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Especialista alerta para práticas que podem confundir o consumidor e reforça a importância de mais transparência na escolha
Uma boa noite de sono está diretamente relacionada à qualidade de vida e ao bem-estar. Dados do Global Sleep Survey 2025, realizado pela Ipsos para a ResMed, apontam que 73% dos brasileiros já perderam o sono pelo menos uma vez por semana em razão do estresse, enquanto 41% relatam dificuldade frequente para dormir ou permanecer dormindo.
Apesar disso, a escolha do colchão — um produto que pode acompanhar o consumidor por muitos anos — ainda é feita, muitas vezes, de maneira rápida e sem informações suficientes. Para Daniel Gonçalves, Coordenador de Qualidade do Produto da Luuna, alguns erros são recorrentes e podem levar a uma compra inadequada.
1. Escolher o colchão depois de apenas alguns minutos
Deitar no colchão por poucos minutos, ainda vestido e dentro de uma loja, não reproduz as condições reais de uso. O corpo pode levar alguns dias para se adaptar a uma nova superfície.
Por isso, o período de teste em casa é um diferencial importante. Ter a oportunidade de dormir no colchão por várias noites permite avaliar conforto, sustentação e adaptação de maneira muito mais precisa.
2. Confundir densidade com firmeza
Densidade e firmeza são características diferentes.
A densidade está relacionada à quantidade de material presente na espuma e pode influenciar aspectos como resistência e durabilidade. Já a firmeza corresponde à sensação percebida pelo corpo ao deitar.
Por isso, uma espuma de maior densidade não significa necessariamente um colchão mais firme ou melhor. A escolha deve considerar também o biotipo, a posição em que a pessoa dorme e suas preferências individuais.
3. Acreditar que quanto mais firme, melhor para a coluna
A ideia de que um colchão precisa ser extremamente duro para proteger a coluna é um dos equívocos mais comuns.
Mais importante do que a rigidez é o alinhamento adequado do corpo. O colchão deve oferecer sustentação suficiente para manter a coluna em uma posição confortável, ao mesmo tempo em que acomoda suas curvaturas naturais.
Um colchão adequado não é necessariamente o mais duro, mas aquele que proporciona equilíbrio entre suporte e conforto para quem irá utilizá-lo.
4. Associar a altura do colchão à qualidade
Um colchão alto não é, automaticamente, um colchão melhor.
A espessura pode resultar de diferentes combinações de materiais e camadas, e algumas delas podem acrescentar volume sem representar necessariamente maior qualidade ou durabilidade.
Na hora da compra, é importante observar a estrutura interna do produto, os materiais utilizados e a maneira como as diferentes camadas trabalham juntas para proporcionar sustentação e conforto.
5. Confundir garantia com vida útil
Outro ponto que merece atenção é a diferença entre garantia e vida útil.
O consumidor deve verificar cuidadosamente as condições apresentadas pelo fabricante, incluindo prazo, cobertura e situações previstas no certificado de garantia. Também é importante não considerar o prazo de garantia como uma promessa automática de duração do produto.
Ler as informações fornecidas pelo fabricante ajuda a evitar expectativas equivocadas e permite uma comparação mais consciente entre diferentes modelos.
Não existe um colchão ideal para todos
A escolha do colchão é individual. O que proporciona conforto e sustentação para uma pessoa pode não funcionar da mesma maneira para outra.
Por isso, o mercado vem investindo em soluções mais personalizadas, como colchões com diferentes níveis de firmeza em cada lado — uma alternativa para casais com preferências distintas —, recursos voltados ao conforto térmico e bases que permitem ajustes de altura e posição.
“O consumidor não deveria precisar decifrar o que está comprando. Boa parte do mercado se beneficia dessa falta de informação, e preferimos o caminho oposto: explicar, dar tempo de teste de verdade e entregar um produto que se adapta à pessoa, e não o contrário”, afirma Daniel Gonçalves.
A tendência ganha força em um mercado que segue em expansão. Segundo o IMARC Group, o segmento brasileiro de colchões movimentou cerca de US$ 750 milhões em 2025 e tem potencial para alcançar US$ 1,4 bilhão até 2034, impulsionado por investimentos em novos materiais, tecnologia e pela crescente busca por produtos associados ao conforto e ao bem-estar.
No fim das contas, escolher um colchão não deveria ser apenas uma questão de preço, altura ou aparência. A melhor escolha é aquela que considera as características do produto e, principalmente, as necessidades de quem vai dormir nele.
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