Trauma na infância: As crianças se fecham

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O dia em que Luis testemunhou a morte de seu pai diante de seus olhos é um ponto de virada em sua vida. Desde então, a criança de 12 anos mal consegue se concentrar na escola, muitas vezes parece completamente ausente e, de repente, tem ataques de pânico com crises de choro. O pior é quando Luis está sozinho em casa. Ele não se atreve a fazer mais nada por conta própria, ir para a escola é uma tortura.

Um trauma assim pode acontecer a qualquer um a qualquer momento. Os efeitos são devastadores. As crianças se fecham e se tornam indefesas, algumas até mesmo insensíveis, e em alguns casos extremamente agressivas, como Marcus, de 8 anos, que foi vítima de violência e agora tem surtos, se agride descontroladamente ou ataca os animais de estimação da família.

O mundo infantil é um mistério como o de João de 2 anos. Devido a uma dor de ouvido muito forte, ele foi levado para um hospital onde fez uma infusão muito dolorosa. Os pais tiveram que segurá-lo quando se batia e gritava de dores. Desde então, ele tem um grave transtorno pós-traumático. Agora, ele é introspectivo, nervoso e às vezes chora descontroladamente. Não consegue mais ficar deitado e acaba adormecendo sentado. Um drama para a criança e seus pais.

Crianças com quadros como estes precisam urgentemente de um terapeuta e de ajuda. Sabemos hoje que o trauma na infância geralmente resulta em graves conseqüências a curto e longo prazo. Os principais sintomas são semelhantes aos da síndrome de estresse psicotraumático em adultos:

1. Estar sempre relembrando o trauma (flashbacks)
2. Apresentar comportamentos repetitivos. No “jogo traumático”, as crianças repetem constantemente o evento que provocou o trauma, e as crianças muitas vezes não têm consciência da relação entre o jogo e o evento
3. Sentir muito medo. O sentimento, em geral, está relacionado ao trauma e se repete quando a criança se lembra da situação
4. Mudança repentina de comportamento com as pessoas, e de postura em relação à vida. Perda de confiança e expectativas negativas sobre o futuro

Nem todas as crianças falam sobre experiências estressantes. No entanto, após o trauma, eles apresentam comportamentos que não foram observados antes. Muitos são deprimidos e apáticos, ou tornam-se excessivamente ativos (hiperativos) e tirânicos,. Após o trauma, eles procuram controlar tudo a sua volta, até mesmo seus pais, o que pode levar a mais complicações e conflitos, agravando o quadro.

Como nos adultos, o trauma em crianças é causado por eventos trágicos como acidentes, catástrofes, guerras, episódios de violência, morte súbita de
parentes etc. Além disso, outro fator é a convivência com pais ou parentes violentos e abusivos, pessoas com distúrbios mentais ou dependentes de álcool e drogas. As crianças são particularmente vulneráveis a separações prolongadas de seus cuidadores e de seu ambiente familiar. Quanto mais jovens eles são, mais forte é o impacto da separação ou evento traumático. Tratamentos e intervenções médicas também são fontes de traumas infantis. São situações em que, geralmente, a criança é separada dos pais ou cuidadores, o que agrava o sentimento de desamparo e insegurança.

Um bom tratamento pode reduzir significativamente a suscetibilidade da criança a lesões mentais. Você já observou como seu filho reconhece os perigos? Se algo incomum acontece, ele parece à primeira intrigado e olha para sua mãe ou seu pai. Se eles não estão preocupados, a tendência é que a ela também fique tranquila, pois as crianças seguem a reação dos pais. Por isso, quando um evento trágico acontecer é importante que os adultos mantenham a calma, o que não é nada fácil quando um desastre acontece. Nestas situações, procure:

1. Conversar com as crianças
2. Se você já teve uma experiência angustiante, verifique se deseja conversar com seu filho sobre isso e se é o momento certo
3. Tente compartilhar sua esperança por uma nova vida após o trauma, pelo menos até certo ponto
4. É claro que não faz sentido sobrecarregar seu filho com detalhes medonhos. As crianças conseguem captar o estado de espírito e os sentimentos dos pais mesmo sem muitas palavras
5. Neste sentido, elas também percebem quando os adultos estão muito angustiados e ficam aflitas se não entendem o que está acontecendo. Por isso, é importante explicar a situação com delicadeza, transmitindo segurança

Na fase de separação é necessário preparar a criança. Explique-lhe quando será, onde está a mãe ou o pai e quando voltam e onde ela pode encontra-los. Faça primeiro períodos separação de curto prazo, para que a criança entenda que será bem cuidada pela outra pessoa e que os pais voltarão para buscá-la. Uma súbita separação pode provocar expectivas e muita preocupação nas crianças, levando-a até mesmo desenvolver síndrome do pânico. Algumas crianças apresentam um comportamento apático, mas isso não quer dizer que ela não está sofrendo ou com dificuldade de adaptar-se à nova situação.

A longo prazo, experiências de separação excessivas têm consequências significativas, tanto na infância quanto na vida adulta. Estamos falando do chamado “dano por privação” (do latim “deprivare”, que significa “ser privado do apoio necessário”). A consequência mais comum é uma tendência a reações depressivas, que às vezes podem persistir ao longo da vida ou chegar ao suicídio.

Existem algumas medidas para evitar danos de privação ao seu filho:

– É importante que várias pessoas da família participarem, desde cedo, do cuidado da criança. Assim, sempre haverá um substituto de confiança disponível.
– O ideal é, no primeiro ano de vida, a criança fique sob os cuidados dos pais, pessoas bem próximas da família ou de babá de confiança. Caso tenha que ficar em uma creche, o local deve oferecer atendimento individualizado.
– Se a criança estiver hospitalizada, os pais devem visitar a criança diariamente e participar nos cuidados e preparação da criança durante os procedimentos médicos.
– Procedimentos médicos só devem ser tomadas se a criança estiver calma e segura.
– Tanto creches quanto hospitais devem ser preparados para atender à necessidade da criança e ter cuidadores permanentes.
– Se um cuidador (pai, mãe, avó, tia etc) morrer prematuramente, a criança deve estar sensivelmente preparada para a mensagem da morte.

Os traumas infantis podem ser curados?

Sim, esta é a boa notícia. Basicamente, o tratamento é similar ao utilizado nos traumas em adultos. Em primeiro lugar, é preciso estabelecer uma relação de confiança e apoio, transmitir segurança e proteção ao seu filho. Também é importante se acalmar diante de situações drásticas. Se você estiver tranquilo, seu filho também ficará bem. Por último, seja receptivo às reações e sentimentos da criança. Permita que ela se expresso sem julgar ou proibir suas reações. Não diga que ela não deve chorar quando está triste, irritada, ansiosa ou quando sente dor. Seja empático, estimule-a a expressar seus sentimentos e dê o apoio necessário para que ela possa superar a situação sem traumas.

Francisca de Lima é psicóloga, psicoterapeuta e coach-mental
Vive em Hamburgo, na Alemanha

Oferece tratamentos e Coaching – Online

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