Sob o céu de um outro tempo

Sob o céu de um outro tempo

Tenho certeza que acordei no mundo errado. Não era para ser agora, seria muito antes ou muito depois. Tenho certeza. Tantas metades não são para mim. Não dá. As expectativas de vida estão aumentando proporcionalmente à desvalorização dos encontros.  Vida pensada em laboratório. Comprimidos, todos iguais. Vivemos como comprimidos nas prateleiras. Nosso senso de utilidade é específico, limitado.

            Nasci diferente num mundo que me quer igual. Do que ensino me devolvam sessenta por cento. Para as diversas dores a mesma capsula.       
Quanto você pode pagar?

            Que planeta é esse? Que ruas são essas? Que sorriso é esse? Não se pode manter uma palavra pelo menos até o outro dia? Não se pode cumprir um trato? É necessário seguir regras de não entrega, de não interesse?

            Tenho certeza de que acordei num tempo errado. Onde estão as mandrágoras?

            Onde estão as cianomatas, onde estão os esdumichos, os carconados e os espirilotus?

Por João Bosco Pereira Alves
Membro da Academia Valadarense de Letras

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