Vacinar, sim ou não? Um guia fundamental

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O infectologista Guido Carlos Levi e os pediatras Monica Levi e Gabriel Oselka fazem neste livro uma defesa veemente em favor da vacinação. Para eles, os antivacinistas estão na contramão da história, já que milhares de pessoas se beneficiam da imunização há mais de 300 anos. O mais complicado, segundo eles, é que não existe respaldo científico para muitas afirmações e, pior: os movimentos contrários têm feito ressurgir epidemias que se consideravam erradicadas.

Desde o surgimento da primeira vacina, no fim do século XVIII, centenas de milhares de mortes foram evitadas e dezenas de moléstias, combatidas. Estima-se que, nos últimos dois séculos, as vacinas proporcionaram um aumento de cerca de 30 anos na expectativa de vida da população mundial. Porém, nos últimos anos, um grande movimento internacional contra as vacinas tem chamado a atenção de pais, profissionais de saúde e educadores. No livro Vacinar, sim ou não? Um guia fundamental (96 p., R$ 42,80), da MG Editores, o infectologista Guido Carlos Levi e os pediatras Monica Levi e Gabriel Oselka oferecem informações completas e seguras sobre as vacinas, seus benefícios, seus possíveis eventos adversos e os aspectos legislativos e éticos a elas relacionados.

“Partindo de informações contraditórias e de dados sem comprovação científica, grupos de médicos e leigos divulgam fatos negativos sobre as vacinas e fazem veementes apelos contra seu uso”, afirmam os autores. Segundo eles, essa decisão, que de início parece individual, tem consequências coletivas, fazendo por vezes ressurgir epidemias que se consideravam erradicadas. Quem são os antivacinistas? Que argumentos usam? Em que fontes se baseiam? Que respostas a ciência dá a seu raciocínio? Quais são os aspectos legais e éticos, no Brasil e em outros países, ligados à recusa de vacinas?

Considerando extremamente importante o debate aberto desses temas, além de informações e análises a esse respeito, os especialistas apresentam, ao longo da obra, um histórico do surgimento e da consolidação das vacinas, os benefícios da imunização para a saúde individual e coletiva, os mitos – pseudocientíficos e religiosos – associados a elas – como o de que a vacina tríplice viral provoca autismo –, as respostas da ciência a esses mitos e as consequências da não vacinação para os indivíduos e a comunidade.

De acordo com os especialistas, as vacinas tiveram papel crucial no aumento global da expectativa de vida, sendo reconhecidas, entre todos os avanços da medicina, como a principal intervenção que possibilitou reduzir o número de óbitos. Segundo dados do Centers for Disease Control and Prevention (CDC), dos Estados Unidos, as vacinas evitaram naquele país, entre 1994 e 2013: 322 milhões de casos de adoecimento; 22 milhões de hospitalizações; 732 mil mortes prematuras. Com isso, geraram ainda uma economia de 295 bilhões de dólares em custos médicos diretos e de 1,38 trilhão de dólares de custo social total. “Além de salvar vidas, as vacinas são capazes de trazer economia à saúde pública”, complementam os autores.

“No Brasil, podemos considerar nossos índices de vacinação infantil muito satisfatórios, entre os melhores do mundo”, avaliam eles. Já o panorama de imunização de adolescentes, adultos, idosos e gestantes é bem diverso, sendo ainda necessário muito esforço para elevar seus índices vacinais. “Medo e incerteza sobre a segurança das vacinas com certeza desempenham papel relevante na aceitação insatisfatória dos agentes imunizantes indicados para esses grupos”, complementam.

No entanto, segundo os autores, grande parte dos que não se vacinam tem outro motivo, que é o simples desconhecimento da utilidade (e disponibilidade) das vacinas para eles indicadas. “Por isso, é necessário reverter a subutilização de ferramentas seguras e eficazes para proteger contra tantas mortes prematuras, além de sofrimentos e sequelas que poderiam ser evitados”, alertam os médicos.

“Devemos permanentemente divulgar a importância das vacinas e sua utilidade na proteção da saúde”, finalizam, lembrando que esse é um campo que não permite acomodação, sob pena de retrocessos inaceitáveis numa área que seguramente representa o maior presente que a medicina já ofereceu à humanidade.

Os autores

Guido Carlos Levi é médico infectologista, tendo se dedicado nos últimos anos principalmente ao campo das imunizações. Foi diretor técnico do Instituto de Infectologia Emílio Ribas de 1995 a 2001. É membro do Comitê Técnico Assessor em Imunizações do Ministério da Saúde e da Comissão Permanente de Assessoramento em Imunizações da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, além de diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).

Monica Levi, pediatra, sempre se dedicou à área de imunizações. Foi presidente da regional de São Paulo da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e atualmente faz parte da diretoria nacional, além de presidir a Comissão de Calendários e Consensos da entidade. Exerce também a especialidade de Medicina de Viagem, sendo membro do Comitê de Medicina de Viagem da SBIm.

Gabriel Oselka foi professor associado do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Atualmente, é membro do Comitê Técnico Assessor em Imunizações do Ministério da Saúde e da Comissão Permanente de Assessoramento em Imunizações da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo. É presidente da Comissão de Bioética da Sociedade Brasileira de Imunizações.