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Natal na pandemia: Papai Noel usa criatividade para manter a tradição

Isolamento social impôs dificuldades para o trabalho; profissionais se viram para minimizar queda na renda neste fim de ano.

Natal na pandemia: Papai Noel usa criatividade para manter a tradição
Reprodução/ Internet

Entra ano, sai ano, o Papai Noel é sempre a grande estrela na época de Natal. Nos shoppings , é tradição encontrar longas de crianças aguardando a vez de tirar uma foto e fazer seus pedidos. Só que em 2020, tudo está diferente. O isolamento social imposto pela  pandemia  causada pelo novo coronavírus fez com que os profissionais - em sua maior parte, idosos,  que fazem parte do grupo de risco - e estabelecimentos repensassem em soluções para não decepcionar quem espera pelo momento de ver o bom velhinho.

Shopping monta cabine para crianças falarem com o Papai Noel
Reprodução: ACidade ON
Shopping monta cabine para crianças falarem com o Papai Noel

“Não tenho contato com as crianças. Fico em uma sala da administração do shopping, onde montaram um estúdio. Lá, faço ligações que foram previamente agendadas pelos clientes e converso com eles. Começo ao meio dia e vou até às 17h, quando paro para ‘tratar das renas’. E volto às 18h. Também há pedidos de mensagem. Fora isso, no shopping há um telão, onde a gente atende as crianças”

Com experiências negativas, o Papai Noel Sergio Soares abandonou o trabalho presencial ainda em 2018. Ano ano passado investiu para abrir uma empresa para a vendade fotos, vídeos e até mesmo 'lives' com o grande representante natalino.

"A jornada é muito cansativa. A pessoa já é idosa, e a roupa é pesada, de inverno, usada em pleno verão, e o shopping coloca o Papai Noel onde é mais conveniente sob o ponto de vista das vendas. Mas não é, necessariamente, o lugar mais fresco. É muito calor e cansaço. Então, em 2018, decidi que não iria mais trabalhar em shoppings, e que iria começar a gravar os vídeos de ‘brincadeira’ para ver se funcionava", explica Sérgio.

Ele chegou a receber convites para trabalhar em shoppings neste ano, mas recusou. E o que era brincadeira, acabou virando virou trabalho. Hoje, Sérgio trabalha apenas de forma virtual, com a "Papai Noel online" : ele envia mensagens de vídeo personalizada - cada uma custa R$ 60. Parte do lucro arrecado é repassado para uma insituição de combate ao câncer infantil.

"Em 2019 eu criei a Papai Noel Online. São vídeo mensagens, e mal poderia imaginar que seis meses depois estaríamos vivendo essa situação de quarentena. Eu pensei: ‘poxa vida, esse ano é um grande momento de reflexão’, e o shopping percebeu que precisa do Papai Noel pra vender. O velhinho, abraçando as crianças, é importantíssimo para ele. Por outro lado, a receita que ele gere para quem trabalha como Papai Noel é igualmente importante. O que está faltando é um ponto de equilíbrio que seja bom para todos", explica, e afirma que devido à pandemia, a concorrência será maior no ramo virtual, mas que "há espaço para todos".

Já Orlando, que está trabalhando presencialmente - e com medo de se contaminar com a Covid-19. Por isso, está tendo o máximo de cuidado:

"Eu tenho preocupação, e tento me cuidar ao máximo. Lá eu fico totalmente isolado na sala, sem contato com ninguém. A gente tem um cuidado, mas mesmo assim eu não tenho muita confiança não”, afirma.

"Landão", como é conhecido, já prevê perda no faturamento comparado há outros anos, já que deixará de atender colégios, empresas e casas de famílias. Ele inclusive iria trabalhar na véspera do natal, no dia 24 de dezembro, "mas com o aumento da contaminação, eu cancelei todas (as visitas), e farei apenas por vídeo”.

Queda no faturamento

Sérgio Soares também compartilha da preocupação com a queda na renda, apesar de não ter números sólidos devido ao fato da 'grande temporada' das festas de final do ano terem se iniciado no final de novembro:

“Há uma preocupação em relação sobre como será neste ano, ninguém sabe, é uma grande incógnita", opina.

Mas o que os dois mostraram sentir mais falta é o calor humano e o contato com as crianças, ao relembrarem histórias marcantes:

"Doze anos atrás, uma cliente, que estava grávida na época, tirou foto comigo. Todos os anos seguintes ela voltou com o filho, que já está com 12 anos de idade, e ela fez um álbum com essa trajetória, então isso é uma coisa que eu não queria que acabasse", contou Orlando, que espera vê-los pelo telão neste ano.

Já Sérgio relembrou uma passagem que foi o 'start' para iniciar os vídeos:

"Em 2017 gravei um comercial para o Shopping Aricanduva, por volta das 6 da manhã a gravação acabou, e nós passamos a noite inteira gravando. Após isso, uma moça que trabalhava na produção pediu um áudio para seu filho, que não parava de chupar o dedo. Mas eu disse “Pera aí, áudio? Porque a gente não faz um vídeo?. Ao fim, ela adorou e ficou muito comovida. E eu também, que acabei chorando", lembra.

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