Ortorexia: quando a alimentação saudável vira transtorno alimentar

Ortorexia: quando a alimentação saudável vira transtorno alimentar
ortorexia nervosa

A ortorexia nervosa é um distúrbio alimentar pouco discutido na comunidade médica, tanto por ser algo relativamente novo quanto por, a princípio, ser focada em alimentação saudável. A desordem caracteriza-se pela preocupação obsessiva em consumir alimentos considerados naturais, orgânicos, não industrializados, etc. A condição evolui gradativamente para uma dieta cada vez mais restritiva baseada em produtos limitados, o que pode levar à desnutrição e posteriormente à anorexia.

Ortorexia e transtorno alimentar

Apesar de ser reconhecida como um transtorno, a falta de evidências e estudos sobre o assunto faz com que a ortorexia nervosa ainda não conste na quinta edição do Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), da Associação Americana de Psiquiatria. Para acessar os riscos de incidência do transtorno na população, principalmente entre os mais jovens, pesquisadores da Universidad de Castilla-La Mancha, na Espanha, realizaram uma pesquisa com os estudantes da instituição de ensino.

O estudo multicêntrico contou com 454 participantes, 295 mulheres e 159 homens, entre 18 e 41 anos. Os indivíduos responderam dois questionários sobre hábitos alimentares, o ORTO-11-ES e o Inventário de Distúrbio Alimentar (EDI-2). Os pesquisadores analisaram as respostas e definiram o risco para o desenvolvimento de ortorexia nervosa.

Resultados

De acordo com a pontuação do ORTO-11-ES, os resultados sugerem que 17% dos participantes corriam risco para o desenvolvimento de ortorexia nervosa. No entanto, as conclusões do EDI-2 para o grupo de risco foram insignificantes em comparação ao restante dos estudantes que responderam às perguntas, apesar de haver neste grupo uma tendência maior à magreza excessiva (17,1% vs 2,1%), bulimia (2,6% vs 0%), insatisfação corporal (26,3% vs. 12,4%), perfeccionismo (14,5% vs 4,8%), consciência interoceptiva (13,2% vs 1,3%), ascetismo (15,8% vs 3,7%) e impulsividade (9,2% vs 1,9%).

Os resultados apontam que muitos aspectos psicológicos e comportamentais relacionados aos distúrbios alimentares são comuns nos participantes pertencentes ao grupo com alto risco para o surgimento da ortorexia nervosa.