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Com a doação, a ideia é que a empresa continue existindo como é hoje; os sócios seguirão na companhia, mas como funcionários
Os donos do Grupo Gaia, que atua no mercado financeiro, vão doar o negócio a uma organização não-governamental (ONG) que irá desenvolver projetos de impacto social, como a criação de moradias populares. Segundo João Paulo Pacífico, um dos sócios da companhia, a ideia com a doação é ser coerente com o que tem sido defendido por eles.
“Não adianta eu querer reduzir a desigualdade social e continuar acumulando recursos”, disse ele ao Valor. “Quero combater o vício em dinheiro que existe no mercado financeiro.”
Criado em 2009, o Gaia é conhecido sobretudo pela área de securitização. Desde a criação, foram, no total, R$ 20 bilhões securitizados, segundo Pacífico, que nos últimos anos passou a se dedicar mais aos negócios com impacto social.
Uma das operações com esse viés mais conhecidas foi a estruturação de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA), no valor de R$ 17,5 milhões, vinculados à produção de sete cooperativas de agricultura familiar, cujos membros integram o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
Com a doação, a ideia é que a empresa continue existindo como é hoje. Os sócios seguirão na companhia, mas como funcionários.
A securitizadora Planeta, que fazia parte do grupo, foi vendida em março deste ano para a Opea (ex-RB SEC). O valor, que não foi divulgado, também será repassado à ONG.
“Eu quero que no período de três a cinco anos cerca de R$ 1 bilhão seja direcionado para projetos de impacto social, considerando nossos recursos e de parte do mercado”, disse.
Pacífico, de 43 anos, começou a trabalhar no mercado financeiro há 23 anos, logo após sair da faculdade de engenharia. Hoje, ele diz ter uma condição financeira que considera estável, o que também o motivou a doar a companhia que criou. “Não estou fazendo voto de pobreza”, afirmou.
“Não é ruim você ter dinheiro, ele é importante. O que acontece é que às custas da ganância de alguns, outros acabam ficando sem”, disse. “Não sou comunista, mas acredito que o capitalismo predatório não dá certo.”
A doação da Gaia foi divulgada uma semana após vir a público a iniciativa no mesmo sentido do bilionário americano Yvon Chouinard, dono da Patagonia, marca de roupas e equipamentos voltados para atividades em ambientes externos.
Ele resolveu doar a companhia para uma ONG e para um fundo com a imposição de duas regras: a Patagonia deve permanecer independente e o lucro da companhia, de cerca de US$ 100 milhões anuais, deve ser investido em iniciativas para combater as mudanças climáticas e proteger o planeta, segundo informações do jornal “The New York Times”.

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