Os Melhores Anos das Nossas Vidas, da Rede Globo

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Lázaro Ramos

Apresentador do programa faz 40 anos em novembro, fala de suas lembranças e o que espera para o futuro.

Ator, apresentador, diretor, produtor e escritor, Lázaro Ramos se divide entre as mais diversas funções na TV, teatro e no cinema. Como apresentador, comandou ‘Lazinho com Você’, na Globo. É um dos mobilizadores do ‘Criança Esperança’ desde 2015 e esteve à frente dos quadros ‘Instinto Humano / Os 5 Sentidos’, ‘Os 7 Pecados Capitais’ e ‘O Curioso’, exibidos no ‘Fantástico’, entre 2005 e 2010. Como ator, participou de cinco novelas sendo indicado ao Emmy em 2007 pelo personagem Foguinho, de ‘Cobras e Lagartos’, séries como ‘Pastores da Noite’, ‘Sexo Frágil’, ‘Ó Pai Ó’, entre outras, e recentemente protagonizou ‘Mister Brau’ ao lado de Taís Araújo.

Você está à frente de um programa que vai resgatar cinco décadas. O que mais chamou a sua atenção em ‘Os Melhores Anos das Nossas Vidas’?

É um programa totalmente diferente de outros formatos que eu apresentei. Um bate papo agradável num fim de noite, mais relaxado, para divertir as pessoas. É uma sensação inevitável de nostalgia a cada exibição de antigas imagens, uma coisa boa de poder rever e resgatar a memória afetiva das pessoas, além da minha também. Gosto muito da parte informativa do programa e de ter a oportunidade de relembrar as notícias, as músicas e filmes, e aprender. Acima de tudo é uma festa boa de estar. O bacana é que ele também gera reações muito espontâneas. Se você vê alguma coisa que te lembra algo,  automaticamente, lida com a memória e com o seu emocional. É uma grande festa, na qual todo mundo se reúne para falar de fatos marcantes que aconteceram no nosso país e no mundo.

OS MELHORES ANOS DE NOSSAS VIDAS

 

Você nasceu na década de 70, viveu a infância nos anos 80, foi adolescente nos 90, construiu família e estreou na TV nos anos 2000… Podemos dizer que, com exceção da década de 60, você tem muitas memórias de todas as décadas que serão mostradas nos programas?

Tenho lembrança de todas as décadas, mas não tenho uma memória muito forte, apesar de ser ator e ter que decorar texto constantemente. Então, muitas das coisas eu estou lembrando agora. Porque, às vezes, você está vivendo a vida e vai guardando tudo no HD. O legal do programa tem sido isso. Eu tenho o hábito de pesquisar, consultar a internet para descobrir coisas, mas é possível que eu conheça muita coisa junto com o público durante o programa. Acho que vamos rever muitas coisas e nos perguntar: “Como fazíamos isso naquela época?” Ou rever algo divertido e inusitado e dizer: “Quem nunca na vida?”. Outro dia mesmo estava lembrando o hábito de enfeitar a árvore de Natal com caixas de fósforo na infância, por exemplo. A família toda reunida nesta função. Era muito gostoso. São coisas singelas e afetivas e que acredito que vão fazer o público voltar no tempo também.

Você se considera uma pessoa nostálgica?

Sim, muito. Gosto de rever filmes, identificar detalhes e passagens que até então não havia notado, escutar músicas antigas e ser apresentado a canções criadas no passado. Aquela velha história de “Na minha época”, “naquele tempo”… é muito recorrente. Acho que através do programa o público terá a oportunidade de reviver muitas coisas e os mais jovens também serão apresentados a várias novidades “antigas”.

Quais são as suas lembranças mais remotas e marcantes das décadas de 80 e 90?

Acho que tudo relacionado à música e cinema. Foi a época que comecei a me interessar mais por esses temas. Assistia a um filme por semana. Foi quando começou a minha paixão pelo cinema. Adoro as músicas dos anos 80 e 90, vivi isso intensamente. Lembro as dancinhas até hoje (risos). Por exemplo, a música ‘Palpite’, de Vanessa Rangel, grudou na minha cabeça. Quando passava na novela eu cantarolava o tempo todo. É uma época também de formação de identidade, e as produções culturais me ajudaram muito nisso, a de formação cidadã. Então várias das coisas que aconteceram no ativismo social, na política do país, na transformação tecnológica, eu acompanhei intensamente. Fui um jovem que pude viver as grandes transformações que a tecnologia trouxe: celular, internet, uso do computador para outras funções, além de escrever, tudo isso eu me lembro com muito carinho.

Você tem algum hábito que adquiriu na infância e na adolescência e que permanece até hoje?

Ainda tenho o hábito de escrever cartas. Escrevo, mas não mando. É algo que me acompanha até hoje. Também ainda envio e-mails (risos). Não fico satisfeito em mandar só mensagens de texto não. Sou apegado a algumas coisas. E, com relação a música, gosto muito de descobrir artistas e músicas antigos.

Agora em novembro você completa 40 anos. Considera uma idade emblemática? Como você se vê daqui a alguns anos?

Estou prestes a fazer 40 anos e acredito que vivi vários dos fatos que serão mostrados no programa, mas muitas coisas, principalmente dos anos 60 e 70, eu desconheço. Então eu sempre mato alguma curiosidade ou descubro algo novo. E é sempre bom revistar a sua própria história. Aonde eu cheguei eu nunca me imaginei. De onde eu parti, eu sou apegado ao fato de reafirmar valores e refazer laços de conexão, preservar amizades etc. Como eu me vejo no futuro? Eu não tento fazer planos. Sonho muito e o tempo todo. Quero continuar trabalhando, sonho em manter relações que eu prezo e, que às vezes se perdem com o passar do tempo e com a correria do dia a dia. Também sonho em ver meus filhos crescendo. Esse programa é de aprendizado constante.

Se pudesse voltar no tempo, que experiências e vivências gostaria de viver?

Se eu pudesse voltar no tempo, acho que ia acompanhar uma turnê dos Doces Bárbaros, na época do ‘Tropicalismo’. Iria conviver com esses artistas incríveis, Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil e Maria Bethânia, e muito junto com eles na plateia.