Saudades das Cartas de Amor

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A gente manda beijo sem estar beijando, abraços sem estar abraçando, manda meu bem sem estar querendo. A gente manda ver sem estar vendo, termina sem ter começado e ama sem estar amando. A gente dá condolências sem estar sofrendo, meus pêsames sem sentir o peso e diz até mais para quem nunca foi nada até aqui.

Saudades das cartas de amor que demoravam um mês para ir e outro para voltar e as pessoas se garantiam na palavra empenhada. Saudades de quando os emoticons eram expressões à disposição da alma e apenas o olhar tinha permissão para teclar.

Saudades das notícias verdadeiras adquiridas em jornais comprados com o pão da . Saudades dos amores que pareciam plainar em asas serenas; em voos longínquos sobre terras e oceanos  como beijo que a gente começa e faz tudo para não mais acabar.

Saudades de quando a saudade era uma espera segura como  um criança que lança um barco de papel na enxurrada para um outro menino o recolher na rua de baixo.

Quantas palavras numa folha em branco são ditas nas dobras de um barco…

Saudades de quando as palavras eram imaginadas no sublime percurso de uma carta.

Por João Bosco Pereira Alves
Membro da Academia Valadarense de Letras

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