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Quem Foi? Por Antônio Carlos Aquino de Oliveira 

Quem Foi? Por Antônio Carlos Aquino de Oliveira 
Quem Foi? Por Antônio Carlos Aquino de Oliveira 

Quem foi que nos apartou como gado e nos marcou a ferro e fogo com seus símbolos de dominação, submissão e propriedade?

Quem foi que nos tornou fanáticos soldados de suas guerras particulares, sem nação e sem noção?

Quem foi que nos dividiu em bandas e bandos, nos deu rótulos e conceitos baseados nos seus interesses e preconceitos?

Quem foi que usando o nome de Deus nos obriga a odiar, agredir e discriminar irmãos? 

Quem foi que nos tirou a alegria dos encontros e a felicidade do estar?

Que nos cegou os olhos, nos impedindo de ver o horizonte, o amanhã e o ser mais próximo?

Quem nos tapou os ouvidos a todos os cantos e encantos do sagrado sentido do ouvir, sentir e perceber?

Quem foi que lavou nossos cérebros e mentes, a ponto de só nos deixar ver um lado, uma parte, o pior pedaço?

Quem foi que nos obrigou a trocar o mel pelo fel, a sabedoria pela ignorância, o conhecimento pelo analfabetismo, a gentileza pela agressão? 

Quem foi que nos roubou a identidade, a personalidade e os valores? 

Quem foi que nos tirou a liberdade de ser, de pensar, de escolher como viver? Quem nos ensinou o canto de uma nota só quando sabemos que existe um imenso universo de cantos e encantos? 

Quem foi que desautorizou os ensinamentos dos nossos pais e mães e nos impõe trocar a palavra pelo grito, a compaixão pela intolerância, o amor pelo ódio?

Quem foi que nos ensinou a abandonar os amigos, os conhecidos e familiares por absoluta demência, sem humanidade e essência, em busca cega e louca por falsas crenças?

Quem foi? Quem é?

Quem foi? Foi Você, fui Eu, fomos Nós, que aceitamos dançar a música que não nos dá alegria, que nos entristece, enraivece, emburrece, embrutece, adoece e mata!

Quem foi? Fui Eu, foi Você, fomos Nós, que nos permitimos alienar, que nos deixamos dominar, que optamos em nos fechar, isolar, apequenar!

Voltemos pois, com pedido de desculpas e perdão, aos braços amigos, às paixões verdadeiras, à alegria de ser e estar, à fé que abandonamos, às crenças no amor, ternura, trabalho, solidariedade, generosidade, no conhecimento, na ciência, na gente e na humanidade.

Antônio Carlos Aquino de Oliveira 
Bahia - 23.03.2021 

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