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Nos anos de 1990, uma comédia do cineasta Mario Monicelli fez muito sucesso mostrando as diferenças entre os componentes de uma típica família italiana, que se reúne para comemorar o Natal e recebem a notícia de que os avós pretendem ir morar com um dos fi lhos. As situações – muito divertidas – baseiam-se no jogo de empurra, uma vez que ninguém quer assumir essa responsabilidade.
É muito engraçado e, como toda comédia, exagera nas situações e no título. Porque, na realidade, se parentes discutem por coisas menores, geralmente estão unidos naquilo que é realmente importante.
Não é fácil falar sobre a família, apesar de o tema estar presente em nossas vidas todos os dias. Em casa, vivemos em família. No cinema ou na televisão, a família nunca deixa de estar presente, seja na forma de drama em novelas de horário nobre; seja em séries humorísticas. Nos últimos dias, até mesmo no discurso de quase todos os candidatos a um cargo eletivo, de presidente a deputado estadual, lá estava a defesa da família. E justamente por ser um assunto tão amplo e apaixonante, torna-se difícil escolher apenas um aspecto para tratar.

Uma família de 4.600 Anos
De qualquer forma, o que podemos destacar, sem sombra de dúvida, é a importância da estrutura familiar na formação de nossa sociedade. Não apenas da sociedade atual, mas também nas sociedades das várias épocas desde os primórdios do homem sobre o planeta.
Pesquisadores da Universidade de Adelaide, na Austrália, realizaram um exame de DNA nos restos mortais de quatro corpos encontrados juntos em um sítio arqueológico. Eles concluíram trata- -se de mãe, pai e dois filhos que viveram há mais de 4.600 anos. Esse ainda é o mais antigo registro genético de uma família em todo o mundo.
Mas o termo família só surgiu mesmo no Império Romano. É um tanto irônico, mas necessário ressaltar que o termo família não tem uma origem tão nobre assim. Ele vem da expressão latina “famulus”, que significava “escravo doméstico”. A família, com a acepção moderna desse termo, era designada no Império Romano como “família natural”, e para se referir ao relacionamento de pais e filhos, apenas. Só na Idade Média é que esse conceito se expandiu, com a complexidade criada pelos diversos casamentos e pelas novas famílias formadas.
Daquela época para cá, a verdade é que os grupamentos com base em casamentos e parentescos foram sendo constantemente influenciados por grandes transformações, como a Revolução Francesa, a Revolução Industrial ou o ambiente atual, marcado pela individualidade exacerbada, os pequenos apartamentos e vida corrida nas grandes cidades.
Mas, longe desses problemas representarem um perigo para os grupamentos familiares, eles mostram sua força como um núcleo afetivo e de apoio mútuo, representado pela cooperação entre seus membros, seja do ponto de vista afetivo, como financeiro, de trabalho, saúde etc.
A importância da família na orientação dos filhos – por meio da educação e transmissão de seus conceitos éticos e morais, além do seu encaminhamento ao mercado de trabalho e criação de uma nova família – é essencial na formação de uma sociedade mais sadia e produtiva. Na realidade, a família atua não apenas como um incentivador desses conceitos de união, amor ao próximo e ajuda mútua. A família contribui também para reprimir atitudes consideradas antissociais ou inadequadas, de acordo com a época ou a cultura.
Papa elege novas formas de viver em família
Há uma prova recente e inconteste das mudanças pelas quais o conceito de família passa. Em setembro desse ano, o Papa Francisco, diante dos meios de comunicação de todo o mundo, celebrou 20 casamentos, entre os quais o de uma mãe solteira com seu novo companheiro, cujo primeiro casamento havia sido considerado nulo. A mensagem não poderia ser mais clara: a Igreja Católica deve ser capaz de acolher em seu seio novas formas de viver em família, respeitando as mudanças exigidas pela vida moderna e os costumes vigentes. O encontro dos bispos da Igreja Católica, que reunirá, até 19 de outubro no Vaticano, 253 participantes tem a família como tema e pode esclarecer muitas questões relativas à visão da Igreja sobre a estrutura familiar atual, que é a base de nossa sociedade.
Outras culturas
Os critérios que definem uma família, na cultura ocidental, são os laços de sangue ou de pessoas unidas legalmente como no caso do casamento e das adoções. Outras culturas podem definir a família por critérios diferentes, como uma série de regras de afiliação e aliança aceitas pelos membros, como a poligamia (um homem e várias esposas), a Poliandria (uma mulher e vários esposos) ou até mesmo o incesto
Mas, sempre envolvendo costumes locais arraigados, nem sempre de fácil assimilação no Ocidente. O que é realmente importante notar é que o papel da família, seja em que qual cultura for, terá sempre o importante papel de contribuir para a formação de uma sociedade melhor.
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