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O estresse, quando não é bem administrado, pode favorecer mudanças de comportamento e hábitos que prejudicam tanto a saúde geral quanto a saúde bucal.
A rotina acelerada, as incertezas sobre o futuro e a pressão constante fazem parte da realidade de muitos jovens. Exigências acadêmicas, competitividade no mercado de trabalho e exposição contínua às redes sociais podem contribuir para o aumento da ansiedade e do estresse crônico. Esse cenário também pode refletir na saúde bucal.
De acordo com o Dr. Emerson Nakao, dentista, os níveis elevados de estresse podem afetar a saúde oral por meio de alterações nos hábitos e no estilo de vida.
Um dos principais efeitos é o aumento do bruxismo, caracterizado pelo ranger ou apertamento involuntário dos dentes, que pode acontecer durante o dia ou à noite. “Essa pressão psicológica repercute de maneira direta na saúde oral, contribuindo para o aumento do bruxismo. A médio e longo prazo, isso pode provocar desgaste prematuro, fraturas ou sensibilidade nos dentes, dores nas articulações próximas ao ouvido, relacionadas à disfunção temporomandibular (DTM), e cefaleias frequentes”, explica o especialista.
O estresse também pode interferir na produção de saliva. Em situações prolongadas de tensão, alterações fisiológicas podem reduzir o fluxo salivar, causando xerostomia, conhecida como boca seca.
“A saliva desempenha uma função fundamental na proteção da cavidade oral, ajudando na remoção de resíduos, na neutralização de ácidos e no combate às bactérias. Quando sua produção diminui, a boca fica mais vulnerável ao aparecimento de cáries, inflamações gengivais, mau hálito e lesões dolorosas, como as aftas recorrentes”, explica Nakao.
Estresse também pode mudar hábitos
Durante períodos de maior esgotamento mental, a rotina de cuidados com a higiene bucal pode acabar sendo deixada de lado. Escovar os dentes com menos frequência, não utilizar o fio dental ou realizar a escovação de maneira apressada são comportamentos que podem comprometer a saúde da boca. Escovar com força excessiva também não é recomendado.
Além disso, algumas pessoas podem buscar formas de aliviar a ansiedade e o estresse por meio do consumo excessivo de açúcares, bebidas energéticas, álcool ou dispositivos eletrônicos para fumar, como os vapes.
Quando esses hábitos se somam à falta de cuidados preventivos, os riscos para a saúde bucal aumentam.
Cuidar da mente também é cuidar do sorriso
A prevenção depende da manutenção dos cuidados diários, mesmo nos períodos de maior estresse. Manter uma boa higiene bucal, escovar os dentes adequadamente, utilizar o fio dental e realizar consultas periódicas com o dentista são medidas importantes.
Para o especialista, o cuidado deve ser integrado. “Diante disso, torna-se indispensável adotar uma abordagem integrativa da saúde, na qual o apoio à saúde mental e as práticas da odontologia preventiva trabalhem em conjunto para interromper esse ciclo.”
A prática constante de atividade física também pode fazer parte dessa rotina de autocuidado, contribuindo para o bem-estar e para uma vida mais equilibrada.
No fim, cuidar da saúde bucal não deve ser apenas uma preocupação estética. O sorriso também pode refletir mudanças na rotina, nos hábitos e no equilíbrio emocional. Por isso, preservar os cuidados diários e manter o acompanhamento odontológico são atitudes importantes para proteger a saúde e a qualidade de vida.
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