O que aprendi sobre o Brasil morando fora

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Estava aqui pensando no Brasil e em tudo o que passa por aí…

É engraçado como quando a gente está longe de “casa”, a gente tende a ver os móveis mais bonitos do que realmente são, as pessoas com quem convivemos muito mais amáveis do que realmente são, ou simplesmente nos damos conta do valor de tudo isso como sempre deveria ter sido, mas que nunca fomos capazes de enxergar.

Hoje, iniciando o mês em que vou completar um ano de vida em Madrid, é justamente assim que eu vejo o meu país. Bonito por natureza, cheio de comidas deliciosas que só tem aí, de uma gente alegre que sabe se divertir com pouco e que, apesar de todos os problemas, nunca deixa de sorrir e ser amável. Sim, porque brasileiro é de fato um dos povos mais cordiais do mundo! Educação não tem só a ver com estudo, minha gente…

E é nessa hora que a saudade aperta tanto que massacra o coração.

Enquanto todos meus amigos no Brasil dizem “não volta”, “isso aqui tá pegando fogo”, eu só consigo pensar no quanto a minha vida por aí era boa e eu sequer imaginava. No quanto meu coração anseia por voltar, independentemente do #elesim ou #elenão…

Um ano fora me faz pensar, repensar e perguntar-me todos os dias o que exatamente eu vim fazer tão longe… Eu tinha um ótimo emprego, um bom salário, criava meus dois filhos com todo o conforto. Mas, claro, como todo mundo eu queria mais! O bom e velho sonho estrangeiro do “mais e melhor”. Queria dar uma boa educação aos meus filhos. Criá-los bilíngue. Trilingue. E na minha inocência me esqueci que antes de falar tantas línguas, era preciso ouvir o coração deles também. E o meu!

Hoje, com uma casa alugada e um emprego que me paga o justo para sobrevier – o salário não chega ao fim do mês e tenho que contar com trabalhos extras que faço justamente para o… Brasil – confesso que não tenho mais aquela alegria que tinha quando vivia por aí… Sinto falta dos meus amigos, da família, de falar o meu idioma, de fazer churrascos no domingo e deixar para me preocupar com as contas só na segunda.

Escuto meus filhos pelos cantos murmurando que em uma hora dessas, no Brasil, estariam com fulano ou ciclano brincando, que teriam viajado para a chácara da Nona, que estariam na praça jogando futebol. Aqui não tem Nona, nem amigos para o futebol. Não como os daí.

Claro que nem tudo é sofrência. Aqui se vive bem com pouco. Tem lugares lindos para se visitar. Tem praças para todos os lados também. Tem segurança, muita segurança.  Mas deixo aqui a minha pergunta para vocês, que é a mesma que ando me fazendo há algum tempo e não encontro a resposta: até que ponto vale a pena estar longe de quem amamos por ter “mais segurança”?

O Brasil é lindo e tem tudo para fazer a gente feliz. O problema é que, infelizmente, só nos damos conta quando perdemos…