Não me dê conselhos. Dê-me a paz que preciso para escolher

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Não me dê conselhos. Dê-me a paz que preciso para escolher

Quem me conhece bem sabe o quanto eu sou imparcial com relação aos assuntos que geram polêmica no mundo. Não é que eu não tenha uma posição política, religiosa ou de qualquer outro tema que se apresente, mas é que eu estou tão bem com as minhas posições, que me dou ao direito de respeitar aquilo que não vou mudar em mim, ao mesmo tempo em que respeito aquilo que pensa ou sente o outro.

E digo isso porque esses últimos meses no Brasil foram de muito debate, incitação ao ódio e violência de todos os lados e creio que todos nós, sem exceção e sem considerar o lado em que estávamos, vivemos de perto esse incômodo e angústia na alma. Vi amigos queridos brigando e desfazendo amizades de anos por divergirem em suas opiniões, vi meu grupo da família no WhatsApp se desintegrar… Mas à parte de tudo isso – e o assunto se enviesa para meu próprio caso agora – vi, vivi e estou vivendo a minha própria luta interna de maneira tão parecida como a que passou agora com as eleições (resguardadas as proporções, claro).

Me explico! Recentemente decidi voltar ao Brasil porque meus filhos sentem falta do pai deles e do resto da família. Como mãe, entendo que é importante considerar o sentimento deles e tomar uma decisão que não significa a redenção, mas uma pausa estratégica. Os meninos têm anos pela frente para estudar idiomas, definir suas carreiras no Brasil ou qualquer outro país. Assim que, depois de dias e dias maturando essa ideia, finalmente decidi e concretizei. Comprei os bilhetes e comuniquei a umas poucas pessoas da família minha decisão, não para pedir suas opiniões, mas simplesmente por consideração em avisar.
E foi aí que meu inferno pessoal começou.

De um lado os que acham que eu não devo ir. De outro os que acham que eu sim, devo ir.
De um lado, gente falando que não posso deixar meus filhos decidirem, que criança não sabe nada, que eu sou manipulável. De outro, gente que apóia, mas que quer decidir onde vou morar agora, como e onde meus filhos vão estudar, o que devo fazer ao chegar.
E no meio eu, que sou a única responsável por pagar as minhas contas sozinha, tendo que ver e ouvir as pessoas decidindo a minha vida e falando o que querem como se eu não estivesse ali. Claro que como qualquer mortal, me irritei e muito no começo. Quem fala o que quer, ouve o que não quer, não é verdade? Mas dessa vez decidi que não. Em vez de brigar e esbravejar com o mundo para justificar o que estou fazendo com a minha própria vida, decidi apenas para e observar como as pessoas se comportam.

Poderia fazer uma lista infinita sobre o que eu aprendi sobre isso e sobre minha capacidade de ser tolerante e paciente, mas ao final, deixo as minhas duas principais conclusões:  a primeira é que, melhor que um conselho que não foi pedido, é o silêncio merecido. Dê-se ao direito de permanecer calado e não se importar com o que digam sobre você.  Nesse momento, me sinto livre para ignorar qualquer palpite dado por quem quer que seja já que, no final, as consequências dos meus atos recaem unicamente sobre mim.
E a segunda e não menos importante, é que dá igual o que você faça por você, por sua família, amigos ou quem quer que seja… Sempre haverá alguém para reclamar e protestar. Então, entre agradar o mundo ou ao seu coração, agrade sempre o seu coração. Você não estará sempre certo e tudo tem consequências, mas mais feliz e satisfeito, com certeza estará.

O homem não é uma ilha, mas às vezes precisa liberar-se para naufragar em seus próprios ideais.