Psicóloga fala sobre a importância de estar aberto a mudanças

Mudanças

Variar alguns aspectos da rotina pode ser muito benéfico para nossa saúde física e mental

Priscila acorda cansada, sem ânimo, sem disposição. Pensa no dia que tem pela frente e se sente desmotivada. Não que sua vida seja ruim: ela tem um casamento estável, filhos já crescidos e um emprego gratificante. No entanto, Priscila sente que falta algo em sua vida. Todos os dias são iguais, não há mais novidades, surpresas, imprevistos.

Letícia se sente infeliz. Não gosta de seu emprego, está passando por uma fase ruim com seu namorado e seu humor está cada vez pior. Sente-se desmotivada e se levantar toda manhã se tornou um fardo. Está perdida e não sabe o que fazer.

Todos os indivíduos, jovens ou maduros, passam por fases que exigem mudanças. Seja porque tudo está muito previsível e tedioso, seja por insatisfação ou infelicidade.

“Não precisa ser necessariamente uma grande mudança, mas variar alguns aspectos de nossa rotina pode ser muito benéfico para a nossa saúde física e mental”, afirma Lúcia Moyses, psicóloga, neuropsicóloga e escritora, autora dos livros “A Mulher do Vestido Azul”, “Não Me Toque” e “Um Copo de Veneno”, entre outros .

Mudanças exigem coragem

Mudar nunca é fácil. Há pessoas que preferem continuar na mesmice, na dor para não ter que enfrentar os riscos que uma mudança causaria.

Alguém insatisfeito com seu emprego poderia pedir demissão e procurar outro trabalho, mas há um risco envolvido. O mesmo vale para uma mulher infeliz no casamento, mas que teme um futuro solitário. “Sim, mudanças não são fáceis. Exigem coragem, disposição. No entanto, quando não estamos felizes, que outra opção temos?”, questiona Lúcia.

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Em busca da tal felicidade, por Lilian Schiavo

Há duas consequências possíveis para uma mudança: tudo pode dar errado, caso em que o indivíduo continuará tão infeliz quanto antes; ou tudo dar certo, e o resultado será uma vida nova, mais prazerosa e gratificante.

Cuidado com mudanças radicais

Uma mudança não precisa ser radical. Mudanças pequenas também fazem a diferença.

O importante é avaliar os prós e os contras. Uma pessoa que se sentiria muito mais infeliz sozinha do que com um marido deve pensar duas vezes antes de se separar. Porém, a separação não é única mudança possível. Uma conversa aberta com o companheiro, uma avaliação sincera do que está errado naquela relação ou até mesmo uma terapia de casais pode ajudar na reconciliação e trazer menos sofrimento a ambos.

“Às vezes, pequenas mudanças já são suficientes para melhorar a vida da pessoa. Às vezes, no entanto, é preciso pensar grande e correr o risco. Às vezes é preciso demolir uma casa totalmente para construir um lindo prédio de três dormitórios”, diz Lúcia.

A magnitude da mudança necessária depende do nível de insatisfação com a vida e o quanto essa mudança influenciaria nessa insatisfação. “É preciso bom senso e sinceridade quando analisamos nosso bem-estar.”

Será que realmente queremos mudar?

Há outra questão muito importante: o quanto as redes sociais influenciam a forma como o idivíduo vê a própria vida?

Facebook e Instagram são a terra da felicidade. “Todos vivem maravilhosamente bem. Todo escancaram seu amor, seu sucesso, sua família perfeita. Quantas vezes não olhamos para a vida do outro e achamos que é infinitamente melhor do que a nossa? O quintal do vizinho é sempre mais verde. Mas será que é mesmo?”, questiona a pasicóloca.

Cabe a cada um olhar para dentro de si mesmo e questionar. Não há vida perfeita. Todos têm problemas, todos têm altos e baixos, mesmo que nas redes sociais só se enfatize os bons momentos.

“Precisamos olhar para a nossa vida com uma lente imparcial. Será que precisamos mesmo nos mudarmos para Portugal? Virou moda ir morar em Portugal. Só se falava nisso nas redes sociais. País maravilhoso que acolhe bem os brasileiros aposentados. No entanto, nem todos se deram bem com essa experiência. Venderam ou alugaram suas casas no Brasil, não se adaptaram, querem voltar e não sabem como. Quem disse que a experiência do outro vale para todo mundo?”, afirma.

Antes de qualquer mudança, é preciso olhar a fundo e com sinceridade para o próprio Ego, para o Eu verdadeiro, e ter certeza de que não se está simplesmente seguindo a moda.

Chega de desculpas

Uma vez que se identifica a real necessidade de mudança, é preciso ficar atento às desculpas para não agir imediatamente. “Nosso instinto de preservação não quer sofrimentos, não quer apanhar da vida, por isso, muitas vezes continuamos na mesmice, para não corrermos o risco de sofrer”, diz Lúcia.

Dizem que as pessoas nunca nos arrependem do que fizeram, e sim do que deixaram de fazer. A vida poderia estar pior, mas poderia, também, estar muito melhor. Essa dúvida acarreta o sofrimento do arrependimento, e quanto mais infelizes, maior a certeza de que a mudança teria sido melhor.

Isso implica em jogar tudo para o alto e fazer o que der na telha? Não. Mudanças exigem coragem, mas também responsabilidade e coerência.

Como saber, então, se está na hora de mudar. E como mudar? “A infelicidade sempre indica que precisamos mudar alguma coisa. Pode ser alguma coisa pequena, ou talvez a mudança tenha que ser mais radical”, diz a psicóloga.

“Quem pode nos dizer a hora de mudar e como mudar? Somente nós mesmos. Ninguém mudará nossa vida por nós. Você pode preferir não correr riscos. Você pode preferir não mudar nunca. Mas a infelicidade tem seu preço e as oportunidades passam”, conclui Lúcia.

O importante é que, depois da mudança, o indivíduo não caia na tentação do arrependimento. Arrepender-se é inútil. A mudança já se concretizou. Se deu certo, ótimo. Se não deu, talvez seja o caso de mudar novamente. Se o mundo vive em mudança, por que não o homem?

Para aquele que está em sofrimento, mas não consegue mudar de forma alguma, um aconselhamento psicológico ou uma terapia podem ser de grande valia. Não é preciso sofrer sozinho.

“O único sucesso que podemos ter na vida é a nossa felicidade. Vale a pena lutar por ela. Se isso exige mudanças, vamos à luta. Mude grande, mude pequeno, mas mude”, finaliza.

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