a porcentagem de mulheres em cargos de presidência continua abaixo dos 7%, tanto em pesquisas nacionais quanto internacionais. Homens brancos ainda são a maioria no comando das organizações.

“Um dos problemas da falta de diversidade dentro das empresas é o chamado viés inconsciente, que são preconceitos que estão presentes no inconsciente das pessoas. Esses vieses são construídos em contextos criados pela família, amigos, professores e sofrem forte influência da cultura. Assim, ao longo da vida, esse poderoso sistema de crenças fica gravado no inconsciente e muitos dos comportamentos que as pessoas têm nas corporações são guiados por aquilo que acreditam ser verdade”, explica Cris Kerr, CEO da CKZ Diversidade.

Por serem inconscientes, esses vieses são um dos grandes sabotadores que contribuem para que as mulheres não cheguem à presidência nem alcancem os cargos de alta liderança, pois influenciam negativamente a escolha dos líderes no momento da seleção, promoção, sucessão e avaliação de desempenho. “O viés de afinidade, por exemplo, é um dos responsáveis por preferirmos pessoas parecidas conosco e, muitas vezes, rejeitarmos aquelas que são diferentes”, complementa a especialista em diversidade.

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Mulheres na ciência ainda enfrentam preconceitos do século passado

Além do impacto do viés inconsciente e da desigualdade de gênero, as mulheres ainda hoje enfrentam outros desafios no mercado de trabalho, como a Síndrome da Impostora, que é um sentimento de não merecimento por suas conquistas e pelo sucesso alcançado. No ambiente corporativo, essa dificuldade é intensificada, pois os padrões exigidos das mulheres são mais altos que o dos homens. Assim, elas têm que se esforçar muito mais para provar sua competência.

O que muitas empresas ainda não sabem é que a diversidade também aumenta o desempenho financeiro do negócio. O Instituto Peterson de Economia Internacional realizou uma pesquisa global com mais de 22 mil companhias de 91 países, e identificou que as empresas que aumentaram a presença de mulheres em 30% nos cargos de alta liderança tiveram um aumento de 15% em sua rentabilidade.

Por isso, é importante criar um ambiente inclusivo que possa atrair e reter as mulheres nos cargos de alta liderança. “Incluir a diversidade na agenda estratégica das organizações é um excelente caminho para incentivar e motivar os colaboradores, aumentar a produtividade da equipe e ainda melhorar a performance financeira”, finaliza Cris.

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