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Plataforma criada por universitários integra famílias, profissionais de saúde e clínicas e utiliza inteligência artificial para identificar padrões emocionais e comportamentais em tempo real.
O avanço da tecnologia tem aberto novos caminhos para apoiar a saúde, a inclusão e o desenvolvimento de pessoas com diferentes necessidades. No caso do Transtorno do Espectro Autista (TEA), ferramentas digitais vêm sendo desenvolvidas para ampliar a comunicação, facilitar o acompanhamento terapêutico e auxiliar famílias e profissionais na compreensão das necessidades de cada criança.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), obtidos a partir do Censo Demográfico de 2022, apontam que o Brasil possui cerca de 2,4 milhões de pessoas diagnosticadas com TEA, o equivalente a 1,2% da população.
Diante dessa realidade e da necessidade de soluções que favoreçam uma comunicação mais acessível e um acompanhamento individualizado, estudantes da UNIFG Pernambuco, integrante da Ânima Educação, desenvolveram uma plataforma baseada em Inteligência Artificial.
Batizada de Senses, a ferramenta reúne, em um mesmo ambiente digital, famílias, profissionais de saúde e clínicas. A plataforma oferece recursos de comunicação acessível, rotinas visuais, experiências interativas e acompanhamento personalizado da evolução das crianças.
Um dos principais diferenciais do projeto é o uso da Inteligência Artificial para interpretar padrões emocionais e comportamentais em tempo real, auxiliando na identificação do estado emocional da criança e oferecendo informações que podem contribuir para intervenções mais individualizadas.
Tecnologia a serviço da comunicação
De acordo com Vitor Gabriel Silva de Lima, estudante de Análise e Desenvolvimento de Sistemas da UNIFG Pernambuco e líder do projeto, a proposta surgiu da necessidade de tornar os recursos de comunicação mais acessíveis para crianças, famílias e profissionais.
“Nosso objetivo é tornar a comunicação mais acessível e oferecer aos profissionais e às famílias informações que apoiem decisões mais seguras e individualizadas. Com recursos personalizados e análises inteligentes, a plataforma promove maior autonomia para a criança, fortalece a expressão emocional e contribui para um acompanhamento mais eficiente ao longo do tratamento”, explica.
A iniciativa reúne uma equipe multidisciplinar, formada também por Sabrina Oliveira e Maria Eduarda Pereira, estudantes de Biomedicina, e Alinne Silva, estudante de Terapia Ocupacional.
A combinação de diferentes áreas do conhecimento permitiu que o projeto fosse desenvolvido considerando não apenas os recursos tecnológicos, mas também aspectos relacionados às necessidades clínicas, terapêuticas e comunicacionais das crianças.
Uma necessidade identificada durante a pesquisa
Segundo Vitor, a ideia do Senses surgiu a partir de uma pesquisa sobre TEA e Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), realizada durante uma disciplina do curso.
Ao aprofundar os estudos, ele percebeu que a identificação e a compreensão das emoções ainda representam desafios importantes, especialmente no acompanhamento de crianças mais novas, não verbais e com TEA que necessitam de maior suporte.
“Percebi que a identificação e a compreensão das emoções de crianças com essas características ainda eram muito manuais. A partir disso, aprofundei a pesquisa, conversei com mais de 30 clínicas em diferentes regiões do Brasil e validei a necessidade de ferramentas mais simples e acessíveis para a comunicação alternativa. Foi então que dei início ao Senses”, detalha.
A partir dessa investigação, o projeto passou a incorporar funcionalidades voltadas à comunicação alternativa e ao acompanhamento mais contínuo da evolução infantil.
Informações reunidas em um único ambiente
Além dos recursos destinados diretamente às crianças e às famílias, a plataforma também busca facilitar a rotina de clínicas e profissionais de saúde.
O sistema permite reunir informações como histórico médico, registros de consultas, exames, rotinas, indicadores emocionais e relatórios em um ambiente integrado.
A proposta é oferecer uma visão mais ampla sobre o acompanhamento da criança, facilitar a comunicação entre profissionais e responsáveis e contribuir para decisões mais individualizadas ao longo do processo terapêutico.
Outro recurso previsto na plataforma é a personalização automática da experiência do usuário. A partir das análises realizadas pela Inteligência Artificial, o sistema pode adaptar sons, estímulos e atividades de acordo com os padrões identificados, buscando tornar a interação mais confortável para cada criança.
Projeto avança para a fase de validação
O Senses está na etapa de conclusão do seu Mínimo Produto Viável (MVP), versão inicial que reúne as principais funcionalidades necessárias para testar e validar a proposta junto aos primeiros usuários.
Mesmo ainda em desenvolvimento, o projeto já começa a ganhar espaço fora da universidade. A iniciativa teve publicação recente no International Journal of Health Science e vem estabelecendo parcerias com organizações não governamentais vinculadas à UNIFG e com iniciativas desenvolvidas em conjunto com a Prefeitura do Jaboatão dos Guararapes.
As parcerias devem ampliar as possibilidades de testes e validação da tecnologia junto à comunidade.
Para Felipe Tenório, professor da UNIFG Pernambuco e orientador do projeto, iniciativas como essa demonstram a importância da aproximação entre conhecimento acadêmico, inovação e demandas sociais.
“Projetos como o Senses têm alta relevância tanto para o desenvolvimento da pesquisa quanto para a formação dos próprios estudantes dentro da instituição de ensino. Além disso, representam uma devolutiva à sociedade do conhecimento adquirido e das soluções desenvolvidas no campus, por meio de parcerias como a firmada com a Prefeitura do Jaboatão dos Guararapes e com as organizações não governamentais impactadas pelo projeto”, afirma.
Ao unir tecnologia, saúde e conhecimento multidisciplinar, o Senses busca contribuir para um acompanhamento mais conectado às necessidades individuais de crianças com TEA, fortalecendo a comunicação entre famílias e profissionais e ampliando as possibilidades de desenvolvimento e inclusão.
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